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Nacional 2(3)x1(2) Cruzeiro. Uma derrota, não um cataclisma

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11/05/17

A Itatiaia, aproveitando-se de sua surreal audiência em BH decretou: Faltou vontade! O clichê mais patético (e antigo!) usado para explicar o que não se consegue. O repórter de campo, da mesma Rádio insistiu, até irritar o treinador: Caicedo, amarelado, tinha de ter saído no intervalo. Uai, mas quem foi expulso foi o Léo! Que tomou os dois amarelos no segundo tempo.

Abro o Estado de Minas, sub-manchete: Time de Mano Menezes teve atuação displicente na noite desta quarta. Pode-se interpretar a pixotada do Mayke, que entregou a paçoca, de várias maneiras. Excesso de confiança, burrice, limitação ou até mesmo displicência. Mas o time, de Mano, como um todo, ter atuação displicente? O contrário de displicente, o cara que não tá nem aí, é o cara nervoso, pressionado. Ambos são imprestáveis para o futebol. O time do Cruzeiro no segundo tempo errou mais por nervosismo, uma vontade de provar algo, sem organização, do que por displicência.

Por último o METRO, esse jornalzinho vagabundo que dão de graça no sinal. Cabe pouco conteúdo nas páginas, de tanta propaganda que tem. Por isso as matérias são pequenas, mas o diagnóstico é: O revés do título mineiro deixou sequelas. O time não soube aproveitar o bom momento no jogo por conta de um vacilo do Mayke. Não chega a ser um bingo, mas pelo menos, muito mais próximo do que se viu do que a turma da onda, já ouriçada com a possibilidade das novas manchetes. A preferida é: Mano está prestigiado.

Futebol é um jogo fodástico. Amamos o jogo, que às vezes tem muita perfumaria envolvida. Primeiro terço, transição ofensiva, zona de pressão… Mas o que conta mesmo é bola no fundo do gol. Os últimos jogos importantes do time, em notas de 0 a 10, avaliando o desempenho. Avaliação exclusivamente minha: SP, volta: 5. Cocota, ida: 7. Cocota, volta: 5. Chape, ida: 4. Nacional, ontem: 5. Vejo as coisas mais ou menos por aí. Nosso melhor jogo em termos de volume foi um 0x0. Nosso pior, um bom resultado de Copa, 1 a 0 em casa.

Mas é fato que o time não vem jogando bem. Ontem, o Mano tentou simplificar. Acho que ele acertou ao postar o time no primeiro tempo em um 4-4-1-1. Do meio pra frente, Neves e Rafinha pelos flancos mais fixos, sem tanta troca de posição. Cansei de cobrar aqui o fim da troca insana de posição dos caras da frente. Arrascaeta um pouquinho adiantado da linha dos meias encostando no Ábila, os dois pelo centro. Como Henrique e o Hudson saíam pouco, cabia ao lateral do lado do ataque passar para ter superioridade numérica. E, por paradoxal que pareça, o Mayke vinha bem no jogo. Já tinha ido ao fundo duas vezes, antes dos 10.

A postura do Cruzeiro era surpreendentemente boa. O gol saiu ao natural. E aí vem a monstruosa falha do Mayke. São coisas do futebol. É caso de pelourinho, mas infelizmente acontece. Aconteceu com o Velloso em 96, soltando no pé do Marcelo Ramos. A falha é parecida, foi o que eu me lembrei na hora. Esse gol pôs o Nacional no jogo. E o primeiro tempo transcorreu com alguns sustos, e o time um pouco perdido, sem saber se ia ou ficava.

O time voltou do intervalo melhor. Recomposto nos ânimos e trocando golpes com o adversário. Em um momento em que o jogo estava até bem controlado, nova falha individual. Dessa vez, Caicedo leu mal a jogada no início, evitou o chutão, deu um passe errado na última linha, e voltou mal para a área, perdido.

Quando saiu esse gol, fiquei com a sensação de que o Cruzeiro empataria. Ainda mais quando o Alisson entrou aos 21 do segundo tempo. Destaco que pelo segundo jogo consecutivo, ele entra bem. Só que os dez minutos entre a entrada dele e a expulsão do Léo não foram suficientes para o Cruzeiro fazer mais um gol.

Léo foi expulso de forma idiota, perdendo dois tempos de bola e cabeceando os rivais. Não é do feitio do caneleiro aqui reclamar de arbitragem. Mas, como deu cartões o homem de preto. Desnecessariamente.

Vieram as penalidades. O Nacional errou duas cobranças, dando a chance de o Cruzeiro passar a frente. Chances desperdiçadas pateticamente por um time frágil mentalmente. Rafael não só não pegou nenhum, como errou o canto em todas as batidas. Veio o Arrascaeta, por último, pegou a bola da mão do juiz, pôs na marca, deu dois passos pra trás, correu e bateu um traque. Tudo isso em 5 segundos, sem respirar fundo nem uma vez. Sem se comprometer mentalmente com o resultado do que estava fazendo.

O Cruzeiro sai da Sula. Sem comprometer o Brasileiro. Como eu queria, aliás. Mas sai meio destroçado como time. Sem nenhuma convicção. E entra na competição mais importante do ano em seu pior momento na temporada.

Pausa pra respiro.

Otimismo é esperar pelo melhor. Confiança é saber lidar com o pior.

O que espero agora é a materialização das palavras de todos. De que há confiança no trabalho desenvolvido. Saber trabalhar as eliminações é primordial. O técnico se encontra, agora, em uma posição em que tem livre conduto, no que diz respeito à sua relação com o elenco, para trocar quantas peças precisar. Isso não seria verdade se o time permanecesse ganhando, mesmo sem convencer. Administrar boleiros, sem beicinho nem marola, é difícil.

Estou, ainda, otimista de que podemos fazer um bom Brasileiro. Começamos contra o São Paulo. Com um dia a mais de recuperação, já que eles jogam hoje. Depois pegamos Santos e Sport com semana livre, sendo que os adversários tem compromisso em meio de semana. Três rodadas com vantagem física é algo a se festejar. E como começar bem é primordial.

Já disse e repito. Não acredito em trocas de treinador ao longo do ano. Deixa o Mano trabalhar.

Domingo é dia de Mineirão. Dia de Fábio e Dedé, espero. Dia de recomeço. Até lá os dias são para desligar o radinho e ignorar as “redes sociais”. Se um blogueiro botar o título, “time sem alma”, não leia. Proponho exercícios de reflexão para confortar a sua alma. Imagine que a aquela bola que o Arrasca levantou no clássico, na cabeça do Neves, quando estava 1×1, triscou na parte certa do coco dele e entrou no contrapé do Vítor. Viu? A diferença não é tão grande, em futebol basta ela rolar pra dentro.

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