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Os desajustes que nos tiraram o Mineiro

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8/05/17

Cheguei cedo ao trabalho hoje, deu tempo de escrever a coluna. Se tivesse ganhado, essas coisas não teriam acontecido, a jornada etílica teria sido mais longa. Título é feito pra comemorar. Nós, acostumados que somos a tal expediente sabemos disso. E não vou desmerecer o Campeonato Mineiro agora, apesar de considerar que os Estaduais, em geral, ou tem de acabar ou ser reformulados para ocupar um mês de calendário, no máximo.

Na hora da onça beber água, Mano se mostrou refém de um esquema manjado, de uma escalação estranha na forma e na concepção e dos nomes, contratados a peso de ouro.

O esquema manjado

Mano acredita que todo jogo pode ser vencido por 2×0. No mundo ideal da cabeça dele o time faz o primeiro gol, na qualidade dos jogadores de frente ou em uma bola parada. Recua. Chama o adversário. E mata o jogo em um contra-ataque. O adversário no primeiro jogo não deixou o esqueminha rolar quando colocou todo mundo dentro da área. No segundo quando pôs mais gente no meio e marcou a saída de bola. Conseguiu uma roubada de bola e abriu o placar.

O esquema parou de funcionar porque o time do Cruzeiro ficou mal escalado. Jogadores foram se machucando e sendo substituídos. Quem entrou, normalmente entrou bem. Isso garantiu o jogador no jogo seguinte, as circunstâncias foram mais determinantes para a escalação do time, no frigir dos ovos, do que as necessidades impostas por regulamento ou adversário. E o time deu variados sinais de que precisava de modificações. Sinais todos ignorados pelo chefe.

Escalação estranha.

Rafael; Mayke, Léo, Caicedo e Barbosa. Henrique e Hudson. Rafinha, Sóbis e Neves. Arrascaeta.

Esse é o time que vem jogando. Começando pela zaga, Dedé fez três partidas na temporada. Saiu das três como o melhor jogador em campo. Espero que o Dedé, pela qualidade dele seja utilizado como opção principal no início do Brasileiro. Mas não julgo um erro a sua não utilização nas finais. Julgo que as chances para ele foram muito espaçadas. Ele jogou contra o Joinville em 21/3. 20 dias depois teve outra chance, contra o Democrata em 9/4. Aí, passaram-se mais 25 dias para que ele jogasse dia 3/5 contra a Chape. A entrada dele não vem sendo acelerada pelo Mano, de forma gradual como seria de se esperar. 20 minutinhos em um jogo grande, uma semana depois joga um tempo…

No meio, estamos jogando com dois primeiros volantes desde a contusão do Cabral. Hudson estava bem, Henrique pronto para voltar. Mano optou pelo caminho mais fácil. Apenas um dos dois deveria jogar. A vaga do Cabral deveria ser ocupada por um especialista.

Rafinha entrou no time no lugar do Alisson, quando ele machucou na semana do clássico da primeira fase do Mineiro. Entrou para ser o ponta do time. 10 jogos depois, muita gente exaltou a entrega do Leãozinho. A dedicação na marcação. Mas o passe que ele deu pro Abilão fazer aquela pintura no time emplumado foi a 1ª participação em gols dele. Ele joga de que então? Porque de um ponta efetivo era de se esperar um ou dois golzinhos e duas ou três assistências, não?

O mesmo questionamento vale para o Sóbis. Ajuda, é um leão na marcação. Mas um cordeirinho dentro da área. Ele não faz um gol com bola rolando já tem uns 15 jogos. Aliás, como os pênaltis escassearam, não faz de jeito nenhum.

Tudo isso acontece com o Mano tendo um banco de reservas repleto de opções. Alisson está de volta há um tempão, Ábilão pedindo passagem.

Contra o São Paulo, na volta. O Cruzeiro estava passando maus bocados no jogo. Inoperante atrás e sem dar trabalho na frente. O Mano adiantou o Arrasca para jogar entre os beques adversários. Deu certo. Ele arrumou um salseiro danado. Copamos, e o Mano ganhou uma alternativa. Alternativa que logo virou um jeito único de jogar. Não precisamos explicar porque o uruguaio não é centroavante, né?

Juntando todas as circunstâncias da temporada, chegamos a essa escalação. Relembro:

Rafael; Mayke, Léo, Caicedo e Barbosa. Henrique e Hudson. Rafinha, Sóbis e Neves. Arrascaeta.

São dois primeiros volantes, nenhum segundo. Dois “pontas” Rafinha e Sóbis. Pontas marcadores, que não driblam. Sóbis longe da área e Arrasca enfiado entre os beques. Abilão, um monstro de centroavante, uma força da natureza, no banco.

Os nomes

Sóbis e Neves são dois putavéias. Provavelmente tem ascendência sobre os demais boleiros do elenco. Estão precisando de fazer o papel que o Dagoberto, Ceará e o Júlio Baptista fizeram nas jornadas campeãs de 13/14. Sentar-se no banco e fazer a molecada correr dobrado. Entrar sempre que solicitado, em bom nível físico, e buscar um lugar no time na bola. Se a bola jogada fosse o único critério de escalação, ambos seriam reservas pelo que apresentaram até agora. Neves ainda salvou o time com golzinhos pontuais, Sóbis nem isso.

Mas não pensemos que a turma de 13/14 voluntariamente largou o osso e deixou os meninos jogarem. Coube ao Seu Marcelo administrar o ego dos seus e dar o norte do trabalho, com coerência e resultados. Algo que o Mano não me parece disposto a fazer.

2017

A cornetada de cabeça inchada é sempre mais pesada. Repito o que eu já disse diversas vezes. Não acredito que trocas de treinadores no decorrer da temporada funcionem. Existem exceções que comprovam a regra, claro. Mas aconteça o que acontecer, gostaria que em dezembro o técnico ainda fosse Mano Menezes. Ao fim do ano avaliamos a conveniência de ele seguir. Espero, torço mesmo, para que a Diretoria não faça nenhuma cagada.

Emplumados

Toda vez que o lado negro da força ganha alguma coisa, inventam uma bobagem. Teve a tal tremida e a idiotice da vez é repetirem algo que o fundador do clube, Ronaldinho Gaúcho, disse uma vez. Como se eles vencessem os jogos importantes e perdessem o de menor importância com alguma frequência.

Uma idiotice que, claro, não se sustenta nos números. Portanto quando aqueles sumidões, aliás sumidos há uns dois anos já, aparecerem pra falar fiado, relembre-lhes de algumas coisas.

O tal “quando tá valendo” valeu em 2005, ano que eles foram rebaixados. Ajudamos efetivamente ganhando deles os 6 pontos colocados em disputa no Brasileiro. Quando tava valendo em 2011, ano que terminamos com 43 pontos, faturamos mais 6 pontos contra eles. Valeu pra gente ficar na primeira divisão, valeu mais ainda o 6×1 que levaram no lombo.

Valia muito em 2012, quando eles lideravam o campeonato e podiam ser campeões brasileiros. Valeu muito aquele golzinho do Mateus aos 56 do segundo tempo, na virada do turno, que fez o Cuca entrar em parafuso.

O que não vale tanto, são, por exemplo, os 10 jogos que os dois times jogaram entre si em 1947. 2 pelo campeonato da cidade, 8 amistosos. Nesse ano ganhamos 1 e perdemos 7. Assim foi na década de 40 e 50, tempos de futebol ainda amador em BH. E é de lá que vem a tal vantagem em confrontos que eles ainda sustentam.

Porque nos jogos que valem mesmo, desde a fundação do Mineirão, um marco para o futebol na terra do pão de queijo, sempre estamos na frente. Quando cessaram os amistosos sem fim e começaram os times a jogar à vera, só existiu um grande clube na cidade. Nos últimos 50 jogos, o placar em vitórias está em 24-14 pra nós. E isso é a melhor fase deles como time na história pobre do lado de lá. Mesmo se considerarmos somente essa década, desde 2010, estamos vencendo por 13×12. Então, amigos, mande-os à @#$%&.

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5 comentários

  1. Filipe neves disse:

    hahahaha que choradeira pelo quando ta valendo ta valendo. mas é verdade, quando ta valendo tá valendo. hahahahahahahahahahaah

    [Reply]

    Fernandão Canela Reply:

    @Filipe neves, Filipe, tá certo que o seu time não vence o campeonato QUE VALE mesmo, o Brasileiro, há quase 50 anos. Mas, olha, é feio falar que ele vale menos que o Mineiro. Mesmo no Mineiro, aliás, ganhamos mais finais de vcs do que perdemos. São 12 vitórias do maior, mais popular e vencedor time de Minas Gerais. Parabéns pelo oitavo triunfo em finais contra o Cruzeiro. Deve ser algo bem especial para vocês.

    [Reply]

  2. Leander disse:

    RS. A choradeira agora é profissional. Tem até blog. RS.
    Foi a crônica de uma morte anunciada. Desde 2014 que o Cruzeiro vem entendendo que brasileiro que ganha de Figueirense ..chapecoense e limitada e uma coisa.
    Final no dentro de campo e outra.Confronto direto e uma outra coisa.
    Não vou nem repetir o bordão do gaúcho para não ser contraproducente.
    Cruzeirense e sua mania de comemorar ou refutar a história. Agora o mineiro só vale de 50, anos para cá. Quando teve uma meia dúzia a mais de título quando ele até teve que mudar de nome lá nos antigamente a por causa de uma certa derrota histórica não valia não. RS
    Comédia.

    [Reply]

    Fernandão Canela Reply:

    @Leander, Como tá atraindo galinácio isso daqui, Deus me livre. Mas tudo bem, o espaço é democrático. O comentário do colega tem tanta intenção de atingir o time mais popular e vencedor de Minas Gerais que é de uma incongruência só. Vou responder o amigo com calma.
    1. “Desde 2014 que o Cruzeiro…” – Amigo, essa é a fórmula do campeonato. Que já mudou várias vezes. Teve um time, que pôs Minas no mapa da bola, que ganhou uma final do Santos de Pelé. Outro mineiro, venceu seu único brasileiro em um campeonato sem final. Ou vc não sabia que em 71 o título foi decidido em um triangular?
    2. “Confronto direto e uma outra coisa” – Amigo, eu sei que é outra coisa, como sei. Por isso, faça o seguinte, empate o histórico em finais de Mineiro antes de se vangloriar disso. Atualmente está 12 x 8 para o Cruzeiro, nos confrontos diretos.
    3. “Cruzeirense e sua mania de comemorar ou refutar a história”. – Amigo, essa assertiva é leninista, acuse os outros do que é… O bom cruzeirense sabe que a história lhe favorece, sempre. Reconhece que futebol é cíclico. Estávamos na mesma em 13/14, com os dois times por cima da onda. Aproveitem o momento de baixa do Cruzeiro, porque passa logo, aliás nas temporadas ruins que o Cruzeiro fez vcs não ganharam absolutamente nada.
    4. “mineiro só vale de 50, anos para cá”. Amigo, o Mineiro só existe desde 1958 com a criação da divisão extra que apontava o representante mineiro na Taça Brasil. Antes haviam ligas independentes, como a Liga de Uberaba, a Liga de Juiz de Fora e o Campeonato da Cidade. O Campeonato da Cidade sempre foi um lixo mesmo. E A FMF reconheceu esses títulos (alguns) para Atlético e América. Pesquise um pouco sobre o futebol no tempo dos anos 20. Vai descobrir que o Cruzeiro em 1926 fez 12 jogos e teve o título vencido em campo retirado pela FMF em 98. Assim como vai ver que o tal Deca do América é uma farsa, pois esse time fez apenas um jogo em 1925. Atlético e Cruzeiro tem contabilidade diferente em número de jogos, porque seu time considera jogos de times de 2º quadro. Jogos em torneio início (15 minutos de duração) entre outras bobagens, claro todos com vitórias suas. Agora, se vc acha que um amistoso obscuro da época do futebol amador vale o mesmo tanto que um jogo com grande público no Mineirão por um campeonato. Era vc que deveria ser o pesquisador do futebol, não eu.
    Volte sempre.

    [Reply]

  3. Rodnei disse:

    Buááááááááááááááááááááááááááá!!!

    [Reply]

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