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Cruzeiro 1×2 São Paulo. Noites de copa são para se copar

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20/04/17

Noites de copa são para se copar. O Cruzeiro copeiro da década de 90 e do início dos anos 2000 está com a sua vocação adormecida. Quem sabe essa Copa? O que importa? Passar. Como? Como der. O jogo de ontem pode lembrar a todos esse sentimento. Como é bom ser Cruzeiro!

Triste sina do detentor do espaço. Enquanto a gente estava naquele reme-reme de início de ano, contra o Murici, São Francisco do Pará e etc, estava de boa com meu tempo. Agora, logo nos jogos contra o São Paulo, o trem apertou pro meu lado. Estive no estádio, mas com o dia cheio de hoje, não conseguiria trazer a coluna. Por isso solicitei a ajuda do um grande amigo para não furar (de novo). Segue o relato do Turco, acerca do que ele viu:

Quem achava que seria um jogo tranqüilo, quiçá com placar mais dilatado por conta do primeiro encontro e pela necessidade do adversário se expor mais no ataque deixando espaços atrás, realmente não conhece nosso histórico algoz.

Licença para falar do adversário, seu jovem treinador fez bem o dever de casa.  Certamente assistiu nosso jogo de sábado pela semifinal do Mineiro e observou uma deficiência em nossa saída de bola pela esquerda, tão comentada na transmissão da TV aberta. Armou seu time de modo inesperado até mesmo para quem o acompanha de perto e quase triunfou.

Quem assistiu sua entrevista pós jogo de quarta passada deve tê-lo ouvido comentar que esperava fazer gol no Cruzeiro em jogada aérea.

Voltando ao jogo, o Cruzeiro entrou devagar, numa preguiça que quase nos custou a classificação, enquanto o São Paulo, pilhadão, estilo “kamikaze”, amassou nosso time, pressionando a saída de bola com sua primeira linha de marcação alta e impondo um ritmo de jogo alucinante, até conseguirem o primeiro gol.

Pausa para reflexão, até neste momento do jogo eu já tinha perdido a conta de quantas bolas já tinham sido alçadas na área. Batemos cabeça em quase todas e não vi nosso goleiro saindo firme em nenhuma delas.

Vamos então as tirinhas:

1- Rafael, como dito anteriormente, firme e preciso debaixo das traves, mas cada vez mais aparece sua insegurança nas jogadas aéreas, principalmente naquelas a meia altura. Fez umas duas grandes defesas quando requisitado;

2- Lateral Direito: Em respeito ao amigo, dono do espaço, vou limitar meu comentário a dizer que como um bom beatlemaníaco, vou torcer para que nossa jovem e eterna promessa possa ser feliz dançando um “vira” em terras além mar.

3- Não foi um dos melhores dias para nossa zaga. Bateram cabeça no início e ainda perdemos nosso xerife por contusão. Nada contra o Kunty, mas pelas circunstâncias da partida esperava a entrada do Dedé, para maior segurança nas bolas aéreas.

4- Hudson correu e marcou como sempre e Cabral, que vem sendo, na minha opinião, um dos melhores em campo e cresceu muito de rendimento após contusão do Henrique, puxando a responsa para si,  hoje sentiu o peso de vários jogos em sequência e morreu antes dos 20 minutos do segundo tempo.

5- Rafinha jogou muito, correu o tempo todo e apesar de não ser o meu favorito, ganhou meu respeito pelo comprometimento tático e a entrega durante os 90 minutos. Não é a toa que o Mano não abre mão.

6- Tiago Neves: Diferenciado! 12 jogos, 12 participações diretas em gols. Se não me engano são 5 gols, 4 assistências e 3 cruzamentos que resultaram em gols contra.

7- Arrascaeta: Custou a entrar no jogo, estava sumidão até os 30 minutos iniciais, até achar um “cantinho” para jogar, quando então criou umas duas oportunidades boas no 1° tempo. Oscilou junto com o time. Já no 2° tempo, com a alteração que o Mano fez o deslocando para frente, como um falso 9,  brilhou! Desmantelou a zaga adversária, abriu os espaços, criou a jogada do gol e fez o time crescer e dominar o São Paulo por grande parte do 2° tempo.

8- Sofremos desnecessariamente no final, e perdemos a invencibilidade do ano, mas quem tá ligando para isso? Que venha as oitavas!

No mais, agradeço ao amigo pelo espaço. “Turco”

Só pra arrematar…

É irresistível não falar nada, e o Turco sabe que eu caio em qualquer provocação. Então vamos lá. Vou por só umas notinhas pra deixar impressões também.

1- Ontem quem estava no estádio, viu o Mayke fazer uma partida sólida defensivamente. Um bom número de desarmes e rebatidas. Além disso, a última linha de quatro do Cruzeiro ficou mais compacta, bloqueando a entrada da área para o São Paulo. Quando o adversário estava com a posse no campo de ataque, frequentemente o Rafinha descia até o fim pela direita, fazendo uma última linha de 5, embolando com o Mayke e o empurrando para dentro da área. Acertar o posicionamento defensivo, à partir da metade do 1º tempo, quando o Rafinha se adiantou um pouco foi primordial para equilibrar as ações.

2- O Cruzeiro ontem teve variações táticas visíveis, o que é legal pois eventualmente surpreende o adversário. Iniciou no 4-4-2 clássico, com Neves pela esquerda e o Rafinha na direita, ambos na mesma linha dos volantes. A ideia, acredito, era retomar a bola e sair na bola longa com os dois “atacantes” Arrasca e Sóbis e o ponta de linha do lado oposto. Quase deu certo uma vez com o Arrascaeta cruzando para o Neves. Se ele visse o Sóbis passando do lado oposto…

3- Voltou do intervalo no 4-2-3-1 com o Rafinha por dentro, Sóbis e Neves nas pontas da linha de 3 e o Arrascaeta de centroavante. E o uruguaio levou realmente pesadelos à dupla de zaga são-paulina. Por fim, terminamos no 4-4-2 de novo, quando o Sóbis e Neves cansaram e ficaram no ataque. Alisson, que substituiu o Arrasca entrou na linha do meio e se juntou ao Henrique, Rafinha e Cabral por ali.

Sobre os atuais dodóis da galera…

4- Hudson é bom, não discordo. Mas o primeiro gol deles sai de uma pirotecnia desnecessária do galã dentro da área. Fosse o Capita Henrique, talvez aquela bola fosse chutada para a lateral. A impressão que eu tenho às vezes, é que o Hudson tá sempre se jogando nas bolas e dando carrinho por não estar tão bem posicionado. Faz muitos desarmes e poucas antecipações. Rafinha realmente deixa tudo em campo. Mas é um nível abaixo da concorrência no um contra um e no ato de finalizar as jogadas. Sempre prefiro o cara que pode entregar mais tecnicamente. Mas compreendo que está difícil sacar a dupla do time por méritos deles mesmos.

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2 comentários

  1. Andrézão Belas Coxas disse:

    Tal qual o Mano precisa de rotações, o dono do espaço tb acertou com a entrada do “Turco”…espero que não seja a única compensação para a omissão in loco. Uma defesa do arqueiro: melhor espanar que errar…A propósito, quantos desarmes o ‘arrancada de jangada’ fez ontem?

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  2. Fernandão Canela disse:

    Se estiver se referindo ao Cabral, não sei. Não peguei as estatisticas do jogo completas. Pelas iniciais o Hudson desarmou mais, seguido pelo Rafinha. Hudson, Léo e o Mayke rebateram mais bolas. Em compensação o Cruzeiro teve um aproveitamento baixíssimo de passes. Acertou 85% deles, enquanto o São Paulo acertou 90%. Quem não cuida da posse de bola tem de recuperá-la sempre.

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