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O Corinthians e as verdades sobre o Campeonato Brasileiro de 2005

por
23/04/11

Antes de qualquer coisa quero prestar um esclarecimento ao meu leitor. Se você é corinthiano, entenderá perfeitamente o que vou relatar a seguir. A você, meu carinho e minha eterna gratidão. Sabemos, perfeitamente, a maravilha que é ser torcedor do Sport Club Corinthians Paulista, clube ímpar no futebol mundial. E, justamente por ser diferente, temos de aguentar toda a sorte de perseguições e preconceitos. Mas isso, também já aprendemos a tirar de letra.

Se você torce para outro time, seja bem-vindo. Gosto que você esteja aqui, você também terá o meu carinho e o meu respeito, mas saiba que o que escrevo, você poderá não concordar e, sinceramente, não tenho a menor intenção de agradar você. Saiba que respeito todas as torcidas: desde a Portuguesa da Cidade Ademar (time da várzea paulistana) até o torcedor do Barcelona (hoje, o melhor time do mundo). Sou da opinião que grandeza não determina amor ao clube, como aliás já foi discutido amplamente aqui no Canelada. Mas o tamanho da torcida determina todo o resto. Também não sou de meias palavras, nem hipócrita. O Corinthians é grande. E não sou eu quem diz isso. Os fatos e números explicam-se por si mesmos. E sei que neste blog – de torcedor para torcedor – tenho uma bruta responsabilidade de representar uma das maiores torcidas do mundo.

É importante que se saiba, que desde a minha entrada no Canelada em janeiro passado, tenho pautado-me por matérias sobre o Corinthians, seus jogos e sua história. As poucas vezes que abracei a polêmica foram ou fruto de provocação ou por discordar da opinião da maioria. Por isso, não me entendam mal.

É preciso ressaltar, ainda, que este chavão de que o Corinthians é sempre beneficiado ou que os seus títulos são sempre comprados já virou tão lugar comum que nós nem ligamos mais para isso.

Devo registrar que, ao longo de 32 anos nos estádios, aliados à minha intensa leitura sobre o tema pela minha profissão (sou jornalista), tenho uma lista grande de equipes que foram beneficiadas várias vezes, até em copas do mundo, que se eu quisesse provocar faria um post sobre cada uma delas. Tenho muitas histórias para contar. Tem clube que ganhou comprado mesmo, principalmente nas divisões inferiores do futebol. Teve final de campeonato que o gol que valeu não valeu e o que não valeu, valeu. Teve final de Copa do Mundo que a bola não entrou, mas valeu. Teve final de Copa do Mundo que jogador expulso na partida anterior atuou. Teve time grande que apagou a luz do estádio quando marcou seu gol que o livrava do rebaixamento. Teve time rebaixado que na virada de mesa voltou à série principal. Teve jogador que saiu do aeroporto para entrar em campo e ser campeão. Teve time que saiu correndo de campo para não tomar uma goleada ainda maior. Teve goleiro que simulou contusão em partida de eliminatória de Copa. Teve jogo que enquanto determinava equipe não empatava, o jogo não acabava. Teve craque que agrediu adversário, era para ser expulso e o juiz não viu ou fingiu que não viu. Teve craque que marcou gol de mão em Copa do Mundo e virou Deus. Teve jogador que veio de contrapeso e virou ídolo. Teve jogador que saiu do banco, fez gol em mundial e calou a boca da torcida que lhe era contrária. Teve árbitro, hoje comentarista, que deu piti por causa de um urubu em campo. Teve título dividido porque o árbitro errou na contagem dos pênaltis. Olha… dá uma enciclopédia…

Saibam todos, enfim, que não há inocentes, nem anjos no futebol. O único Santos que eu conheço no futebol é o glorioso alvinegro da Vila famosa.

Pois bem. Uma das grandes bobagens que se comete é a tentativa de minimizar o quarto título do Campeonato Brasileiro conquistado pelo Corinthians em 2005. Obviamente que o campeonato teve problemas que rogo não mais acontecer, mas isso não tira o mérito do título corinthiano, quer queiram ou não. Como neste blog há um post sobre o tema e o mais belo alvinegro foi citado, sinto-me na obrigação de responder à altura, porque sou corinthiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus.

Vamos, enfim, aos fatos. O post é grande, mas se você chegou até aqui, vale a leitura até o final. Muitos já devem ter desistido no primeiro parágrafo.

A parceria MSI e Corinthians

A inveja dos clubes e torcedores rivais começou quando foi estabelecida uma parceria, ainda em 2004, entre a Media Sports Investment e o Timão. Dentro da mentalidade tacanha de parte dos adversários, o Corinthians nasceu para ser o time “da marginal sem número” e que dinheiro de fora só poderia ser “lavagem” de capital especulativo de investidores britânicos e russos. Antes e depois do Corinthians, outras parcerias de sucesso foram estabelecidas. Não citarei os clubes para não gerar mais polêmica e também não vou usar o Timão de escada para os outros, mas quando chega a nossa vez, as coisas sempre tem de ser diferentes.

Kia Joorabchian, presidente da MSI, montou um time que gerou ainda mais inveja. A MSI contratatou os jogadores argentinos Carlitos Tévez, Javier Mascherano e Sebá Domínguez; o chileno Johnny Herrera, os brasileiros Roger, Carlos Alberto, Gustavo Nery, Marinho, Marcelo Mattos, entre outros, para atuar no time. Esses jogadores ficaram conhecidos pelos torcedores e pela imprensa como Galácticos e aí, a dor-de-cotovelo comeu solta.

A Imprensa, que muitos dizem ser corinthiana, noticiava a cada semana as noitadas de Kia para desestabilizar o time. As idas e vindas de Tévez a Buenos Aires eram vendidas como negociações com outros clubes ou desrepeito ao Corinthians.

O importante era achar um motivo para desmerecer a equipe competitiva que foi montada. Infelizmente, um fator extracampo veio. Trata-se da Máfia do Apito que relatarei a seguir.

Aqui, cabe um parêntese. Não existe Imprensa corinthiana. Claro que há jornalistas que torcem para o Corinthians, como torcem para tantos outros clubes. O que há é apenas um jogo de interesses. A mídia sabe que, sem o Corinthians, o dinheiro não entra. Ninguém gosta do Corinthians, exceto nós, corinthianos. Aturam porque não há outra coisa a fazer diante da imensidão de sua torcida.

Os campeonatos do Corinthians em 2005

O Timão participou de três torneios. Foi vice-campeão paulista. Perdeu do São Paulo no sistema de pontos corridos. O Paulistão foi disputado em turno único e o Corinthians foi derrotado pelo Tricolor no confronto direto.

Na Copa do Brasil, o Corinthians foi precocemente eliminado. Depois de vencer o Figueirense por 2 a 0 num Pacaembu com mais de 34 mil torcedores, no jogo de volta o Timão foi derrotado pelos mesmos 2 a 0 no Orlando Scarpelli. Na decisão por pênaltis, o clube catarinense venceu por 3 a 2.

E aí vai a minha provocação. Se tudo que o Corinthians ganha é “roubado”, por que a MSI não comprou logo a Copa do Brasil, que dava a mesma vaga para a disputa da Libertadores em 2006? O Corinthians teria enfrentado o Paulista de Jundiaí (que foi o campeão), o Cruzeiro e o Fluminense. Não seria mais barato?

O começo do Campeonato Brasileiro do Corinthians foi péssimo. Empate com o Juventude na abertura do torneio no Pacaembu (2 X 2) e derrotas para Botafogo-RJ (1 X 3) e São Paulo (1 X 5). Aos poucos, o Corinthians foi se recuperando na competição e com resultados importantes diante de Flamengo (4 X 2), Brasiliense (4 X 2), Cruzeiro (4 X 3) e Ponte Preta (5 X 3). Mesmo com o início ruim, o Corinthians conseguiu já terminar o primeiro turno do Brasileirão 2005 na liderança, um ponto à frente do Fluminense. O Timão também era o dono do melhor ataque.

A Máfia do Apito

O árbitro Edílson Pereira de Carvalho protagonizou um dos maiores escândalos da história do futebol. Um grupo de investidores havia “negociado” com Edílson, até então, um do melhores árbitros de futebol do país e integrante do quadro da Fifa, para garantir resultados em que haviam apostado em sites. Descobriu-se a participação de um segundo árbitro no esquema, Paulo José Danelon. Ambos, Paulo José e Edilson, foram banidos do futebol e, depois, denunciados pelo Ministério Público por estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

Onze jogos foram anulados e tiveram de ser realizados: Vasco X Figueirense, Cruzeiro X Botafogo, Santos X Corinthians, Juventude X Fluminense, Vasco X Botafogo, Juventude X Figueirense, Paysandu X Cruzeiro, Ponte Preta X São Paulo, São Paulo X Corinthians, Fluminense X Brasiliense e Internacional X Coritiba.

Ou seja: catorze clubes foram envolvidos na confusão. E não foi apenas o Corinthians que teve de repetir duas partidas. Isso aconteceu com Vasco, Figueirense, Cruzeiro, Botafogo, Juventude, Fluminense e São Paulo. Apenas pelo fato do Corinthians ter repetido dois jogos e vencido ambos em campo, e ainda fora de casa, arma-se uma ilação risível, de que os jogos foram anulados para beneficiar o clube de Parque São Jorge. Hilariante!

Edílson era árbitro de ponta. Apitava clássicos e jogos de alto nível, mas é patético tentar buscar nexo em algo sem nexo algum. Poderiam reclamar, e com razão, se os jogos não tivessem sido realizados e o Corinthians tivesse ganho os pontos no tapetão.

O Sport Club Internacional reclama que se os resultados tivessem sido mantidos, ele seria o campeão. Mas o próprio Colorado teve de refazer o jogo contra o Coritiba. Venceu por 3 a 2, como ocorrera na primeira disputa anulada. Poderia ter perdido e aí os queridos colorados iriam reclamar do quê? Na última partida daquele ano, o Inter foi derrotado pelo rebaixado Coritiba.

O Corinthians venceu, em campo, a partida contra Santos (que havia perdido) e contra o São Paulo (que havia empatado). Como poderia ter sido derrotado nas duas. E aí iriam reclamar do quê?

É importante ressaltar que dos onze jogos remarcados, nove tiveram seus resultados alterados nas partidas reeditadas. Ou seja, teria sido o Corinthians apenas o único beneficiado?

Pau que bate em Chico, bate em Francisco. E o Corinthians soube aproveitar a oportunidade que teve advinda de um escândalo que envolveu 70% dos clubes do campeonato. E aí, cada qual que chore o leite derramado.

A “final” antecipada

Em 20 de novembro, aconteceu a “final” antecipada daquele campeonato. Donos das melhores campanhas, Corinthians e Internacional empataram no Pacaembu por 1 a 1. O Timão, dirigido por Antonio Lopes, dominou amplamente a partida, como aliás já havia acontecido no primeiro turno, num empate de 0 a 0 no Gigante da Beira-Rio. O Internacional insistia nos chutes à distância e na retranca armada pelo seu treinador à época, Muricy Ramalho. O Corinthians parou nas mãos do excelente goleiro Clemer, que saiu do anonimato aqui no estado de São Paulo, sendo vice-campeão brasileiro pela Portuguesa de Desportos em 1996.

Tévez marcou no primeiro tempo e teve chances de ampliar, sem sucesso. Rafael Sobis empatou no início da segunda etapa, num belo chute de fora da área. No segundo tempo, precisando da vitória, a equipe gaúcha equilibrou a partida.

Aos 28 minutos da etapa final, o lance polêmico do jogo. O meia-atacante Tinga sofreu pênalti do goleiro Fábio Costa. O árbitro Márcio Rezende de Freitas não marcou a infração e ainda expulsou o atleta por simulação. Ele havia acabado de receber o cartão amarelo numa falta feita no corinthiano Rosinei. O lance é irretocável. A falta existiu e Tinga pagou um certo preço pela sua fama de cai-cai, mas que em nada tira o direito do Internacional em reclamar.

Eu nunca deixei de dizer que houve pênalti e sempre procuro reconhecer o mérito do adversário. Só que tem aquela velha história. Quantos pênaltis mal marcados ou nem marcados acontecem?

Mas façamos justiça. Marquemos o pênalti, que poderia ter sido defendido, errado, batido na trave ou entrado e o Inter vence por 2 a 1. Ainda assim, o Colorado seria vice-campeão brasileiro daquele ano. Isso porque na sequência, o Corinthians venceu a Ponte Preta (3 X 1) e o Inter derrotou o Palmeiras (2 X 1). Na última rodada, ambos foram derrotados. O Timão pelo Goiás (2 X 3) e o Inter pelo rebaixado Coritiba (0 X 1).

Ambos terminariam o campeonato com 80 pontos. Nos critérios de desempate, o Corinthians levaria vantagem. Teria igual número de vitórias (24), com o maior número de gols marcados e o melhor ataque da competição (87) e ainda o maior saldo de gols (29).

Ou seja: ainda que o pênalti fosse marcado, o Inter teria poucas chances pelo número de gols marcados pelo nosso ataque. E aí, vão reclamar do quê? O Corinthians não tem culpa, por exemplo, de ter vencido o Santos por 7 a 1 no segundo turno daquele ano.

A desculpa Dualib

Os adversários ainda recorrem a mais um fator inusitado para justificar seu estratagema. O ex-presidente Alberto Dualib, praticamente expulso do Parque São Jorge em 2007, teria afirmado que o campeonato de 2005 foi roubado.

Sejamos sinceros. A administração Dualib foi uma das mais importantes do clube. Com ele vencemos cinco títulos nacionais (Brasileiro de 1998, 1999 e 2005; Copa do Brasil de 1995 e 2002); o Mundial da Fifa (2000), além de conquistas no Paulista, Rio-São Paulo… Entretanto, após 14 anos de comando, transformado o Corinthians num clube nepotista, suas afirmações, se é que foram feitas, são apenas fruto de um dirigente abandonado, que saiu pela porta de trás do clube e que foi obrigado a renunciar por denúncias de corrupção.

Sendo assim, digam o que quiserem, o Corinthians é, com justiça, o Campeão Brasileiro de 2005, seu quarto título nacional ganho, absolutamente, em campo.

O resto é resto e o choro é livre.

P.S: Obrigado a quem chegou até aqui.

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