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Ana Luiza, Theodoro e o teatro da vida

por
9/07/11

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance, ria e viva intensamente; antes que a cortina se feche e a peça acabe sem aplausos.”

Charles Chaplin

Todos estamos aqui cumprindo uma missão, muitas vezes até sem saber o porquê das coisas.

Nesta semana que se encerra a família Canelada se depara com o contraste dessas coisas. É o confronto do branco e do preto. É a luta da afirmação e da negação. É o veredicto do sim e do não. É, enfim, o tudo e o nada.

Mas seria muito mais fácil se a vida fosse algo, assim, tão maniqueísta. A realidade dos fatos é bem diferente. Porque a realidade não é racional. Ela traz sentimento consigo.

Na quarta, bem na hora do futebol que seus pais tanto apreciam, Theodoro desceu dos céus. Fruto do amor de Charys e Anderson, veio trazer alegria direta e indiretamente às pessoas que o cercam e ao mundo em geral. Afinal, quem não se encanta com um recém-nascido?

Theo, assim carinhosamente chamado pelos pais e por todos do Canelada, nasce num mundo complicado sob a ótica da moral e da ética, mas ainda assim promissor. Com saúde e o desenvolvimento tecnológico, Theodoro poderá facilmente ver a virada do próximo século, em 89 anos.

Seus olhos, ainda entreabertos no colo da mãe ou nos braços do pai, poderão ver coisas que os filmes imaginam há anos. Ele não fará parte da geração Y, mas de uma geração Z ainda por nascer.

Ele é o novo. Ele é o futuro. Ele é o abrir de cortinas que o lendário locutor Fiori Gigliotti iniciava suas narrações esportivas na rádio Bandeirantes décadas atrás. Lembro-me de Fiori, aqui na zona abissal do meu cérebro, bradando: “abrem-se as cortinas e começa o espetáculo, torcida brasileira…

Pois bem. Theo está descortinando a vida. Tem sua missão a cumprir.

De outro lado, temos a querida Aninha, cuja chama se apagou nesta sexta à noite.

Ana Luiza mobilizou um país inteiro e o Canelada junto, em especial pelo trabalho da querida Simone Mozzilli e pela colaboração direta de Iago Schaper e de todos nós, por oração, mentalização e, nessas horas e nas outras também, pouco importa a religião que se tem.

Sua vida foi curta, do ponto de vista terreno. Mas vejamos a luta, a entrega, a dedicação.

Ela não veio com a missão de ser o futuro que Theo simboliza. Ela representou o hoje, o agora, o instante.

Ela fez com que extraíssemos o melhor de nossas mentes e corações porque na tentativa de ajudá-la, foi ela quem ajudou a todos nós. Foi ela que fez com que a Simone quase abandonasse o Corinthians e, certamente, fez com que pessoas se encorajassem a doar sangue, doar uma palavra, doar vida.

Ela é o etéreo. Ela é o eterno. Ela é o que fica para sempre. E por ela e com ela, a mesquinhez humana foi minimizada.

Fiori Gigliotti diria: “fecham-se as cortinas e encerra-se o espetáculo, torcida brasileira“.

Pois bem. Ana está descortinando o outro lado da vida. Por aqui, sua missão está cumprida.

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15 comentários

  1. Caio di Pacce disse:

    Parabéns e felicidades!!
    Abraços Grenás!

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  2. Caio di Pacce disse:

    Quanto a breve, mas linda história da Ana: Lindas palavras as suas..
    Minhas orações.

    [Reply]

    Sylvio Micelli Reply:

    @Caio di Pacce, Obrigado, Juventino. Forte abraço.

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  3. Uiara disse:

    #AnaLuizaAnjo!
    Com certeza, aprendemos muito com essa linda estrelinha!
    Descanse em paz anjinho!

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    Sylvio Micelli Reply:

    @Uiara, É isso aí!

    [Reply]

  4. Tiago Buckowsky disse:

    Parabéns pelo texto, Sylvio ! Emocionante !

    [Reply]

    Sylvio Micelli Reply:

    @Tiago Buckowsky, Obrigado, Santista. Forte abraço.

    [Reply]

  5. Juliana disse:

    Estava hoje mesmo pensando nessa antítese, vendo na minha timeline os tweets do Anderson na maternidade, e do padrasto da Ana Luiza, dando a triste notícia.

    E você traduziu tudo de um jeito incrível. Chorei.

    Parabéns pelo texto – embora eu preferisse que ele só tivesse o assunto da primeira metade pra existir.

    [Reply]

    Sylvio Micelli Reply:

    @Juliana, Todos nós, Juliana, preferiríamos apenas a primeira parte. Mas a vida é assim mesmo. É sobreviver, cada antítese, da melhor forma possível.

    [Reply]

  6. Marcela Semler disse:

    Sylvio, perfeito o seu texto… Eu mesma, neste final de semana, mais precisamente sábado, entre lágrimas ao saber da notícia da Aninha (afinal perdi minha mãe para um câncer, então tudo isso mexe muito para mim), estava pensando exatamente nestes dois lados da vida… Num dia chega um anjo e no outro parte outro…

    Theo chega para nos trazer sorrisos, pureza e alegria… Aninha se foi nos deixando uma lição de vida, garra e tb alegria… Com certeza a missão dela está cumprida, afinal mais do nunca a família Canelada se tornou família, mais do que nunca nossos corações espalhados por todo Brasil estiveram unidos em oração… Ela veio para nos mostrar o quanto a vida é frágil, curta mas ao mesmo tempo intensa se bem vivida, não importando as circunstâncias…

    Aos pais do Theo e ao nosso caçulinha, um bem-vindo!

    Aos pais da Aninha, que Deus lhe dêem o conforto para seguir em frente sem nunca esquecer aquele doce sorriso…

    Simone, Iago obrigada por tudo que fizeram para tornar a existência da Ana Luiza mais feliz!

    Um beijo…

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    Sylvio Micelli Reply:

    @Marcela Semler, Obrigado pelas palavras que não mereço. Apenas relatei a vida como ela é, não com a mesma categoria do meu mestre Nelson Rodrigues. Bjs a todos.

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  7. Charys Oliveira disse:

    Obrigada pelo carinho Sylvio. Theo ficará muito orgulhoso, quando no futuro, ver sua chegada ao mundo tão bem narrada nas suas palavras. Belíssimo texto, excelente escolha das palavras.

    A família da pequena Aninha, desejamos que todo esse amor que ela frutificou no coração de tantos seja agora todo o alento para este momento.

    Abraços nossos.

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    Sylvio Micelli Reply:

    @Charys Oliveira, Obrigado Charys. E muita paz e tranquilidade a você neste momento que, certamente, é o mais especial de sua vida. A maternidade é um dom. Por isso que Deus concedeu esse privilégio às mulheres.

    [Reply]

  8. Anderson Vieira disse:

    Poxa Sylvio. Muito obrigado pelo texto para o Theo. Lindo mesmo. Fiquei com mais cara de pai babão agora.

    A Aninha agora é nosso anjo. Tenho certeza que Deus quis ao lado dele alguém tão especial.

    [Reply]

    Sylvio Micelli Reply:

    @Anderson Vieira, Já vi seus relatos via Twitter, preocupado com a icterícia, se ía ou não para casa ou “reclamando” quando a enfermeira o levava de volta ao berçário. Ou seja: na condição de pai, você já começou bem. Na de torcedor, infelizmente, nem tanto. =D

    [Reply]

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