O texto abaixo é de autoria do meu amigo Fabiano Tatu, o qual reproduzo aqui por conseguir sintetizar em palavras o pensamento geral do torcedor apaixonado por futebol e que, assim como eu, se incomoda com a forma pela qual a mídia e a CBF vêm tratando desse esporte sagrado para nós brasileiros.
O Brasileirão 2011 acabou e o saldo foi pra lá de positivo. Se não foi um primor no aspecto técnico, foi empolgante, emocionante e disputado como nunca antes. E não foi só no Brasileirão que se viu coisa boa. A Copa do Brasil marcou o ressurgimento do Vasco e fez o país conhecer e reconhecer a força do Coxa. Teve também o Santos, que voltou ao topo das Américas e vai atrás de outro Mundial.
Foram grandes jogos, disputas acirradíssimas, exibições inesquecíveis de jogadores que despontaram de vez pro mundo, como o Neymar, e de outros, de quem já não esperava-se mais muita coisa, como o Ronaldinho. Um ano em que uma torcida fiel até no nome pôde comemorar novamente um título brasileiro e, mais do que isso, ver que os caminhos que o clube vem trilhando apontam pra um futuro muito promissor; e de uma outra torcida, não menos fiel do que a Fiel, que em nenhum momento deixou que o sentimento parasse e ajudou o time a voltar ao bons tempos, conquistando título e brigando por outros até as pernas não suportarem mais. Que ano! Entretanto, num outro departamento, andamos pra trás.
Apesar de 2011 ter sido especial pro futebol, também confirmou uma nova tendência nele. Nunca se viu tanta babaquice futebolística como agora. Teve de tudo: de joão bobo a apresentador se vestindo de vampiro no Halloween. Uma tendência tosca, confirmada na festa de encerramento do ano da CBF, no Ibirapuera, na última segunda. Um festival de mau gosto, cafonice e puxação de sacos. Algo muito distante da realidade de quem acompanha futebol por gostar, por ter tesão nesse negócio. Um festa que privilegiou quem nada tem a ver com o esporte e deixou de fora quem tem e muito fez – e ainda faz – por ele, como foi o caso do Roberto Dinamite, que, no lugar do convite pro evento, recebeu um pedido de desculpas pelo “equívoco” cometido (http://bit.ly/ufwXoq). O que seria considerado patético em qualquer outro lugar, aqui é visto como normal, ou, como disseram, uma pequena gafe.
Agora, por que erra-se tanto, se está provado que temos know how, mão de obra, tecnologia e grana suficientes pra organizar grandes eventos? E, convenhamos, uma festa como aquela nem é um evento tão grandioso assim. Então, se é certo que há condições e recursos para fazer coisa muito melhor, por que não fazem? Porque não querem. Porque nada daquilo é pra quem realmente gosta de futebol. Tudo ali é feito pra uma galera que fala de futebol enquanto bebe vinho de 2.000 reais a garrafa. Não é pra torcedor de botequim. Aliás, não é pra torcedor nenhum.
Coisas muito simples, como fazer duas réplicas da taça e mandar uma pro Pacaembu e outra pro Engenhão, onde jogavam os dois únicos candidatos a título, são simplesmente ignoradas pelos caras, que preferem fazer do momento mais importante pro torcedor e pro time campeões um picadeiro pra politicagem e polimento de testículos. Onde já se viu comemorar título em teatro ou casa de show, em vez de em estádio, com torcida gritando e gente chorando? Onde já se viu levantar uma taça conquistada a ferro e fogo em meio a homens de smoking e mulheres de longo, tendo ainda que dividir espaço com apresentadores malas, dirigentes de reputação duvidosa e políticos oportunistas, sempre em busca de uma visibilidade a mais? Aqui, na “terra do futebol”, é o que se vê o tempo todo. É só o que se vê.
Não é que não sabem como fazer ou o que tem que ser feito. Não querem mudar, o que é bem mais grave. O futebol nacional fica, sim, cada dia mais organizado, mais lucrativo, mais economicamente interessante etc. A TV e a imprensa como um todo têm papel fundamental nessa melhora. Porém, apesar dos acertos, tem um outro lado sendo visivelmente prejudicado por essa imposição do elitismo e da fanfarronice na cobertura de futebol no Brasil, na maneira como o produto está sendo oferecido ao público. Seja nas transmissões, nos programas ou, como agora, nos eventos, o que se vê é um festival de piadinhas sem graça, papos que parecem ter saído de uma rodinha no playground do condomínio e média. Muita média. Um conteúdo valioso acaba sendo entregue numa sacola de supermercado.
O sentimento de torcedor não está presente nas matérias engraçadinhas, entrevistas “maneiríssimas”, que poderiam muito bem ser feitas pela Angélica ou o Bruno de Luca. É tudo muito voltado pra uma turma, que até pode gostar de futebol, mas que prefere acompanhá-lo um pouco mais de longe, ou, quando muito, de um camarote com ar-condicionado e bufê. Gente que acha mais legal ter novelinha no intervalo do jogo do que usar aquele tempo pra falar mais sobre a partida em si, mostrar gols e lances de perigo daquele e outros jogos. O tipo de coisa pro qual pessoas que curtem mesmo futebol insistem em dar valor.
Quem assiste às transmissões e coberturas dos campeonatos europeus, principalmente do inglês e do alemão, chora quando vê as daqui. E não falo apenas de TV paga. É geral. Por aqui, mesmo em TV fechada, tá difícil sair da mesmice, tá difícil achar algo que seja realmente bom. Domingo, como bem lembrou o Erich Betting no seu blog (http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2011/12/06/como-nao-organizar-uma-festa-do-brasileirao/), a transmissão da TV aberta se encerrou 10 minutos depois que o jogo do Corinthians acabou. E tudo voltou a ser exatamente como em qualquer outro domingo. Porra, não era!
Tomara que ainda haja espaço pra quem quer fazer futebol pra gente que gosta de futebol. E é tudo tão simples. É só não mexer muito, não inventar. É usar os recursos disponíveis pra valorizar a essência dele, o que ele tem de melhor. Não precisa nem parar com o que estão fazendo, hoje. Deve ter quem curta. Mas não podem simplesmente se esquecer de quem gosta e leva futebol a sério.
Abraços,
Tatu
Fonte: http://torcedor.ec/2011/12/07/o-predominio-coxinha-no-futebol-brasileiro/


December 8th, 2011 at 3:14 pm
CLAP CLAP CLAP…nem sei o que dizer.
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December 8th, 2011 at 7:30 pm
ah mano, coxinha é a síntese do cenário atual seja do futebol seja de qquer coisa, tá todo mundo imbecil fazendo piadinhas babacas. texto animal.
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December 8th, 2011 at 9:10 pm
Assino embaixo, mas cabe a ressalva. Os clubes, quaisquer que sejam eles, têm muito interesse em manter essa mesmice. Do contrário, poderiam ter feito coisa melhor.
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December 9th, 2011 at 1:15 pm
Traduzindo muito bem o cenário atual do futebol brasileiro! Muito bom.
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