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Cruzeiro 2×1 C. A. Mineiro. O jogo em notinhas clássicas.

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2/04/17

1. Um jogo que não vale nada, não define nada, OU, é jogo mais importante da temporada até agora? A resposta depende do ponto de vista. Na minha ótica, a segunda assertiva é mais fiel à realidade. Justifico com três frases. a) Campeonato Mineiro pra que mesmo? b) o ano vai começar, nos próximos 3 meios de semana, o Cruzeiro disputa a ida da Sulamericana e define o confronto com o São Paulo pela Copa do Brasil, melhor começar com moral. c) não é surpresa para ninguém que em 2017 a torcida iniciou o ano divorciada do time, nada melhor que um clássico com vitória para iniciar a reaproximação.

2. No jogo do torneio-mico, na abertura da temporada, o adversário jogou muito desfalcado. Nesse jogo, o Cruzeiro é que teve que entrar em campo sem peças importantes. Henrique, Robinho e Alisson são potenciais titulares. Mesmo com a ausência deles o time se houve bem. A atuação tinha tudo para ser irrepreensível, após a expulsão de um atacante absolutamente descontrolado. Naquele momento, por volta da metade do primeiro tempo, bastava ao time um pouco de maturidade e ambição, para que fosse possível a construção de uma goleada redentora.

3. A goleada não veio. O cruzeirense deixou o estádio como quem finaliza um copo de Campari quente. A bebida cumpriu seu papel, e ajudou o angustiado bebedor a esquecer alguma agrura, mas fica o gostinho amargo. Aquele sabor, e a reflexão de que bastava uma pedrinha de gelo para um drink prazeroso. Pois bem, com futebol e organização, que o Cruzeiro teve, bastava um pouco mais de maturidade e ambição para que a felicidade de vencer o clássico se transformasse em algo maior.

4. Poderíamos estar aqui falando em linhas um tanto mais poéticas e embargadas, sobre um dia histórico. Nos últimos dez anos, temos três boas histórias dessas pra contar. Duas em anos consecutivos, na final do Mineiro, em que Mestre Adílson gravou páginas heroicas imortais. Somados os placares a que me refiro dá uma dezena de gols de diferença, com direito a doplete do Touro Sentado. Passaram-se dois anos e no jogo da morte, a maior reviravolta da história. Um dia mágico em que um time desmontado pela própria direção, ao longo do ano, que seguidamente falhou em vencer adversários frágeis foi a campo pressionado por tudo e todos. Aquele time de um hesitante Vágner mansinho estava desfalcado pelo três principais jogadores de então. Mestre Paraná, Fábio e Montillo estavam suspensos depois de seguidas batalhas renhidas do fim do Campeonato Brasileiro.

5. Então, 6×1 em Sete Lagoas. Naquele dia em que Anselmo era Evaldo, Paulista era Joãozinho, Roger recebeu Tostão e Guerreiro representou Zé Carlos, a camisa do Cruzeiro, branca, nosso pavilhão sustentado com orgulho pelo povo celeste, mostraram-se adversários intransponíveis para o rival. Essa página mágica de nossa história, um carimbo na testa de qualquer atleticano vivo, é mais importante do que alguns títulos mineiros. Basta dizer que na ânsia de diminuir a vergonha, revisitaram todos os almanaques até localizar um jogo da era amadora que aconteceu há 90 anos (!). Dão tanta importância a esse evento longínquo, supostamente acontecido, que um certo jogador amarelo que fracassou em três equipes de maior porte, inclusive no time celeste, estreou no clássico com a camisa 92. Cada um reage de um jeito a uma provocação. Mas ao ver aquele Visconde de Sabugosa envergando aquela camisa horrível com tão patética alusão, confesso que tive um ataque de riso. A vontade de reavivar o tal 9×2, jogo que nenhuma pessoa viva ou morta tem qualquer registro, souvenir ou lembrança, só mostra como a ferida do 6×1 ainda está em carne viva, para eles.

A tatuagem celeste na alma zebrada.

6. Sobre o jogo mesmo, o descontrolado atrapalhou todos os analistas, ao ser expulso tão cedo e de forma tão idiota. Com um adversário contando com um sujeito de luva escorregadias debaixo dos paus, faltou ao time mais finalizações de média distância na direção do gol. Explico melhor os atributos maturidade e ambição, que citei antes. Maturidade, que poderia estar presente em campo com os dois capitães do time, que falharam esse encontro. A sapiência de colocar a bola no chão e roda-la, enervando o adversário. A maturidade de time pronto, que saberia aproveitar melhor os espaços que o rival deixa, tendo um jogador a menos. Ambição de escrever seu nome na história, sendo impiedoso com o adversário. Visivelmente, os laterais ficaram presos no segundo tempo, assim como o Hudson. Desperdiçando a superioridade numérica no campo de ataque, em nome de uma segurança defensiva desnecessária.

7. Manoel foi um monstro. Frustrou tanto o atacante adversário que o fez descontrolar-se. Imagina a cabeça do rapaz, vendo o Mineirão pintado de azul pelo time que ama, e tendo de jogar pelo time de lá. Ali ele deve ter nítida a percepção de que está tudo errado em sua vida, por mais rico que esteja. Pobre menino rico! Após esse lance Manoel continuou ganhando todas as bolas e tentando, em vão, empurrar o time pra frente. Foi sim, o melhor em campo. Seu companheiro de zaga vinha tendo uma jornada correta, até participar da lambança geral que foi o gol de honra do rival, juntamente com o Lucas Silva. Esse sim, o jogador celeste menos feliz na jornada, por não ter conseguido manter o ritmo e a pegada do Cabral, que saiu amarelado. A substituição foi correta, diga-se, seus resultados é que ficaram abaixo do esperado.

8. Merece destaque o trio de meias do time celeste. Rafinha, que tem menos cartaz, foi quem mais correu, mais deu opções, caindo pela direita no primeiro tempo e pela esquerda no segundo. Saiu, já exaurido, numa substituição um tanto quanto questionável, para a entrada do Ábila. Aqui vai o parêntese sobre o Ábila, que vem frequentemente marcando seus gols, é querido por todos e por mim. Entrar com ele no segundo tempo com o time vencendo é sempre uma furada. No caso de ontem, coube a um cansado Sóbis ser deslocado para a ponta para que nosso nove-nove entrasse em seu lugar. Era preferível a entrada do Élber para o time manter o punch e a configuração tática. Os outros dois meias, Thiago e Arrascaeta deram uma assistência cada, um para o outro, marcar um gol cada. Arrasca segue seu destino, ele que é da linhagem do Ronaldo, Fábio Júnior e Guilherme. Um depenador nato. Quem sabe o Neves também seja, afinal foi o seu primeiro clássico.

9. De destaque do rival, o tal He-man que entrou disposto a resolver as coisas no muque e na marra e conseguiu criar um gol, que reduziu a diferença no placar. Nesse momento do jogo fez muita falta um velocista em campo pelo Cruzeiro, já que o time zebrado abriu mão da sobra defensiva para igualar as coisas em seu ataque. Léo Silva, que já fez uns 30 clássicos pelo lado de lá, continua com mais gols marcados pelo Cruzeiro nos três ou quatro jogos em que vestiu azul no clássico. Foram dois no segundo Simca Zero à nosso favor. Ele que se tornou jogador símbolo da era mais vitoriosa do rival, vai se convertendo em um verdadeiro mapa da mina. Sempre foi lento e com pouca recuperação, agora está ainda mais devagar e dá mostras de um declínio físico relevante. Espero que renove o contrato por mais uns cinco anos.

10. Que a torcida saiba valorizar e degustar a delícia de vencer um clássico. E que a vitória nos traga estabilidade e confiança. Mas que durante a semana o Tinga reúna a moçada e passe o teipe do 6×1 na íntegra. E que mostre que a vida nos dá oportunidades de fazer história. É de bom tom aproveitá-las. Quanto aos bastidores desse clássico, já dei há um tempo uma sugestão para resolver essa lenga-lenga na semana pré-jogo que torra o saco de todo mundo. Nos bastidores o que o Cruzeiro tem de trabalhar é a suspensão do traíra, até o fim do campeonato. Afinal, foi uma agressão grave, visível, e destaque-se que o descontrolado já tem um histórico de destemperos. Recordo que ano passado na Primeira Liga ele agrediu alguém e ficou suspenso uns cinco jogos. Ele mesmo vai ficar feliz de não passar por esses conflitos internos de novo.

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