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Um posicionamento necessário

por
25/04/17

Decidi-me a escrever essas linha abaixo ao chegar em casa e ficar sabendo que o Fred, ao dar um soco no rosto do Manoel não o agrediu. Na verdade, de acordo com o Código Brasileira de Justiça Desportiva ele praticou das duas uma:

I — qualquer ação cujo emprego da força seja incompatível com o padrão razoavelmente esperado para a respectiva modalidade; ou teve;

II — a atuação temerária ou imprudente na disputa da jogada, ainda que sem a intenção de causar dano ao adversário.

Esses são os dois incisos possíveis do artigo 254, o que ele acabou enquadrado, no final das contas. Feito um copo de água, que transborda à mínima gota, minha indignação com esses patetismos da FMF e dos demais órgãos galinácios no âmbito do futebol doméstico jorrou em um sentimento que me fez mal. Preferi não restringi-lo aos meus contraditos internos e resolvi surrar o papel.

Para ser honesto, eu mudo um pouco em semana de clássico. Viro um ávido consumidor de informação sobre futebol. Somando aí um fone de ouvido recém-localizado no fundo da mochila e me peguei ouvindo a Itatiaia, ontem e hoje. O que está acontecendo em Minas Gerais atualmente beira o surreal.

No início da semana, se você estiver por fora de tudo, a Polícia disse que o puleirinho do Horto não pode abrigar um clássico de duas torcidas. Ressalvou que os jogos poderiam lá acontecer com torcida única.

Ontem no tal Bastidores, que ouvi na volta, caminhando da academia pra casa, o tal JVX disse “esperar que os presidentes de Atlético e Cruzeiro tivessem a grandeza de recuperar o clássico 50 por 50”. A coisa toda é muito mal-intencionada. A diretoria celeste já propôs antes que os clássicos fossem disputados nesse formato, os avícolas é que se opõem.

Hoje no tal Rádio Esportes um tal de Brasil, se fazendo de retardado, como se não tivesse entendido o que é que foi vetado (pô, os caras vivem disso), falou na rádio que a Polícia estava vetando a realização do clássico 50 por 50. Na verdade é o contrário. Desde o início do ano a Polícia diz que as duas torcidas na mesma proporção, desde que no Mineirão, que tem vias de acesso separadas, é o ideal para a realização dos clássicos.

Veio a reunião na parte da tarde, e convenientemente o Franga-Franga-Franga Castelarzinho limitou a discussão ao primeiro jogo da final. Como se o Ofício da Polícia de segunda não tivesse chegado. Como se o segundo jogo da final fosse daqui a seis meses.

Veio seis horas da tarde e um tal de Figueiredo na mesma rádio bateu firme na Polícia Militar. Disse ainda “desistam de clássico meio a meio, a casa do Cruzeiro é o Mineirão e a do Atlético é o Horto”. Como se o Mineiro não frequentasse o maior estádio da cidade quando lhe convém.  Já jogou lá esse ano contra o América. Não jogou na Libertadores porque não conseguiu vender 20 mil ingressos em nenhum jogo ainda. Mas, sobretudo, empurrando a responsabilidade de um eventual segundo jogo da final sem torcida visitante para a Polícia, porque “o Atlético estaria no seu direito”.

No seu direito coisa nenhuma. Estaria no seu direito se escolhesse mandar o jogo num estádio apto. A URT tinha um estádio inapto e mandou o jogo, contra eles, claro, no Mineirão.

Todos nós conhecemos a índole desse time. Sabemos que tudo o que querem, como sempre, é levar vantagem em tudo. Assim funciona a direção deles, desde sempre. Desde que um certo time de colônia, levado nos braços pela sua gente trabalhadora ousou desafiar o time dos abastados. Desde que foram levados a ser a segunda força do Estado por uns moleques talentosos que conquistaram o primeiro título nacional de Minas em 66. Desde que alguns daqueles em companhia de outros tão bons quanto, formaram o primeiro time mineiro a conquistar a América. Desde que aquele time, que adormeceu por uns anos em conquistas, voltou aos cenários nacional e internacional forte e copeiro, e empilhou troféus e arrastou multidões cada vez maiores, até levar a maior de todas em 97, num jogo contra o simples Villa.

A dianteira foi tomada e a distância só aumentou, a ponto de estarmos em outro marco histórico. Agora eles também têm medo de nossa torcida. Querem nos alijar do último jogo de toda forma. Contam, como sempre, com a boa vontade da Federação, das Autoridades Públicas, da imprensa de forma integral.

Em defesa de sua gente, só resta ao Cruzeiro uma alternativa:

É preciso que antes do primeiro jogo da final seja encaminhado Ofício à FMF, Globo, CBF com os simples dizeres:

Não aceitaremos o desequilíbrio técnico de ter um jogo com e outro sem torcida adversária. Que o nosso adversário mande o jogo onde quiser. Sem a carga regulamentar de ingressos destinados aos visitantes, o Cruzeiro não irá entrar em campo no segundo jogo da final do campeonato mineiro. Esperamos que a FMF, detentora do mando de campo, de acordo com o regulamento, não marque o jogo para um estádio sem condições de segurança para receber duas torcidas.

Tem que ser feito antes do jogo para afastar a possibilidade de oportunismo. Independe do resultado do primeiro jogo. E tem de ser levado às últimas consequências.

Isso é imperativo e é pra já.

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4 comentários

  1. Sérgio disse:

    Muito boa, coconcordo em tudo, tremedeira já baixoi lá e com a parcimonia geral eles querem mudar a regra do jogo. Espero que a diretoria do Cruzeiro seja firme contra essa atitude.

    [Reply]

  2. Rodnei disse:

    Tenta se mostrar sério mas fica de gracinha, com expressões como galináceo, avícolas, etc. A torcida do Cruzeiro é assim, qualquer coisa que acontece contra o clube fica de xororô.

    [Reply]

    Fernandão Canela Reply:

    Pô Rodnei, desculpa. Eu não queria te dar a impressão de sério. Volte sempre, mas esse pedacinho da net aqui é feito por um cruzeirense (doente) para cruzeirenses. As expressões carinhosas fazem parte. O que não faz é querer deixar o coleguinha de fora da festa. Isso é mau-caratismo. Que é, diga-se, a marca do C.A.M que briga com unhas e dentes contra as inversões de mando em nível nacional, mas delas se beneficia no Rural. Abraço.

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  3. Rodnei disse:

    Se não valoriza o Campeonato Mineiro (respeito por favor), não deveria disputar e nem levar torcedores aos jogos.

    [Reply]

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