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Onde está a evolução das seleções africanas?

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25/06/14

Desde que Camarões apareceu jogando muito bonito em 82 que se fala com mais ênfase do futebol jogado no continente africano. Em 90, os já experientes Leões,  liderados por Roger Milla, venceram a Argentina de Maradona (e então campeã do mundo) e terminou a primeira fase em primeiro à frente dos hermanos, da Romênia e da União Soviética. Nas oitavas de final passaram pelos colombianos, mas Gary Lineker  fez dois três gols dos ingleses para eliminar a sensação da Copa da Itália.

Em 94 a Nigéria aprontou  metendo um 3-0 na Bulgária de Stoichkov e se classificou em primeiro. Caiu nas oitavas para a Itália levando dois gols do Baggio, mas a tônica da crítica era mesma: “Os africanos jogam um futebol muito inocente!”. De fato jogavam, muito para frente, não o tal do senso tático. Era um vai de bolo e volta de tuia, ou seja, todo mundo subia para atacar e voltava para defender.

Gervinho e Drogba comemorando gol na Copa de 2014 (foto: UOL)

O que lhes sobrava em força física e vontade faltava em obediência tática e estratégia de jogo. Mas, com o decorrer do tempo e o investimento em profissionais estrangeiros e experientes a ideia que se tinha era a de uma evolução em vários aspectos para o futebol africano. Depois do boom da globalização do futebol e a Europa se tornar o oásis do planeta bola, viu-se estourarem mais jogadores africanos que milho em panela.

Os nomes foram vários, desde George Weah passando por Samuel Eto´o e Didier Drogba, atletas de alto nível apareceram aos montes. A evolução tinha chegado? Sim e não. Os talentos brutos que muitas vezes se perdiam, agora são bem treinados em grandes times europeus; Os diamantes brutos se transformaram em joias preciosas e ídolos mundiais dos fãs de futebol. Ainda assim, quando se reúnem pelas seleções nacionais parece que desaprendem tudo ou a proximidade com as raízes os fazem esquecer (ou deixar de lado) o pragmatismo que aprendem a ter nos clubes.

Nem mesmo o bom desempenho de Gana na Copa de 2010 pode ser tido como evolução. A Copa da África do Sul era a esperança do primeiro título para o continente ou, ao menos, de uma campanha fenomenal; a prova dos nove da evolução. Mas somente os companheiros de Essien foram um pouco mais longe e jogando um bom futebol. Perderam para o Uruguai no jogo em que Suarez foi expulso por fazer uma defesa em cima da linha com a mão e impedir o gol da vitória dos ganeses. Asamoah Gyan perdeu o pênalti e Loco Abreu terminou de matar os africanos com uma cavadinha na disputa de penalidades.

Em 2014 Camarões apenas veio passear e passar vergonha. Os muitos problemas do time atrapalham uma análise mais aprofundada da técnica. Costa do Marfim, apesar de ter bons jogadores como Bony, Gervinho, Kalou e Yaya Touré é muito dependente de Drogba, nem tanto do jogador e sim do líder. Foi clara a mudança de postura quando o camisa 11 estava em campo.

Gana é a seleção que mais tem dado trabalho e mostrado resultados mais convincentes. Curiosamente é que conta com menos astros do quilate de Drogba e Eto´o; Gyan, Muntarii e Essien estão longe desse patamar e talvez esse seja o segredo. Todos um pouco mais nivelados,  sem uma disparidade de  grupo que afete a boa convivência dentro e fora de campo. Contra a Alemanha fizeram um ótimo jogo, organizados na defesa e saindo sem se arriscar tanto; chegaram a virar o placar, mas Klose impediu a vitória dos ganeses. Uma pena! Faria muito bem ao futebol mais uma “zebra”.

Se a evolução não veio no patamar esperado, é certo que eles tem uma torcida apaixonada e quando faltar a qualidade e a organização que o embalo dos tambores os levem a voos mais altos!

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4 comentários

  1. Felipe Rocha Dos Reis disse:

    Fera Zé, ótimo texto…
    Também tenho a impressão de que a qualidade individual vem aumentando mas a disciplina tática deixa a desejar. Vemos seleções europeias (como a própria Grécia) que só tem cintura dura, mas a tática supera a qualidade individual.
    Eu ainda espero ver uma seleção africana campeã, mas as vzs parece que é mais fácil os EUA ganharem um mundial de Soccer do que eles.

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    José Henrique Mota Reply:

    @Felipe Rocha Dos Reis, Nos clubes que atuam não é difícil ver casos de jogadores africanos com problemas de relacionamento com o resto do elenco. Drogba nunca foi fácil no Chelsea, mas resolvia. Quando tiverem um maior senso de grupo e com mais disciplina tática poderemos ver esses times indo longe.

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  2. Raul disse:

    Excelente texto!! Pura verdade, jogadores com qualidade individual mas sem senso de equipe. Uma pena, porque poderiam ser sucesso nas copas.

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    José Henrique Mota Reply:

    @Raul, Uma pena mesmo. Um desperdício de talento.

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