Nesta semana, a diretoria do Santos anunciou a manutenção do atacante Neymar até a Copa de 2014, que acontece no Brasil. Independente da questão eleitoral – obviamente que a permanência do atleta praticamente define a reeleição da atual diretoria no final do ano – o fato deve ser enaltecido por todos.
Se o torcedor santista comemora e, claro, deve fazê-lo, há circunstâncias econômicas e mercadológicas envolvidas na transação.
1. Desde que Ronaldo Fenômeno foi repatriado pelo Corinthians em 2009, a ordem de mercado foi sendo modificada. O Brasil, até então exportador, passou a ser importador de craques sulamericanos, tais como Montillo, Valdívia, Conca e tantos outros, bem como passou a contar com os seus grandes jogadores. Além do próprio Ronaldo, vieram Roberto Carlos, Ronaldo Gaúcho, Fred, Juninho Pernambucano, Luís Fabiano e muitos outros, porque se mostrou a viabilidade econômica por meio de uma grande estrutura de marketing alicerçada por empresas patrocinadoras.
2. A Europa passa por maus bocados. Fruto da irresponsabilidade econômica de alguns países como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha (PIIGS), o continente mostra-se frágil e, mesmo com o mundo da bola sendo algo a parte, não há como fugir do contexto. Não soaria bem, uma transação de milhões de euros a envolver Neymar neste momento.
3. Neymar está entre os melhores do ano conforme listagem divulgada pela Fifa, sendo o único atleta a atuar fora da Europa. Além de uma vitória pessoal e merecida, a Fifa comprovou que a ordem está invertida. Ou seja, ela “descobriu” que há vida inteligente e bola de qualidade do outro lado do Atlântico.
4. Sua baixa idade o credencia para amadurecer jogando no Brasil e tomar o rumo da Europa com 22, 23 anos e fazer história no Velho Continente.
Não me assustará se grandes jogadores que atuam na Europa vejam o Brasil com outros olhos e com um mercado a todo vapor.
Ganha o Brasil, não apenas por manter um grande atleta, mas por criar um efeito em cascata, que tende a preservar outros bons jogadores dentro do território nacional.
