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Documentário – Estádios Extintos

por
5/03/11

Mackenzie, Internacional, Paulistano, Palestra e São Paulo Athletic reunidos no Velódromo em 1905

Nas discussões sobre futebol, muito se fala na força da torcida e na importância de jogar em casa para garantir um bom resultado. Imagine então, torcedor, que o estádio que foi palco de tantas glórias para seu time um dia deixe de existir. Imagine o Santos sem a Vila Belmiro ou o São Paulo sem o Morumbi. Tente visualizar o Palmeiras sem o Parque Antártica, o Grêmio sem o Olímpico, o Internacional sem o Beira-Rio ou o Vasco sem São Januário. Caso um destes estádios, por qualquer que seja o motivo, deixem de existir, restará apenas um vazio na memória do torcedor e na História do Clube que tantas glórias conquistaram nestes palcos. Triste, não? Pois a cidade de São Paulo tem, na história do seu futebol, um imenso vazio a ser preenchido.

Esta é a sensação que tive ao assistir “Estádios Extintos – Do Apogeu Ao Ostracismo”. O documentário é um projeto experimental produzido por um grupo de estudantes de jornalismo que busca um resgate dos primórdios da história do futebol brasileiro ao contar a trajetória do Velódromo e da Chácara Dulley, palcos de finais de Campeonato Paulista. Atualmente, estas praças esportivas não mais existem devido à crescente urbanização da cidade de São Paulo.

Para se ter idéia da importância desta iniciativa, basta entender um pouco da história do Velódromo, que foi o primeiro estádio de futebol do nosso país. Criado por Dona Veridiana Prado, membro da elite paulistana no final do Século XIX e proprietária de um palacete no tradicional bairro de Higienópolis, o Velódromo foi instaurado em 1892, no bairro da Consolação. As obras foram entregues ao arquiteto Tommaso G. Bezzi, nome importante na época. Não à toa seu nome também está vinculado às obras do Museu do Ipiranga.

São Paulo, no final do século XIX e início do século XX, não tinha o ar cosmopolita de grande metrópole que hoje ostenta. Este papel estava vinculado ao Rio de Janeiro, capital do país na época. A capital paulista tinha um clima bastante provinciano e o espaço urbano destinado ao lazer era extremamente vinculado à aristocracia.

O “Veloce Clube Olimpic Paulista”, ou Velódromo, passou a ser o local onde a elite se encontrava para acompanhar as corridas de bicicleta, que eram moda na época. Bicicletas eram importadas pelas famílias mais importantes para que pudessem curtir os passeios dos Campos Elísios até o Velódromo.

Após 1900, Dona Veridiana aceitou alugar o Velódromo para o recém fundado Clube Atlético Paulistano, que passara a usar o espaço como sede esportiva. Pouco tempo depois, no centro da pista de ciclismo, foi construído um campo de futebol e também uma arquibancada capaz de abrigar duas mil pessoas (ampliada depois para cinco mil). Desta maneira, o Velódromo se tornou o primeiro estádio de futebol do Brasil e palco das principais partidas realizadas na cidade de São Paulo.

O Velódromo não apenas foi o primeiro estádio do país como foi palco do início da história do futebol em São Paulo. Em 1901 passou a ser organizada a “Liga Paulista de Foot Ball” (LPF) e o Velódromo passou a ser o campo oficial dos jogos. Quando a LPF resolveu mudar o campo oficial para o Parque Antártica (na época, utilizado pelo Germânia), em 1912, o Clube Paulistano usou o fato como desculpa para abandonar a Liga e fundar a APEA – Associação Paulista de Esportes Atléticos – embrião da atual Federação Paulista de Futebol. Os reais motivos de o Clube Atlético Paulistano se desvincular da LPF era o fato do clube fazer parte da elite paulistana, não aceitando que clubes de classes trabalhadoras, como o Clube Atlético Ypiranga, participassem do campeonato. Naquela época, o futebol não era um esporte muito popular. Assim como o Clube Atlético Paulistano, o futebol fazia parte da elite e tinha como lema a honra, a ordem e a disciplina. Não é a toa que, na entrada do Velódromo, havia uma placa com a seguinte orientação: “Proibido vaiar”.

Em 1915 a área onde se localizava o Velódromo foi urbanizada, sendo aberta a Rua Nestor Pestana, que até hoje é pequena e com pouco movimento. Com a indenização o Paulistano adquiriu uma sede no Jardim América que na época era um bairro desvalorizado, mas que atualmente é uma das áreas mais nobres da Capital Paulista (para se associar ao clube hoje, é necessário pagar a bagatela de R$150.000,00).

Gol do Paulistano, no Velódromo, em 1905, contra o São Paulo Athletic.

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3 comentários

  1. Fernando Cury disse:

    É uma bela história do nascimento do futebol paulista e brasileiro.

    E parabéns ao pessoal do documentário. Um grande trabalho desde a pesquisa, passando pelas escolhas de entrevistas, chegando à sensibilidade no resgate dos primórdios do futebol brasileiro.
    Boleiros, vale assistir esse doc acima.

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  2. Stylianos Moyssiadis disse:

    Maravilhoso Documentario.

    Nós do Bom Retiro , ficamos muito orgulhosos por nosso querido bairro fazer parte do extraordinário Futebol Brasileiro.

    Salve o Bom Retiro !

    Stylianos Moyssiadis
    http://www.portaldobomretiro.net

    [Reply]

  3. márcio disse:

    Para os amantes do ciclismo, resta as ruínas do velódromo da cidade universitária, bem como as lembranças da prova nove de julho, idealizada por casper líbero, que tinha chegada na avenida paulista e atualmente é realizada no autodromo.
    Muito legal o documentário.

    [Reply]

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