Em 1974, a Seleção Brasileira chegava à Alemanha sob olhos atentos daqueles que esperavam uma repetição do futebol arte demonstrado na Copa do México. Entretanto, a Seleção de 1974, dirigida pela segunda vez consecutiva por Zagallo e sem Pelé, Gérson, Carlos Alberto Torres, Tostão e Clodoaldo, não chegava aos pés do grande time de 1970.
O time teve inúmeras dificuldades para empatar contra a Iugoslávia e Escócia e ganhar de um novato Zaire por 3 a 0, resultado que garantiu a classificação. Na segunda fase de grupos, o Brasil não conseguiu superar a Holanda, sendo detido pelo carrossel de Cruiffy e companhia. A Seleção Brasileira ainda disputou o 3º lugar, mas desmotivada, perdeu para a Polônia do artilheiro Lato por 1×0.
A partida entre Brasil e Holanda foi marcada pelo nervosismo de ambas as partes. Para os lados da Laranja, pesava o fato de enfrentar os tricampeões mundiais, O Brasil não se encontrava taticamente nos primeiros minutos de jogo e começou a apelar para a violência, fugindo das suas características habituais. Talvez tenha sido a partida na qual os brasileiros foram mais violentos em toda a história das Copas do Mundo.
A partida foi disputada em Dortmund, sob um frio caracterizado por vento e chuva e uma média de 16°C de temperatura. Entretanto, as coisas começaram a ficar quentes dentro das quatro linhas.
O fato de a seleção brasileira contar com alguns nomes do grande time tricampeão de 1970 intimidou os holandeses a princípio. No entanto, Cruyff cita em seu livro sobre a Copa de 1974, intitulado “Futebol Total”: “Depois de meia hora de dificuldades, despojados já de qualquer temor, sacudindo o complexo de estar à frente dos invencíveis, perdemos todo o respeito por eles e pelo que sem dúvida são e significam na história do futebol”.
Os brasileiros passam a apelar de forma violenta. Marinho Peres barra Jansen de forma ríspida; Rivelino provoca Rep e Valdomiro atinge Neeskens com um pontapé desleal. Os holandeses, cansados de apanhar, tentaram dar o troco, mas a preocupação maior estava em jogar futebol e conquistar a classificação para a final contra a Alemanha Ocidental, que vencia a Polônia por 1 a 0 em partida igualmente disputada. O Brasil atacava de forma desorganizada, e o goleiro Leão evitava como podia a ofensiva holandesa.
Os gols saíram no segundo tempo: Neeskens, aos 6 minutos, abre o placar através de uma rápida infiltração, após toque de bola com Cruyff, autor do segundo gol holandês aos 20 minutos, com um tiro rasteiro e indefensável, definindo o jogo.
Alguns minutos antes do apito final, Luís Pereira quase quebra Neeskens em dois, sendo expulso. E o técnico Zagalo, que menosprezava o futebol alegre jogado por uma das melhores seleções de todos os tempos, declarou estar preocupado unicamente com a final contra a Alemanha Ocidental. O desrespeito do Velho Lobo ao declarar que “podia fazer um suco dessa imensa laranja” fez com que o técnico brasileiro fosse obrigado a reconhecer que o time tri-campeão caiu diante de um futebol de primeira linha.
O Brasil voltou a enfrentar a Holanda em Copas do Mundo nos Estados Unidos, em 1994, quando venceu por 3×2 e também na França, em 1998, com vitória na disputa de penalidades após empate nos 90 minutos. Na Copa da África, a seleção comandada por Dunga foi eliminada pela Holanda de Robben e Sneijder, dessa vez por 2×1, após o destempero do “craque” Felipe Melo.
A Holanda seguiu na Copa eliminando o Uruguai e ficando com seu terceiro vice-campeonato ao perder a final para a Espanha.
Resultados da Seleção Brasileira na Copa de 1974
Brasil 0×0 Iugoslávia (primeira fase de grupos)
Brasil 0×0 Escócia (primeira fase de grupos)
Brasil 3×0 Zaire ((primeira fase de grupos)
Brasil 1×0 Alemanha Oriental (segunda fase de grupos)
Brasil 2×1 Argentina (segunda fase de grupos)
Brasil 0×2 Holanda (segunda fase de grupos)
Brasil 0×1 Polônia (disputa pelo 3º lugar)
Classificação: 4º
