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Cruzeiro 3×0 Murici. O jogo em notinhas paradoxais

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16/03/17

As notinhas referentes ao jogo de ontem, dirão pouco sobre o jogo de ontem. O motivo é simples: Qual a avaliação possível entre um encontro tão desigual? A desídia celeste ao longo dos últimos jogos é plenamente justificável. Como forçar contra os colegas de profissão desafortunados que militam por esses times pequenos sem se confundir com a ética boleira? Dito isso, creio que o time jogará mais quando necessário, mas a práxis da malemolência pode não ir embora imediatamente, à primeira necessidade, o que me preocupa um pouco. As tais notinhas paradoxais refletem um pouco o sentimento da torcida em relação ao time. Em que pese os 95% de aproveitamento, o time vem colhendo certa antipatia e indiferença.

1. Por paradoxal que seja, a sorte nos sorteios anteriores e confrontos entre rivais revelou-se um engodo. O Cruzeiro podia ter pegado um jogo encardido em Caxias, ou ter feito uma trilogia contra o América. Em ambos os casos, teríamos um time mais testado e preparado para os próximos desafios. O Murici é um time de Módulo II do Mineiro e só desperdiçou tempo de treinamento.

2. Por paradoxal que possa parecer, a vitória tranquila em Alagoas foi ruim para o time. Não foram identificadas deficiências, e, o jogo de ontem virou um amistoso sem graça e sem jeito. A galera está se cansando desses joguinhos ruins também, desabituando o cruzeirense a comparecer ao estádio, que tem registrado em 2017 públicos ridículos.

3. Nosso rival está no torneio continental mais importante esse ano. Mas por mais paradoxal que possa parecer, o Cruzeiro teve 8 dos seus 11 jogos, entre Mineiro e Copa do Brasil, transmitidos em TV aberta. O outro time teve 3 de seus 8 jogos na mesma situação. Em sua maioria, todos esses jogos de início de temporada são ruins, mas essa superexposição banaliza ainda mais o produto futebol e contribui para as plateias minguadas.

4. O jogo mostrou um time tranquilo demais, e coube ao Alisson ser o personagem do jogo. Foi ele quem jogou a vera, buscando seu espaço no time titular, mandando as favas regras de etiqueta futebolística. Mas paradoxalmente foi quem mais evidenciou suas limitações, ao deixar (mais uma vez) cristalino para todos suas dificuldades em concluir as jogadas.

5. Pela entrega na recomposição e pelo número de oportunidades criadas para o time, as falhas na hora “H” não tiram do Alisson o posto de melhor em campo. O pior em campo poderia ser o Thiago Neves pelo segundo jogo seguido. Mas vou deixar o posto dividido dessa vez entre ele e o Robinho, que contribuíram do mesmo jeito para o desenrolar do jogo ofensivo.

6. Esse desenrolar foi tão enrolado que, em casa, contra um adversário limitadíssimo o time precisou de dois pênaltis (um deles bem Mandrake, desperdiçado pelo Neves) e dois gols contra para vencer o jogo por 3×0. Esses dois meias estão vivendo uma fase a lá Marcos Assunção em fim de carreira, nos últimos jogos; um inútil com a bola rolando que “bate bem na bola” e se garante na bola parada. Não há espaço para esse elemento no futebol moderno. Precisamos de mais fluência de jogo do Robinho, mais atenção na recomposição do Neves e uma subida técnica dos dois.

7. Sobre o pênalti desperdiçado pelo Neves: Estava claro que o Abilão ia bater, ele que treina muito as batidas, segundo os setoristas do Cruzeiro. A ordem partiu do banco de reservas para o Neves bater. Esse homem que ainda não disse a que veio, tem um histórico ruim em cobranças. Falou sobre isso até em sua coletiva de apresentação. Mas ocorreu a ordem. Não é um grande fato, o jogo estava decidido e o Neves precisando desencantar. Mas o Mano, que tem como grande mérito a manutenção do grupo na mão, interfere desnecessariamente para privilegiar um jogador. Pequenas atitudes assim acabam por minar a confiança do grupo no comando. O Mano foi mal nessa, não é caso de cabeça rolar.

8. Conforme já disse antes, ainda acho as rotações de elenco do Mano pouco eficazes para gerar verdadeiras disputas de posição. Os titulares, que estão bem claros hoje, não se sentem ameaçados. Mas, temos que reconhecer que o nível dos adversários dificulta essa avaliação. Geralmente quando alguém vem do banco o jogo já está resolvido. Raramente alguém entra com a responsabilidade de mudar alguma coisa.

E o futuro é o que virá…

9. Amanhã tem sorteio da Copa do Brasil. Se eu pudesse escolher, gostaria de evitar Goiás, Joinville e o vencedor de Paraná e ASA. Topo qualquer um dos outros times (Sport, Flu, Inter, SP, Corinthians e Vitória ou Vasco) e prefiro que o primeiro jogo seja em casa. Dessa forma teríamos um jogo atrativo e um bom teste para o elenco. Como ainda estamos no início de temporada, qualquer um que vier jogar aqui, virá retraído e a obrigação do Cruzeiro de se impor contra um adversário mais qualificado nos dará uma dimensão melhor do time. Sob pena de acomodação, urge um desafio.

10. Tenho a impressão que o Mano está esperando contusões no time para mexer nessa estrutura. Ele está dando azar! O time está inteiro, e dificultando as mexidas dele. Fábio e o Dedé devem aparecer nos próximos dois jogos. Tem jogo domingo contra a Tombense e terça contra o Joinville. O jogo contra os catarinenses é pelo Torneio-Mico, o que deve garantir uma oportunidade para boa parte da turma que está com a bunda quadrada de ficar no banco. E viva o calendário brasileiro.

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