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Cruzeiro 1×1 Tombense. O jogo em notinhas.

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20/03/17

Dessa vez as notinhas vão com prólogo mínimo. Chato ter de escrever em dia ruim pro time.

1. Primeira coisa a dizer é que o Mano tem razão quando disse na entrevista pós-jogo que “essas coisas acontecem”. Já se diz há um século no Brasil que futebol não é ciência exata, e que nem todos os resultados são passíveis de explicação levando-se em conta apenas a produção das duas equipes envolvidas no jogo. Ao contrário de outros jogos em que o time venceu, mas deu calo no olho, ontem o time se houve bem e não venceu.

2. “Se houve bem”, é o máximo de elogio possível, obviamente não foi uma partidaça. Obviamente também, é impossível isolar o resultado da análise. E o resultado é horroroso. Horroroso por tirar a chance do Cruzeiro de passar o rival no confronto direto. Horroroso por tirar apelo do único jogo que vale alguma coisa desses 11 jogos iniciais do Mineiro, que são um longo martírio até desembocar no início da temporada de fato no Brasil.

3. O fato de o time precisar do resultado possibilitou à torcida ver um time buscando algo até o fim. Não é segredo que em jornadas anteriores o time se limitou a administrar o segundo tempo dos jogos. Se o Cruzeiro teve imposição física, posse e ultrapassagens na lateral esquerda, faltaram: precisão nos cruzamentos, finalização de média distância e um pouquinho de fome mesmo.

4. A tal fome sobrou pro Arrascaeta, que meteu um golaço, duas na trave, sendo uma delas de falta e depois insistiu em bater todas as outras faltas direto pro gol, sem alternar com cruzamentos, como seria recomendável. Mas faltou ao Rafinha, que pegou uma bola distante 12 metros do gol, limpa, na perna boa e preferiu rolar pro meio. Essa jogada irritou o Mano, à ponto de sacar o jogador que tinha entrado no decorrer da partida. Essa fome, faltou também ao Ezequiel, que ao contrário do Barbosa (que parece estar disposto a não dar chance à concorrência) limita-se ao feijão com arroz.

5. A falta de profundidade do Ezequiel e o cansaço do Alisson, levaram o Mano a espetar o Élber na ponta direita para o sprint final do jogo. Sobre as opções do treinador, é caso de se pensar que Cabral e Ezequiel vêm jogando bem, mas tem pouco a acrescentar ao time ofensivamente em jogos contra adversários fechados. Mayke e Lucas Silva seriam mais adequados. Mayke, pelo vigor, velocidade, facilidade de ir ao fundo e precisão nas assistências. Lucas Silva pela possibilidade do remate de fora da área e inversões de jogo.

6. Pra não ser injusto, é de se louvar a dedicação defensiva da Tombense. Mostrou-se um time encardido, como é encardida a Série C do Campeonato Brasileiro, onde o time de Tombos ficou uma posição abaixo da classificação para os Playoffs. Ano passado a classificação do Grupo Sul teve os 5 primeiros entre os 10 participantes nessa ordem: Guarani, Boa, Botafogo de Ribeirão, Juventude e Tombense. Não é um time de morto. Ainda teve mérito de aproveitar a volta meio descompromissada do Cruzeiro no intervalo e não desperdiçar a única chance clara que teve no jogo.

7. O gol dos visitantes teve mais de mérito deles do que de falha do time. Há certo espaço entre os volantes pro cabra meter a bola, mas quando é que o time consegue morder sempre evitando que os meias adversários deem o passe vertical? Prefiro dar o mérito pra quem acertou o passe vertical, passe esse, que cansamos de errar em outras jornadas. Ontem não houve erro nesse fundamento no segundo tempo porque as linhas fechadas da Tombense não permitiram infiltrações. O atacante adversário de posiciona bem, entre os beques e recebe a bola em condições de finalizar.

8. Finaliza bem, firme de primeira, de bico. Coisa que o Rafinha podia ter feito no segundo tempo, por exemplo. Há argumentação possível de que o Léo vai mal no lance. Porque, sabedor de que era melhor deixar o sujeito pro Manoel, que vinha mais inteiro na cobertura, deveria ter tentado interceptar a bola, em vez de correr junto com o atacante. Assim como, alguém vai dizer que o Rafael sai manso do gol. Não tenta abafar o lance e ainda fecha pouco o ângulo do adversário. Como disse antes, pra mim, mérito do Tombense. Pro Mano, estou certo de que haverá trabalho a fazer para evitar outros tentos assim.

Melhor e pior:

9. Melhor em campo ontem: Barbosa, pela participação e indignação com o resultado, tentando sempre levar o time à frente. Alisson compartilhou a indignação do colega e tentou ser agressivo pela ponta esquerda. Pregou no final. Mas é notável que sequência de jogos e confiança melhoram o futebol do garoto. A sequência deve acontecer com a lesão do Robinho. Chance boa também para enfim encaixar o Thiago Neves no time. Não podemos deixar de citar positivamente Arrascaeta pelo gol, muito bonito. Mas faltou participação para o gringo na segunda etapa, quando só apareceu nas bolas paradas.

10. Pior em campo quem escolheu não foi eu, mas o Mano ao substituir o Rafinha, que tinha entrado no lugar do Robinho. Quando o time precisa, se omitir não é aceitável. Prefiro sempre o cara que tenta e, eventualmente, erra, como o Élber por quem não nutro amores. Pelo visto o Mano também prefere. Sou corneta assumido do treinador, mas ontem, vimos o mesmo jogo e as substituições dele foram na linha do que o Cruzeiro precisava, no momento em que elas foram feitas. Era isso.

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