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SELEÇÕES IMORTAIS DA COPA: A Coréia de 1966 ou O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO

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15/06/14

Tudo, mas quase absolutamente tudo que eu sei sobre futebol aprendi com meu pai. Lição mais valiosa de todas: o 10 é o melhor jogador do time. Sempre tem de ser. E ele estava certo. Um time sem um meia esquerda talentoso é meio time. Primeiras lições aprendidas aconteceram durante a 1ª Copa do mundo que vi e entendi, a de 1978. O que mais me marcou nessa Copa foi a roubalheira vergonhosa contra o Brasil e o ódio irracional que meu pai tinha da Copa de 1966. Sempre nas nossas conversas sobre futebol ele deixava claro a mágoa que tinha do time português. O pai dizia que o Brasil perdeu aquela Copa para ele mesmo e para a violência portuguesa. Não posso repetir os palavrões proferidos por ele, pois meu primo Felipe não gosta. Mas foram muitos e cabeludos. Mas meu pai também afirmava categoricamente que a zebra daquela Copa, a Coréia do Norte, usava 2 times diferentes durante os jogos. Entrava com um no primeiro tempo, no intervalo “trocava” de time, pois como eles eram muito parecidos, ninguém saberia dizer se o jogador que havia jogado no primeiro tempo era o mesmo que voltara para o segundo. Confiram o time titular:

Pode parecer piada, mas para meu pai futebol era coisa muito séria.

Explicando por cima o que aconteceu na Copa de 66, foi a Copa que a Inglaterra “encomendou” à Fifa. Sim, essa é a verdade. Diante de tanto erros de arbitragem que lhe favoreceram, como o que aconteceu na final contra a Alemanha, a Inglaterra jamais iria perder aquela Copa. Os ingleses, arrogantes, nunca sentiram a necessidade de participar das Copas iniciais simplesmente por que inventaram o esporte. Sua 1ª participação foi em 1950, quando eles pagaram o gigantesco mico de serem eliminados pelos EUA. Em 58 nós os eliminamos. Ou seja, colecionaram fracassos. Aí encomendaram a Copa à Fifa. Foi mais do que um jogo de cartas marcadas. Ignorando a violência que acontecia na África do Sul, a entidade aceitou a participação do país, levou ao boicote de 40 países. E foi graças à esse boicote que sobrou uma vaga para a Coréia disputar, o que ela fez com facilidade em cima da Austrália (que não concedeu visto aos comunistas da Coréia e os jogos foram disputados em campo neutro, no Camboja) 6 x 1 e 3 x 1. E em 1966 o aspecto físico passou a ser privilegiado em detrimento ao talento com a bola. Triste isso. A Copa de 66 foi tão bizarra que a Federação Inglesa tentou barrar o cafezinho brasileiro pois dizia que era um estimulante. Resposta da CBD: teu chá das 5 também é estimulante, ô mané com cara de pudim de leite condensado.

Meu pai dizia que graças ao fraco futebol que a Inglaterra insistia em jogar que o futebol força foi criado. O técnico inglês Alf Ramsey, que não conseguiu encontrar pontas talentosos para jogar o 4-2-4 nem fazer os duros jogadores ingleses terem jogo de cintura, inventou o bendito 4-4-2. Nascia aí a retranca. A retranca expunha o jogador talentoso à jogadores mau intencionados, como os portugueses fizeram com os brasileiros. Mas vamos falar da Coréia, por que ela é a minha seleção lendária.

A Coréia do Norte eliminou na 1ª fase simplesmente o Chile, que havia sido 3º colocado na Copa de 1962 e a Itália, que já era bi campeão mundial. A torcida italiana ficou tão revoltada com essa derrota que recebeu os azzurri sob uma sonora chuva de tomates. A Coréia era um time aplicado e veloz, todos seus jogadores sabiam sua função e as executavam quase com perfeição. Os jogadores coreanos em sua maioria eram militares daí essa obediência cega ao esquema tático. Mas a correria é que chamava atenção.  Eram 90 minutos de um corre-corre desenfreado, o que alucinava os times adversários. Contavam com um craque Pak Doo Ik. Surpreendentemente passaram pela 1ª fase e encararam o timaço português nas 8ªs.

Portugal havia vencido o Brasil graças à violência. Sim, os portugueses quase inutilizaram o Pelé para o futebol, o que fez com que meu pai odiasse Euzébio, Coluna e Torres até o fim da vida dele. Ódio que eu trouxe comigo. Voltando ao jogo, em 22 minutos, a Coréia já vencia Portugal por 3 x 0. Meu pai contava que ouviu um boato na época que a seleção coreana trocava de time no intervalo, pois não havia a sofisticação de hoje. Então qualquer um de olhinho puxadinho poderia dizer que era o jogador que havia entrado no primeiro tempo. Não havia banco de dados para conferir! Ele contava que Portugal alertado para esse fato, quando terminou o 1º tempo, reclamou com o delegado da Fifa sobre o fato e esse enviou um examinador junto com o time para os vestiários. Resultado: Portugal venceu por 5 x 3, 4 gols de Eusébio. Mas…devido o baile que levou no 1º tempo, Portugal chegou arrasado e cansado para a semi final com a Inglaterra e foi derrotado por 2 x 1. A Coréia saiu da Copa com um honroso 4º lugar, feito só repetido em 2002 pela Coréia, só que a do Sul.

Ficou na minha cabeça essa história. E eu sempre achei que sim, eram 2 times, que eles trocavam no intervalo e o juiz não tinha como conferir se era o mesmo jogador. Meu pai morreu afirmando isso e estou aqui para não deixar essa lenda sensacional morrer

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2 comentários

  1. Marcelo Nunes Da Costa de Oliveira disse:

    História muito boa, só não concordo com o 4º lugar da Coreia do Norte, pois ela foi eliminada nas quartas-de-final.

    [Reply]

  2. Carlos Rico disse:

    Interessante este artigo. Não conhecia esta suposta lenda da equipa da Coreia do Norte mas é possível que seja verdadeira.
    No entanto, a Coreia foi eliminada por Portugal nos quartos-de-final, logo nunca poderia ter ficado em 4.º lugar (esse lugar foi ocupado pela URSS que perdeu 2-1 com os portugueses no jogo de consolação).
    Quanto à violência da selecção lusa frente ao Brasil, não posso confirmar pois na altura não era nascido e até hoje nunca vi esse jogo completo mas – como em tudo na vida – convém sempre ouvir as duas partes da história. E o que tenho ouvido aos jogadores portugueses daquele tempo dizer, em documentários posteriores, é que o Pelé já vinha tocado desde o primeiro jogo da fase de grupos que o Brasil fez, com a Bulgária, onde o defesa Zhechev massacrou o craque brasileiro. Tanto que Pelé foi poupado no jogo seguinte mas como o Brasil perdeu frente à Hungria (1-3), os canarinhos tiveram de jogar o tudo-por-tudo na última jornada com Portugal e o Pelé teve mesmo de entrar em campo. Infelizmente para ele, a lesão agravou, quer fosse por acção do defesa Morais, quer fosse por a primeira lesão estar mal curada.
    Conferir no site do jornal “Marca”, insuspeito, por ser espanhol: http://www.marca.com/reportajes/2010/03/inglaterra_1966/2010/03/23/seccion_01/1269332430.html

    Não quero com isto dizer que os jogadores portugueses estão ilibados de qualquer culpa. Mas, se calhar, quem teve mais culpa foi o árbitro do encontro que não apitou as faltas que deveria ter apitado. E por favor, vamos deixar esse sentimento de ódio de parte. O futebol deve ser um meio para aproximar os povos e não para afastá-los…
    Cumprimentos.
    Carlos Rico (Portugal)

    [Reply]

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