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SELEÇÕES IMORTAIS DAS COPAS – A Romênia de 94

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9/06/14

A Copa de 94 foi a primeira que eu acompanhei mais atentamente, conhecendo muitos dos jogadores das seleções estrangeiras. Era a primeira Copa que eu sentaria ao lado dos adultos para comentar e ver os jogos (na minha família criança não via os jogos com os adultos para “não atrapalhar”).

Muitos times chamavam a atenção, mas minha atenção recaiu sobre um em particular; a Romênia. Do time eu não sabia muito, basicamente conhecia Hagi, Petrescu e Raducioiu, que disputavam o campeonato Italiano. Hagi era o craque do time, todavia não tinha a dimensão do seu futebol vendo-o atuar pelo modesto Brescia. Raduciou era mais conhecido porque atuava no poderoso Milan, que vinha de uma época de ouro, mas perdera para o São Paulo a final do Mundial de Clubes em 93.

fonte: Verminosos por futebol

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O futebol ofensivo supreendeu muitos, mas principalmente a Colômbia na estreia. Os súditos de Valderrama e Rincón eram tidos como a sensação da Copa (Tinham metido um humilhante 5-0 na Argentina nas eliminatórias jogando em Buenos Aires). A expectativa era a mesma que hoje se tem com a Bélgica, não obstante os colombianos não foram páreos para os romenos.

Pode-se dizer que o time sul-americano esbarrou no goleiro Stelea, que fez pelo menos quatro defesas sensacionais e impediu o forte ataque formado por Valencia e Asprilla, devidamente abastecido por Valderrama e Rincón de furar as redes. Até conseguiu em uma cobrança de escanteio, quando Valencia se atencipou aos zagueiros, mas o placar já estava 2 a 0 para a seleção do leste europeu.

Vale dizer que o primeiro gol foi daquelas jogadas de atacante que além de saber fazer gol é muito habilidoso. Raduciou recebeu na direita, livrou dois marcadores e chutou cruzado sem chances para Córdoba.

Hagi estava inspirado e não faltaram lances de efeito. Ele é o que se chama hoje de meio campista clássico. Jogava de cabeça  erguida, vendo o jogo por inteiro, quase não corria; até porque não precisava. Sua habilidade era tremenda e seu posicionamento idem. O time romeno tinha um futebol veloz, mas quando a bola parava no camisa 10 era como se o tempo congelasse. Tentou um gol de cobertura, mas Córdoba evitou. Hagi, no entanto, não desistiu; recebeu uma bola na esquerda, deu um tapa para o meio e chutou…

… restou a Córdoba olhar a bola entrar no cantinho. Raduciou ainda fez o terceiro driblando o goleiro.

No jogo seguinte, parecia a Romênia ser apenas um cavalo paraguaio: derrota de 4-1 para fraca Suíça. No terceiro jogo, agora contra os donos da casa, mais uma vitória e uma classificação que surpreendeu muitos; primeiro lugar do grupo, com os Estados Unidos em segundo; Se fosse o inverso Hagi e Cia pegariam o Brasil nas oitavas.

O Auge daquele time seria o confronto contra a Argentina nas oitavas de final. O time portenho vinha desfalcado de Maradona, pego no antidopping e suspenso pela FIFA. Ainda assim era um baita time com Batistuta, Simeone, Redondo, Ortega, entre outros. Era a atual vice-campeã do mundo. Os hermanos não tiveram chance (uma chance isolada de Ortega para Balbo no começo do jogo e só); os romenos abriram o placar com uma cobrança de falta magistral de Dumitrescu. A Argentina empatou com Batistuta de pênalti. Mas aí Hagi entrou em ação; Ele foi para a lateral direita da grande área, puxou para a canhota e deu um passe açucarado para Dumitrescu, que passou por entre os zagueiros argentinos para fazer o segundo. Dumtrescu devolveu o favor dando o passe para Hagi marcar 3-1 e deixar o mundo boquiaberto com aquele time. Balbo ainda diminuiu, mas não foi o suficiente.

Nas quartas de final era a vez da Suécia. E quem esbarrou agora foram os amarelos do leste; A equipe de Tomas Brolin,Dahlin, Larsoon e Ravelli parou a verdadeira sensação da Copa dos Estados Unidos. Brolin abriu o placar para os nórdicos, a Romênia empatou e virou com Raduciou. A virada, aliás já veio na prorrogação e depois dela a Suécia ainda teve um jogador expulso. Os deuses da bola pareciam querer ver aquele time ir mais longe, todavia o empate dos suecos no final do tempo extra jogou água no chopp romeno. Os time da terra dos vikings levou a melhor nos pênaltis e tirou um dos times que mais gostei de ver na vida da Copa do Mundo.

A Romênia era daqueles times que merecia ser campeão, mas entrou para a história como mais um daqueles memoráveis que não ganhou o maior torneio de seleções do mundo ao lado da Laranja Mecânica de 74 e da  Dinamáquina de 86.

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1 comentário

  1. A incrível história da Romênia de 1994 - Cenas Lamentáveis disse:

    […] Bola na Rede, Canelada, De Letra na […]

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