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Cruzeiro 2017, avaliação de elenco: Parte final

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25/02/17

Olá pessoal, esse é o terceiro post da série introdutória, Cruzeiro 2017. Após essa avaliação dos que ainda faltam, o blog se dedicará a história celeste e aos jogos mais interessantes da temporada, te convido a construir esse novo espaço comigo. Sei que a série inaugural em pleno carnaval ficou um tanto quanto estranha, mas não é assim que funciona no Brasil? O ano começa depois do Carnaval. Se o ano começa depois do Carnaval, os conceitos desse time foram construídos um pouco antes.

Nos dois textos anteriores demos algumas pinceladas táticas que vamos dispensar aqui para poder detalhar melhor as peças do elenco de forma individualizada.

http://canelada.com.br/cruzeiro/cruzeiro-2017-avaliacao-de-elenco-parte-13/

http://canelada.com.br/cruzeiro/cruzeiro-2017-avaliacao-de-elenco-parte-23/

Separei o grupo dos meias em três categorias. Apenas didaticamente. Teoricamente e só “teoricamente” mesmo há uma vaga para cada tipo. Baseando-se nos primeiros jogos do ano, a “linha de três armadores” tem vaga para um ponta-armador (posição que já foi do Éverton Ribeiro, mas que começou o ano com o Robinho), um ponta de lança centralizado (Arrascaeta) e um “ponta-ponta” que dá profundidade ao time, começamos o ano com o Alisson nessa função.

Armadores:

O Thiago veio por uma fábula de dinheiro. Falam em custo semelhante ao do Júlio Baptista. Tomara que com utilidade bem superior à do Júlio. Por esse motivo ele vai jogar. Parece motivado e sempre foi bom jogador. Se o Mano quiser manter o esquema dos primeiros jogos, disputa a posição com o Robinho. Seria o ponta mais recuado que arma o time e corta para dentro para finalizar. Falar alguma coisa de uma cara que estava nas arábias há três anos é difícil, como diz o mestre ADÍLSON, vamos aguarrrrrdarrr.

Robinho: O Robinho também vai jogar. E aí aparece a primeira adaptação que o Mano deve fazer: excluir um ponta do time e colocar uma linha de três armadores com Thiago, Arrasca e Robinho. Seria fácil fazer isso, porque a meninada da beirada tem menos peso.  Eu não faria. Assim como não escalaria o Robinho de volante, a não ser em condições especiais de jogo. Nesse ponto, a montagem de elenco pecou. Ficaram dois caras de peso para mais ou menos a mesma função, e no meu modo de ver, de difícil conciliação. Some-se o fato de que o Robinho tem problemas com a reserva.

O Marcos Vinicius, na minha opinião, é o cara mais promissor desse elenco. É uma pena que o sujeito não consegue jogar por conta de contusões. Rivaliza com o Alisson nesse quesito e faz questionar o trabalho de preparação física na base do Cruzeiro. De toda forma com dois cobras em seu setor, deve virar sombra pro Arrascaeta, pois tem força para jogar centralizado e ocupar bem o espaço, mas o garoto precisa se benzer. Pode jogar de ponta também, embora seu arranque seja curto.

Alex precisa ser emprestado. Se ficar não vai jogar, e é um cara pesado que precisa de minutos em campo e ritmo de jogo para produzir o que (talvez) sabe.

Pontas:

Álisson: Precisa se manter saudável e ter uma sequência de jogos. É extremamente útil e entrega muita garra na recomposição. Como tem problemas para finalizar a gol, o esquema sem centroavante fixo não o favorece, pois precisa passar a bola ao fim das jogadas. Torço para que mantenha a sua posição de titular, esse status lhe faz bem em campo. Quando entra ao longo das partidas é muito afobado.

Rafinha: É útil na marcação e injeta sempre ânimo e vontade no restante do time. Notável ver um cara de mais de 30 anos que joga sempre à vera.

Élber: Dizem que o Sport nesse início de ano consultou a situação do menino Élber. Alguém da diretoria podia ligar pra lá e saber se é sério. Se for, vende o garoto. Que já nem é garoto mais. Só a desconfiança quanto à parte física do Álisson justifica a manutenção do Élber no elenco, mesmo assim só até o Judivan voltar de cirurgia.

Vocês precisam dar certo juntos.

Ponta de lança:

Arrasca: Ele ainda não é, mas tem todo o potencial para ser o maior jogador do Cruzeiro desde o Alex. Ponto, parágrafo, suspiro, sinal da cruz…

Tecnicamente ele é absurdamente capaz. Está cada dia mais forte física e mentalmente e é o protagonista desse time. Por esse motivo, não pode ser deslocado para a ponta, onde ele fica mais longe do gol e dá menos toques na bola. Ele já perdeu a vaga de titular 3 vezes no Cruzeiro (a recuperando na sequência), com o seu Marcelo, com o Luxa e com o Mano.  Em todas as vezes a saída dele do time foi precedida pelo seu deslocamento para a ponta, onde ele não rende.

Raniel: Senta no banco, moleque. Mete umas canetas no treino e espera sua chance. Ela só deve vir ano que vem. Nunca vou entender a política de (não) aproveitamento da base do Cruzeiro. Sério. Esse ano mais dois ou três moleques, peneirados mais que talco, contratados como destaque da base de outros times vão estourar idade e começar a sua peregrinação (emprestados) Brasil afora. Pro Raniel, esse ano, restou ser a última opção do setor ofensivo.

Atacantes:

Sóbis: É o titular do Mano. Ótimo jogo coletivo e finalização de média distância. Muito coração na recomposição e na hora de “passar” para não receber a bola, ou seja, abrindo espaços. É uma pena que essa passagem, o ato de levar a marcação, seja a principal função dele no esquema do Mano.  Ainda mais se o treinador vier mesmo a retirar o autêntico ponta do time para empilhar armadores no meio. Nesse caso as jogadas de fundo ficarão mais escassas e o time tende a levar mais perigo nas infiltrações e contra ataques, onde o Sóbis deverá fazer esse trabalho coletivo, que é melhor que o do Ábila.

Ábila: Na centroavância é que a montagem de elenco do Cruzeiro é melhor. Três bons jogadores com características distintas. Abilão é reboteiro e goleador. Participa pouco da construção de jogadas e precisa que o time vá ao fundo para receber assistências já que tem pouca velocidade para fazer o facão, muito embora tenha bom arranque e proteção de bola. Se ela vier na medida… Agora, todo centroavante tem que jogar. O cara vive de confiança, se a bola tá entrando ele vai fazendo gol e assim por diante. Em uma formação alternativa, com mais liberdade para os laterais ele seria imprescindível. Com uma linha de três armadores atrás, as características do Sóbis dão mais encaixe, a não ser que o jogo seja no Alçapão do Bonfim.

Judivan: Apareceu muito bem o garoto. No início de 2015 tínhamos a nossa promessa, que estava prestes a virar certeza no mundial sub-20, do meio do ano. O escrete brasileiro tinha Malcolm, Gabriel Jesus e Boschilia, mas quem fez dois gols na estreia e envergava a 9 nas costas era o Judivan. No segundo tempo do primeiro jogo eliminatório após a fase de grupos, Brasil e Uruguai. E aí, em uma entrada criminosa do jovem e inconsequente uruguaio, nosso protoestrela vai ao chão.  De lá pra cá o garoto passou maus bocados, teve uma rejeição a um enxerto de cadáver, uma trombose pulmonar, algumas cirurgias e nada de correr atrás da bola.

Transforma essa dor em raça, moleque!

Parece prestes a retornar ao gramado, do alto de seus 21 anos e com uma bagagem de infortúnios importante. É uma incógnita completa, mais ainda do que quando tinha 18 anos arrebentando nos juniores. Mas em respeito à sua história de superação, o Cruzeiro precisa lhe dar minutos em campo tão logo esteja recuperado. Ninguém terá mais fome do que o garoto. As suas principais características, quando foi lançado, eram a força e velocidade (um pouco de fominhagem também). Sendo assim um pouco diferente das outras opções, já que tinha bom drible também.

Por fim…

Pra ninguém me chamar de murista:

Time do Mano ideal (todo mundo 100%):

4-2-3-1: Fábio – Ezequiel, Manoel, Dedé e Barbosa – Henrique e Cabral – Robinho, Neves e Arrasca – Sóbis.

Imagina eu, o entregador de coletes:

4-4-1-1: Fábio – Mayke, Manoel, Dedé e Fabrício – Neves, L. Silva, Henrique e Alisson – Arrasca – Ábila.

Sintetizando esse longuíssimo texto: Contei  33 atletas no elenco. O mesmo deveria ser reduzido para 28, emprestando ou vendendo: o quarto goleiro, Edimar, Romero ou Lucas Ventura, Alex e Élber. Há um excesso de meias talentosos nem tão compatíveis assim, que podem levar o Mano a ter problemas na administração de egos e oportunidades. Goleiros corretos e estáveis. Atacantes e zagueiros para todos os gostos. Jovens talentosos precisando de oportunidades. E laterais corretos com espaço para crescimento, mas ligeiramente abaixo do restante do time.

À primeira vista parece um time até mais talentoso que o de 2013/14 que diga-se: tinha muito talento. O que sobrava então era uma força coletiva muito grande e a absurda sintonia e encaixe dos monstros Goulart e Ribeiro. Times de futebol são muito mais do que a soma de seus jogadores. O Cruzeiro tem bom elenco na mão de um bom treinador, para vir a ser um ótimo time faltam coisas que não conseguimos muito bem explicar. Aguardamos as cenas dos próximos capítulos para ver onde vai dar.

Saudações Celestes.

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