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Uma vaia envergonha muita gente, duas vaias envergonham muito mais… (Parte II)

por
30/06/14

hi·no:

substantivo masculino
1. Cântico religioso.

2. Composição poética e musical em honra de uma nação, de um herói, de um partido, etc.

or·gu·lho:

substantivo masculino
1. Manifestação do alto apreço ou conceito em que alguém se tem.

2. Soberba ridícula.

3. Brio.

Copa do Mundo é um sonho! Nasci nos anos 70, porém, só me recordo dos torneios desde a Copa da Argentina. Nela, ainda criança, via os atletas cantando seus hinos e já me dava conta de que este momento era algo diferente na vida daqueles heróis.
Recentemente, tive o prazer de assistir o jogo de Japão e Costa do Marfim, na Arena Pernambuco, e fiquei mais encantado ainda com o que representa esta “música” na vida dos atletas e principalmente do público que segue a sua seleção.

Tinha feito amizade com alguns Japoneses, que sentaram ao meu lado, e pude perceber a poesia do momento nos olhos de cada um. É algo diferente. Não sei se é porque sou um apaixonado por futebol (e estava no ápice da emoção) ou se sou um eterno observador pelas “janelas” das arquibancadas do mundo. (Não importa o ângulo, qualquer hino tem seu encanto).

Li nos olhares e nas mensagens corporais o orgulho de ter um país representado naquele momento. Li, também, as inúmeras vitórias, da sociedade japonesa, em reconstruir a sua nação depois de várias catástrofes. Li, também, que eram amigos, visitantes e que mereciam o meu respeito, reverência e silêncio.

Na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, grande parte da sociedade brasileira ficou constrangida com as “mensagens” enviadas (para não falar em insultos) das arquibancadas para a Presidente do nosso país.

Não vou entrar no debate se era direito ou não de cada um, o que sei é que “aquilo” não me representou e constrangeu grande parte do povo brasileiro e do mundo.

Ali não estava um partido político. Estava a representante do poder executivo, eleita democraticamente. (Bola para frente, “passou”…)

Ontem, novamente, fiquei indignado (e envergonhado pelos outros) com as vaias proferidas ao hino do Chile pelo “povo” que estava presente. Qual o direito que o torcedor tinha de não deixar os outros ouvirem a representação maior de uma nação visitante?

Qualquer hino é para ser respeitado pela sua história, letra e harmonia. Nele, podemos interagir com as cicatrizes e marcas de uma região (para muitos desconhecida) e aprender com elas.

Como ironia do destino e ignorância das palavras, o público cantava neste “espetáculo”: sou brasileiro com muito “orgulho” e “com muito amor”.

Sinceramente, gostaria de saber em quais pilares, de areia, está baseado este “brasileiro com muito orgulho e amor”?

 

*Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

*Vídeo: Rodrigo Alves/Hino do Chile (Maracanã 18/06/14) Chile x Espanha.

Texto por Alessandro Matias, do site Eu Pratico Sport

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1 comentário

  1. Fred Delgado disse:

    A primeira vaia me deixou constrangido; a segunda me deixou revoltado.

    Desde criança meu pai me fazia ouvir o hino dos outros, comentando após o que poderia significar, brincava tentando traduzir o hino de acordo com o que ele tivera lido sobre a história do país e depois procurava a letra correta pra me mostrar, e quando o hino era o brasileiro, incentivava a cantar cada vez mais alto e com mais respeito.

    Fiquei revoltado contra o atentado à minha criação, à minha educação, feita por todos aqueles que lá vaiaram.

    [Reply]

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