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Mano e as rotações

por
4/03/17

Quem leu as primeiras postagens desse espaço, sabe que não morro de amores pelo Mano Menezes. Reconheço a sua capacidade de organização defensiva, e mesmo a sua forma direta de comunicação. E não, não sou a favor da troca dele antes do fim do seu contrato, pelo amor de Deus. Mas algumas de suas convicções parecem sabotar a possibilidade de o Cruzeiro atingir o seu máximo potencial. Acho que o nosso treinador tem apego excessivo aos líderes do elenco, e com isso evita fazer rotações que poderiam dar mais opções ao time.

Sei que a temporada está apenas começando e não é momento de avaliações táticas profundas. Afinal há que aguardar que os jogadores adquiram os movimentos automáticos de acordo com esquema de jogo e de acordo com os seus companheiros. Mas nada me tira da cabeça que o Mano sabota as disputas de posição, sistematicamente, sendo excessivamente convicto e distribuindo cadeiras cativas no time titular.

Já fizemos uma avaliação das opções do Mano, em três partes.

Motivei-me a escrever esse texto depois do jogo contra a Caldense meio de semana. Mais precisamente depois de verificar a lista de relacionados para o próximo jogo. Estava aguardando um jogo de ataque contra defesa, em que o Cruzeiro fizesse dois gols recuasse, e em que a Caldense não nos ameaçasse.  Cheguei a arriscar o palpite de 2 x 0. Mas não contava, no momento do texto, que os caras saíssem da pensão na madrugada e fossem pegar um caldo de mocotó no Mickey. Nada menos que 7 caras do escrete da Veterana estavam num piriri bravo.

Por um lado teve bom, porque senão, perderíamos a chance de ver o Diego “Vaca Louca” em campo. Acreditem colegas, o cara está jogando dando cadência no meio campo. Nunca saberei se ele virou esse cara ou se as contingências da caganeira coletiva forçaram o treinador de lá a escalá-lo assim. Mas por outro, saíram as referências do time de lá Maradona e Luiz Eduardo, por exemplo. Isso obrigava o Cruzeiro a ter entregado mais. Senão uma goleada, pelo menos desempenho melhor.

Fato é que o ataque do Cruzeiro travou. Dois gols do capita em bolas alçadas na área são um sinal poderoso de que algo não deu certo quarta.  Juntando os pauzinhos, veio a relação da viagem pra Tiotió:

Eis a relação:

Goleiros: Rafael e Lucas França
Laterais: Diogo Barbosa, Ezequiel, Fabrício e Mayke
Zagueiros: Kunty Caicedo, Léo e Manoel
Volantes: Ariel Cabral, Henrique, Hudson, Lucas Romero e Lucas Silva
Meias: De Arrascaeta, Elber, Rafinha, Robinho e Thiago Neves
Atacantes: Alisson, Raniel, Rafael Sóbis e Ramón Ábila

São 23 carinhas…. Exatamente os mesmos 23 da última quarta-feira. Enquanto isso Marcos Vinícius, Dedé e Fábio já recuperados de contusão nem viajam. Outras posições poderiam ter rotações no banco levando o Bryan, por exemplo, já que o Barbosa saiu com o pé machucado na quarta. Isso me deixa um pouco assustado. Mas o que preocupa mesmo é a forma como o Neves entrou no time. Entrou sacando o Alisson que fazia boa temporada e uma função de recomposição importante. Na verdade, o Mano mexeu com os todos os outros caras da frente para a entrada do Neves.

O Arrascaeta foi um pouco empurrado para a ponta esquerda, ele que estava jogando centralizado. Robinho, que em minha opinião, deveria disputar a posição com o recém-chegado, saiu de “falso-ponta-armador” pela direita para fazer uma espécie de terceiro homem de maio campo centralizado. Sóbis que movimentava-se com liberdade abrindo espaços, ficou caindo sempre pela direita, talvez para não embolar com o Arrasca, que entra muito na área.

Qual é a minha bronca então? Poxa, temos dois jogos de perfil parecido. Dois jogos em pastos que valem alguma coisa, mais não muita. Mano quando roda o elenco, roda o time todo de uma vez. Como é que vamos descobrir melhores encaixes, como é que vai acontecer disputa de posição de verdade se os reservas só jogam com os reservas? Tem de esperar alguém machucar?

Quem vai ficar comigo aqui, Mano?

O que eu faria.

Esses dois jogos são para o perfil do Ábila. O centroavante que tromba e aproveita os rebotes e a bola pingada. Ele jogaria. Porque não montar o ataque assim:

Contra o América de Tiotió: Alisson, Arrascaeta e Neves; Ábila.

Contra o Murici: Arrascaeta, Robinho e Sóbis; Ábila.

Em dois jogos antes de um jogo mais relevante, que é contra o América no outro domingo, você:

  1. Manteria uma base titular, ou seja, um time forte.
  2. Daria uma sequência para o Ábila.
  3. Testaria cada um dos armadores em uma posição e uma formação com Sóbis e Ábila que está descartada nem sei por quê.

Para não me alongar mais ainda, não vou falar sobre o meio e a defesa. Mas a ideia é a mesma. Até agora, apesar de o momento propício, Mano não fez rotações no time com o intuito de dar chance de o time melhorar com quem entra.

O que me faz pensar que se ele estivesse aí em 2013, o Goulart nunca ganharia a posição do Diego Souza, que foi o que fez o time deslanchar. Mais ainda, Julião “arrancada de balsa” chegaria e pegaria o colete titular, para jogar ao lado do Ceará e do Henrique (de 2013) enquanto o Goulart voltaria para o banco para sentar-se ao lado do Mayke e do Lucas Silva. Já pensou nisso?

Fechando, continuo achando o Mano um cara acima da média, mas a panelinha com os putavéia tem de dar brecha, pelo menos, para que se abra a disputa de posições no Cruzeiro. Ninguém mais se lembra do time totalmente imprevisível do Paulo Bento (sqn) que o Mano foi obrigado a fazer contraponto quando chegou. Ainda acho que esse esquema de um monte de arco sem flecha, com três meias e nenhum ponta não vai dar caldo, mas vou dar o voto de confiança. Estamos de olho Mano.

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4 comentários

  1. Andrézão Belas Coxas disse:

    Achei muito sensata a análise do comentarista Fernando Canelada. Se nao tiver oportunidades de mudanças diferentes contra times pequenos, os reservas vao ter de entrar na fogueira. Lembro-me do Cadu Done ter dito que o Bento tinha repertorio. A necessidade dava o tom, diferente do elenco que temos hj. Bem, espero que nao precise de ninguem machucar pra ter variaçoes. Como sugestao de post, podrria ter uma lista de apelidos e historias ricas com seu pai, Fernando. Juliao arrancada de balsa? Lateral gadernal? Devem ter outros tao divertidos tanto

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    Fernandão Canela Reply:

    Nick estranho o seu jovem. Vc deve ter pingado direto do Tinder pra cá. Rsrs. Vou falar sobre isso sempre, afinal futebol é diversão. O apelido mais engraçado que eu inventei e pegou foi o do Marcelo Batatais, beque do Cruzeiro de cintura dura do início dos anos 2000. Em razão desse atributo era o famoso Marcelo Bambolê, pra nós.

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  2. Andrezao Belas Coxas disse:

    Exemplos de alteraçoes que nao fazem sentido nao testar: Caicedo + Manoel. Leo e seus atributos intangiveis sao pouco pros concorrentes que tem. Na lateral, o Mayke em meio jogo ja mostrou a velha lucidez e precisao. Bota um Hudson com ele, ja que o lateral do Mano tem que ser recatado. Agora nao vou falar do Henrique pq nao convem depois de dois gols. Vamos esperar o post da volancia.

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    Fernandão Canela Reply:

    O Mayke vai ganhar lugar nesse time, de um jeito ou de outro. Desde que não machuque.

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