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Cruzeiro 1×0 São Paulo. Dias melhores…

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15/05/17

1. Sempre dou uns pitaquinhos sobre o público nos jogos do time. Comecei uma pesquisa com esse intuito, com a ideia de localizar a última partida com um público pagante tão baixo em jogos válidos pelo Campeonato Brasileiro. Fui voltando no tempo, 2016, 2015, 2014… Parei a pesquisa quando os dados começaram a rarear em 2012. Na verdade as lembranças daquele time do Celso Roth começaram a atrapalhar meu ânimo – larguei de mão. Por aí dá para ver como a torcida, que está divorciada do time, reclama sem dar a sua contrapartida. Deixa pra lá. Melhor louvar os 6.528 pagantes, que deixaram algumas esposas e mamães com raiva no dia delas, e, mesmo em condições etílicas lamentáveis, em alguns casos, representaram a força motriz desse clube popular, que é o seu povo.

2. Saí do estádio com a sensação de dias melhores. Afinal, se tem uma coisa certa em campeonatos de pontos corridos, são os pontos perdidos para o São Paulo. Isso não é uma superstição aleatória, são números terríveis que provam nossa freguesia, o que a turma de ontem ignorou. Vitórias no primeiro turno? Apenas a quarta desde o início dos pontos corridos. As outras foram em 2003, 2004 e 2013. Fazendo as contas então, temos 2/3 de chance de bater campeão, ou quase isso, hehehe. Dias melhores virão, e a base desses dias melhores é o dia de ontem. A vitória do Cruzeiro era a coisa mais importante, pelo momento no ano. Nesse momento, o desempenho não importa. Me gabando, um pouquinho só, disse que era hora de Fábio, Dedé, Alisson e Ábila.

3. Quanto ao goleiro, o jogo de ontem não é um bom parâmetro para dizer se a troca é ou não acertada. Veremos adiante, no desenrolar da temporada se a meta celeste estará mais segura ou não. Rafael fez bons jogos, e mostrou-se útil. Por mais que o Fábio seja ainda o titular, sabemos que a idade pesa. Ele tem no máximo mais um par de anos em alto nível. O Cruzeiro deve lhe dar o tratamento compatível com alguém que supera a barreira de 700 jogos pelo clube. Todas as justas homenagens. Mas não deveria renovar o contrato dele, que vence no dia 31/07/18, aliás, para dar a chance ao Fábio de conseguir um último ótimo contrato em outro clube, deveria liberar o atleta do vínculo, se essa for a vontade dele, ao fim desse ano. Não há necessidade de se ter no elenco dois goleiros desse nível, e o Cruzeiro deve ter clareza que o futuro é o Rafael, não o Fábio. Não pode ser normal também seguir gastando vultosa quantia em salários com o Fábio se ele for reserva.

4. Dedé traz muita segurança nas bolas altas. Passa boas vibrações para o grupo. É um líder natural. A entrada dele era questão de tempo. Mostrando-se fisicamente recuperado, não fazia muito sentido mantê-lo no banco. A ideia de deixar a turma que começou, que roeu o osso, fechar as competições, e deixar essas mudanças para o Brasileiro é ótima. Entrega a ruptura com os maus resultados que tivemos e demonstra lealdade do comando.

5. Na sexta-feira passada o Cruzeiro anunciou a troca do Mayke pelo Rafael Marques do Palmeiras. Não gostei. A não ser que se trate de reposição antecipada de alguém que vai sair, tipo o Ábila ou Alisson, acho que é um cara que vem para um setor já bem concorrido. Não deve ser um jogador barato, e tira espaço do Raniel e de um eventual retorno do Judivan. Caras com a idade dele, só deveriam vir se for pra ser titular absoluto, incontestável mesmo, nunca para disputar posição. É notório que o Mayke precisava de uma mudança de ares. Mas acho que o certo era fazer algum dinheiro nele. Que fosse para o Palmeiras, mas que já vendesse percentual do passe dele. A situação ficou ruim, pois das duas uma: ou reforçamos um concorrente direto, de graça. Ou o Mayke vai ficar encostado por lá, desvalorizando um patrimônio do Cruzeiro.

6. Voltando pro jogo, novamente o Mano simplificou no 4-4-1-1, com Fábio, Romero de lateral direito, Dedé, Léo e Barbosa. Rafinha, Henrique, Hudson e Alisson. Arrascaeta. Ábila. Nesse formato, o futebol do Barbosa some. Ele não vai tanto ao fundo porque o Alisson, aberto, bloqueia o espaço. É um preço a se pagar até o time pegar mais confiança e resolver a movimentação de frente. O gol saiu de uma jogada de esperteza do Henrique, mas achou o Álisson na ponta, onde ele devia estar, que achou o Ábila no comando do ataque, onde ele devia estar. Se o time perde em imprevisibilidade, ganha em referência, automatização.

7. Abilão teve aproveitamento de 33%. Teve três chances e marcou uma. Uma delas criada por mérito exclusivo dele que ganhou do frouxo do R. Caio Mesmo. Outras duas chances em cruzamentos, um da direita, outro da esquerda. Não se trata de comparar o aproveitamento dele com o de outros “falsos noves” do Mano. O aproveitamento de todos os outros é zero, porque não estão lá na área para receberem as chances.

8. Alisson recuperou a titularidade e deu uma assistência em seu primeiro jogo, nessa nova fase. Rafinha depois de alçado a essa condição, demorou 10 jogos para emplacar um passe para gol. Não se discute quem é o mais agudo. Mas agora, a escalação faz sentido, com um ponta-armador e outro que busque o fundo. Aliás, é como começamos o ano, então com Alisson e Robinho. O reparo a fazer talvez seja colocar o Alisson na direita, para aproveitar melhor o potencial do Barbosa com o Rafinha caindo por dentro e abrindo o corredor. Mas são ajustes pequenos. É inegável que o Alisson rende mais na esquerda, Mano deve ter optado por coloca-lo na dele para que ele ficasse mais à vontade.

9. Arrascaeta estava morto aos 25 do segundo tempo. Essa função de circular livremente, caindo pelos dois lados para criar a superioridade numérica, dar opção e entrar na área como segundo atacante precisa de treinamento. A impressão é que ele está “correndo errado”. É quase como se ele fosse um cara fora do sistema tático, rígido do resto do time. No jogo passado, contra esse mesmo São Paulo no Mineirão ele aterrorizou a zaga dos caras. Desconfio que essa lembrança que fez o Rogério Ceni mudar o esquema e entrar com 3 zagueiros.

Dias a mais…

10. Próximo jogo, contra o detonado Sport. O Leão de Recife chegará ao encontro tendo jogado na quarta-feira a final da Copa do Nordeste. O Cruzeiro tem a semana livre. O Sport, por essa maluquice de campeonatos encavalados ainda não descansou um meio de semana sequer desde janeiro (!). Terá no encontro, feito nesse ano seis jogos a mais que o Cruzeiro. A vantagem física é nítida. Espero que saibamos aproveitá-la.

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