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Cruzeiro 2×0 América/MG. Protocolo cumprido.

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24/04/17

Semifinal de 2016, ida, América/MG 2×0. Público pagante do jogo da volta: 35.214. Esse era o time do Deivid com direito a xingar o Sanchez Miño. Estamos em 2017, depois de um 1×1 no Horto, com o time recém-classificado em cima do São Paulo na Copa do Brasil, com ingressos mais baratos. Pagantes no Mineirão: 18.067.

Não consigo entender o comportamento de parte da torcida do Cruzeiro nesse ano. Não é aquela bobagem de não sei quantos milhões e etc. Mas estou falando dos caras que em 2013 pagavam numa boa os 120 por mês de mensalidade e que hoje não pagam os 105 do Sócio Brasileiro. Dos 17 mil que foram no ano passado e não foram esse ano. Desceram a lenha no Gilvan durante a semana, na Internet, por causa de mais um balanço ferrado que mostra a perda de musculatura financeira do time, ano após ano. Se o Cruzeiro não for bancado pela sua torcida não conseguirá terminar o ano com as suas estrelas. Em síntese, não conseguirá fazer frente aos rivais mais endinheirados. Chamando o Beto Guedes pra conversa: “Vamos precisar de todo mundo…”.

Feito o desabafo, vamos adiante.

1. Cruzeiro alinhou a defesa com Rafael; Mayke, Caicedo, Léo e Barbosa. Léo foi o melhor da defesa. Caicedo assustou no início do jogo, meio sem ritmo, principalmente nas bolas altas. Mayke teve mais trabalho do que devia com Gérson Magrão no 1º tempo, passou despercebido no 2º. Esse menino Barbosa, nas palavras do Coronel, célebre cruzeirense, é um achado. Lembra muito o Mayke. Não esse Mayke, que vai pouco à frente, talvez por ordens do chefe, talvez por receio. Mas aquele Mayke de 2013/14.

2. Do meio pra frente, teve: Henrique e Hudson, Rafinha, Neves e Sóbis; Arrascaeta. Armado assim mesmo, com o Sóbis fechando pela ponta esquerda e o Arrasca de centroavante. E o uruguaio fez dois gols típicos de… centroavante. O Mano descobriu a pólvora pessoal dele. Se na cabeça dele, o cara mais adiantado é o que contribui para abrir a defesa para quem vem de trás e eventualmente faz uns golzinhos, realmente não há quem faça a função melhor que o gringo. Pelo menos nesses dois últimos jogos, com o time com um resultado a defender, as funções do Sóbis e do Rafinha pelos lados foram muito mais defensivas do que ofensivas.

3. Naquela partida do meio da semana o time mostrou como NÃO se administra uma vantagem favorável. Ontem contra o América, a coisa ia mais ou menos pelo mesmo caminho. Não houve a pressão do adversário na mesma intensidade, mas houve a linha muito baixa e a postura de aguardar o adversário para o primeiro combate no campo de defesa.

4. Seguimos nessa toada com o Gérson Magrão muito bem pela esquerda, e o América buscando mais, até que aos 18 do 1º tempo, Renanzinho acertou o poste numa bola que cruzou a área toda encima da linha do gol. Eu que estava de ressaca, e meio morto mesmo, pelo exagerado etilismo do feriado aproveitei a deixa para acordar e passar a prestar mais atenção no jogo. O Cruzeiro também. Assim como no Independência, o time precisou de um susto para botar a pelota no chão descer com força pela esquerda. Assim como no primeiro jogo, bela assistência rasteira do Barbosa. Arrasca fuzilou com a perna esquerda o sonho dos 150 americanos presentes no Mineirão.

5. Se no jogo contra o São Paulo, o Cruzeiro sentou demais sobre a vantagem e correu sérios riscos, ontem após o gol, isso não aconteceu. O Mequinha esmoreceu, e, na verdade, o jogo acabou ali. O Enderson ainda ajudou quando mexeu no time no intervalo. Ele estava pensando em adiantar o time quando tirou o Pará (lateral) e pôs o Marion (meia-atacante). Só que com a substituição, ele recuou o Magrão para a lateral, que era o cara mais lúcido do time. Em resumo afastou o jogador mais criativo deles da nossa área.

6. Temi, ainda temo, em verdade, a ausência do Cabral. Ontem, o Henrique entrou na sua posição favorita, fazendo o primeiro volante e saída de bola. Isso deu suporte para o Hudson ser adiantado um pouco e fazer o trabalho do argentino. E ele deu conta do recado. Aliás o Hudson fez um negócio no segundo gol que o Cabral jamais fará. Entrou pela área, driblando com potência e decisão e deu 99% do gol para o Arrasca empurrar pras redes. São estilos antagônicos. A mim agrada mais o volante do passe, da cabeça erguida. Mas em fase ungida, iluminado que está, transpirando e contagiando os colegas, já disse na crônica passada e repito: Hudson não pode sair do time.

7. Aos 30 do segundo tempo, Neves saiu sentindo o joelho. Preocupa. É um jogador de alto poder de decisão. Mas vinha numa jornada muito ruim. Parecia um pouco displicente no primeiro tempo, ajudando pouco. Ao contrário do Rafinha. O Leãozinho. O carinha tá correndo pacas. Não desiste de uma jogada. Agora, não é o mesmo caso do Hudson. O Leãozinho tem a titularidade ameaçada. Porque no próximo jogo, entraremos precisando reverter uma vantagem. O Mano pode ter, ainda, a volta do Robinho. Então para o clássico ele pode optar por mais cadência (Robinho) ou mais agressividade (Alisson), na vaga do Rafinha.

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