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“Meu sonho é repatriar o Thiago Silva” diz André Horta

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25/02/15

O Fluminense já respira as eleições para presidência do clube, em 2016. Ao que tudo indica, será uma das eleições mais disputadas e contando com grandes nomes que já fizeram parte da história do clube. Exemplo disso é o entrevistado de hoje, André Luiz Amaral Horta.

O Pré-candidato atendeu solicitamente ao Blog Canelada e respondeu com convicção o que tem a fazer para ajudar o clube e colocar mais uma vez o sobrenome Horta na história centenária do Fluminense. As declarações concedidas, como: “O clube está realmente abandonado, sujo e com falta de lazer para os sócios.” e “Meu sonho é repatriar o Thiago Silva”, mostram o comprometimento do pré-candidato não só com a parte social do clube, como também em montar um time de futebol a altura do que o clube merece.

 

Confira a seguir a entrevista:

RAFAEL: Primeiro, gostaria de agradecer a sua atenção conosco e com toda a torcida tricolor. Todos já falam do seu nome como pré-candidato, mas alguns ainda não lhe conhecem e não sabem da sua trajetória. Conte um pouco de você e sua jornada até se tornar candidato à presidência do Fluminense:

André Horta: Primeiramente, torcedor do Fluminense sempre! Filho do maior presidente da história do clube, não poderia ser diferente. Acompanho o Fluminense no Maracanã desde 1980, estando presente em vários jogos e conquistas memoráveis. Torcedor de arquibancada mesmo foi depois dos 12 anos. Antes, ia com meu pai nas cadeiras. Com os amigos, comecei a frequentar a arquibancada. Com 18 anos, em 1992, joguei futsal no juvenil do clube. Tornei-me sócio depois de 2005 e comecei a participar da política em 2011. Sou formado em educação física, tenho pós-graduação em técnicas e táticas no futebol. Trabalho há muitos anos com categorias de base, com passagens por Flamengo, América, CFZ e Seleção Brasileira. Ocupei cargos de auxiliar de preparação física a supervisor, portanto, não cai de paraquedas no futebol.

 

André Horta em sua passagem pela seleção brasileira de base.

Como sabemos, o grupo “Esperança Tricolor” é um grupo de oposição ao atual presidente Peter Siemsen. O que hoje vocês tirariam de pontos positivos e pontos negativos da atual gestão?

André Horta: Como ponto positivo podemos destacar o Sócio futebol, o OPT IN, o Vou ver o Flu. Uma pena que retrocedeu no ponto da manutenção do clube. Em 2011/2012, o clube estava bonito, bem cuidado. Infelizmente, demitiram o Nestor Bessa, que fazia um belo trabalho nesse sentido. São muitos, portanto, os pontos negativos: a atual gestão dividiu o clube, destruiu os esportes olímpicos, fez eventos na parte social de péssimo gosto, rebaixou o clube em 2013, abandonou, de fato, o clube, não consegue atrair sócios, rasga o estatuto, não honra compromissos com os jogadores, não têm transparência. E por aí vai…

 

André, como grande tricolor, caso confirme-se a sua candidatura, quais são suas propostas de campanha e o que será prioridade para você caso venha a ser o novo Presidente do Fluminense?

André Horta:  A primeira coisa é fazer uma auditoria completa: financeira, de processos, também de pessoal e infraestrutura. Não é uma caça às bruxas, mas temos essa obrigação, já que a atual diretoria não fez. Vamos cumprir com todas as obrigações, que são: montar um bom time, pagar as dívidas e manter os salários em dia. Além disso, é importantíssimo recuperar a parte social do clube, que hoje é precária. O clube está realmente abandonado, sujo e com falta de lazer para os sócios. Precisamos, ainda, fazer o esporte olímpico voltar aos seus dias de glória, com equipes fortes, tanto masculinas como feminina, no basquete, vôlei, esportes aquáticos, handebol e esgrima. E não podemos deixar o futsal sem equipe adulta.

 

Importante ter tocado nesse assunto dos esportes olímpicos, pois na história o Fluminense é reconhecido como grande formador de atletas em diversas modalidades e hoje, vemos nas redes sociais muitas denuncias de abandono e esquecimento tanto da parte olímpica, como da parte social. Na sua visão, o futebol, tendo as laranjeiras como centro para seu desenvolvimento e planejamento, é o grande motivo para a situação social estar assim ou apenas um dos motivos?

André Horta: A situação está assim por falta de planejamento e interesse em montar um time de basquete, por exemplo, ou fazer parcerias. Sobre o abandono do clube, é dito que a oposição no clube não é bem vista. Chamam de raivosa, crítica demais e reclamona. Eu, inclusive, tenho me policiado para buscar ações positivas do atual grupo de poder, mas existem determinadas coisas que me incomodam e muito. Aqueles que não gostam de ler críticas construtivas recomendo que nem leiam esse texto. Estive no clube ontem, sábado 21/02, pela manhã, para prestigiar a manhã de autógrafos do ex-presidente Silvio Kelly, sobre Xerém. Apesar de falarem que ele foi um entusiasta do CT (uma falta de respeito, pois foi bem mais que isso) foi muito interessante e esgotaram rápido os exemplares. Numa caminhada pelo senadinho, reparei que estava com água parada e tirei minha filha de perto. Depois de chegar em casa vi vídeo sobre o local, cheio de larvas. Para dar dengue ali, não custa. Fui ao parquinho com minha esposa e filha e por acaso conversei com uma pessoa frequentadora assídua do clube. Fiquei indignado, apesar de já saber do abandono do clube. O social pouco se importa com aquele espaço, deixa brinquedos quebrados, não faz limpeza. Já tivemos supostos casos de dengue, há falta de funcionários que não ficam na entrada do parquinho acompanhando o entra e sai e cumprindo o horário de funcionamento, lâmpadas queimadas, calhas entupidas, um suposto caso de queda de criança do brinquedo e nenhuma ajuda para encaminhar ao departamento médico, além de sócios mal tratados por funcionários do clube. Isso é uma vergonha. O clube não investe no espaço destinado aos jovens tricolores. Fica claro que não cuidando com um pouco de zelo, o restante do clube, inclusive o futebol, jamais estará ao nível da grandeza do Fluminense. Temos uma Vice Presidente social que deveria estar sempre no clube, todos os dias e ter o cuidado de se preocupar com os detalhes. Não é favor. Ela tem uma função importante e se não tem interesse, aptidão ou disponibilidade para gerenciar os cuidados com o clube, que dê a vez a outro. Na época do Bessa, nessa mesma administração, o clube era muito bem cuidado e até a satisfação dos funcionários era maior. Espero que o Peter repense isso. Convido-o a ir ao clube e não só mostrarei o que digo como me proponho a indicar soluções.

 

Hoje o Fluminense tem um pouco mais que 20 mil associados, o que da em torno, apenas, de 0,7% da torcida tricolor associada ao clube, tendo em vista que temos algo próximo de 3 milhões de torcedores espalhados pelo mundo.  Como você vê o atual programa de sócio torcedor, implantado pela atual gestão, e qual caminho você enxerga para alterar esse cenário e colocar, no futuro, os associados do Fluminense como importante fonte de renda do clube?

André Horta: Muito ruim. O nosso Marketing não produz o necessário. E olha que os profissionais deste departamento são bem remunerados. Faltam ações de marketing para atrair o sócio. É necessário criar outros planos de sócios e promover eventos que os atraiam. E claro: a diretoria precisa montar bons times, que conquistem títulos e, ao mesmo tempo, o torcedor. E também acho que o torcedor precisa ajudar o clube. Precisa estar ciente que pode ser o maior parceiro do clube. A transparência de uma diretoria ajuda em tudo isso.

 

Você falou sobre o departamento de marketing, mas não é de hoje que a torcida tricolor reclama da falta de ações de marketing. Um exemplo disso, é que durante 15 anos de parceria com a Unimed, o Fluminense contou com grandes nomes do futebol em seu plantel, como Deco, Romário, Edmundo, Fred, etc. e pouco trabalho foi visto em cima desses grandes craques para angariar recursos e expor a marca Fluminense mundo a fora.  Sua campanha terá uma atenção especial para a área de marketing do clube?

André Horta: Com certeza terá atenção especial. Até porque o clube paga caro pela imagem do jogador e, lamentavelmente, não sabe explorá-la. Vamos trabalhar forte nisso.

 

O fim da parceria de 15 anos com a Unimed, citada por mim na outra pergunta, foi um dos assuntos mais comentados no final do ano que passou. Segundo declarações que saíram na mídia como um todo, o principal motivo para o fim dessa parceria seria um relacionamento ruim entre o atual mandatário tricolor e o Dr. Celso Barros, presidente da antiga patrocinadora. No seu mandato, a Unimed e o Dr. Celso Barros teriam portas abertas para novas parcerias?

André Horta:  É verdade, o relacionamento deles não era bom. Isso pesou também para o fim da parceria, além do grave problema financeiro da Unimed. O Fluminense não pode fechar as portas para ninguém, mas creio que a Unimed têm outras prioridades neste momento. Se eleitos, abriremos as portas para grandes empresas que queiram o bem do Fluminense e pensem grande e com responsabilidade, como nós, fazendo com que todos os nossos objetivos sejam sempre alcançados. Quem quiser, como nós, ver um Fluminense vencedor, será bem-vindo.

 

Nos últimos dias vimos a discussão entre Fluminense, FERJ e Maracanã, se acirrar nos veículos de comunicação. O Fluminense e o Consórcio Maracanã garantem ter firmado um contrato que da o direito a torcida tricolor de ocupar o lado direito das tribunas de honra e a FERJ exige que esse contrato seja mostrado. Ao seu modo de ver, racionalmente, o Fluminense tem agido da maneira correta para defender seus interesses e o seu torcedor nesse caso? Boicotar o campeonato seria uma solução?

André Horta: O Fluminense jamais deve abandonar a competição. A maneira correta era jogar no Maracanã. O sócio foi prejudicado por não poder fazer o Opt-in e acabou sendo o clássico jogado para um público muito pequeno. A diretoria deveria ter feito algo mais.

 

Com gancho nesse tema, quem vem aparecendo muito para defender o clube na mídia em geral é o Dr. Mário Bittencour, Advogado e Vice Presidente de Futebol do Fluminense. Toda essa exposição faz com que ele ganhe a atenção e o carinho de grande parte da torcida tricolor. Você considera que o Dr. Mário já esteja em campanha, também, para 2016? Ele é o seu grande rival nessas eleições?

André Horta Em campanha ele está, mas eu sou pré- candidato. Exposição com os resultados ruins e contratações equivocadas, vão dizer de ele vai ou não levar adiante. Aí sim, lá na frente poderemos ser adversários.

  

Hoje, como está a situação financeira do clube? Você tem acesso a isso? Qual seria hoje o grande desafio para um novo presidente que viesse assumir o clube?

André Horta: Não temos acesso. Nem os conselheiros têm. Falta transparência. O sócio é cliente do clube e deveria, no mínimo, receber informações. Ele paga uma mensalidade. O grande desafio para o próximo presidente será manter o clube em dia.

 

A torcida perdeu as contas de quantas gestões prometeram o tão sonhado CT e não cumpriram. A atual diretoria detém um terreno na Barra da Tijuca, porém a obra parece não ter data para começar. Afinal, o CT sairá do papel?

André Horta: Não sabemos. O que posso dizer, tranquilamente, é que, no caso de estarmos à frente do clube, iremos para Xerém. Laranjeiras é inviável nos dias de hoje. Além disso, não podemos deixar parado o projeto do CT. Com responsabilidade e o auxílio de empresas competentes, podemos viabilizar este projeto.

 

Seu pai, o Eterno Presidente, Francisco Horta, teve uma passagem rápida como presidente do Fluminense, porém vitoriosa. Ficou conhecido por montar a famosa “Máquina Tricolor” que foi um dos grandes times da história do Fluminense. Hoje vemos um Fluminense apostando em suas contratações, visando enxugar seus gastos parar sanar dívidas. No cenário financeiro atual, seria impossível montar uma nova “máquina tricolor”?

André Horta: O importante para se montar um bom time é ter organização, planejamento e experiência no futebol. Com R$ 120 milhões de orçamento temos como ter um time com dois ou três jogadores de alto nível, que sustentem a equipe e ajudem na entrada de novos sócios e torcedores através de programas de Marketing. Meu sonho é repatriar o Thiago Silva, mas isso, claro, poderia ser viabilizado com o auxílio de empresas, um planejamento estratégico.

 

Para encerrar, gostaria de agradecer a você e ao grupo “Esperança Tricolor” como um todo por nos dar a oportunidade de apresentar para a torcida as ideias do 1° pré candidato a presidência do nosso amado tricolor. Fique a vontade para mandar seu recado a torcida tricolor:

André Horta:  A principal crítica do torcedor era a falta de uma oposição forte no Fluminense. Somos uma opção e queremos unir o clube. Nosso grupo está me apresentando como pré-candidato à presidência com dois anos de antecedência, criamos ferramentas de comunicação públicas em redes sociais e divulgamos um planejamento estratégico com tudo o que faremos, incluindo compromissos, código de ética, organização e ações por área. A atual administração acha que o Fluminense nasceu depois deles e que só eles querem o bem do clube. Eles não respeitam os poderes do clube, como conselheiros, sócios e nem torcedores. Atuam de maneira arrogante. Acham-se os donos da verdade. Nosso objetivo é e sempre será um Fluminense melhor e unido, acima de tudo. Temos total capacidade de colocar o clube no seu devido lugar. E como deve ser… Forte e vencedor!

 

Saudações Tricolores,

Rafael Cruz

 

Sigam-me no Twitter: @RafaelCanelada

Dúvidas, Sugestões ou Críticas só entrar em contato no: Sobrenatural_almeida@outlook.com

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6 comentários

  1. Vinicius disse:

    Olá, grande entrevista com o Horta! Parabéns ao Rafael Fernandes pelas perguntas incisivas e oportunas.

    Acho ótimo uma oposição vir se formando logo agora e não, como na última, se formar do dia para a noite como no caso do Deley.

    Dando importância ao quadro de associados(tema que Peter disse priorizar em suas campanhas, mas no fim, estamos com um numero pequeno e parado), marketing(temos uma torcida com alto poder aquisitivo e que consome muito), estrutura do Clube(localizado em área nobre e turística, o Clube precisa ser atrativo). Isso é de suma importância para o FFC, visando não somente ao presente, como alguns clubes, mas também o futuro.

    A terceira via tem a minha torcida, estou cansado de FluSócio e Ideal Tricolor.

    [Reply]

    Rafael Cruz Reply:

    @Vinicius, obrigado pelos elogios. Pode ter certeza que estarei buscando novas entrevistas conforme forem surgindo novos candidatos e sempre estarei abordando os temas que mais são de interesse da torcida tricolor.

    ST

    [Reply]

  2. Danilo Jeolás disse:

    Primeiramente, parabéns ao Rafael pelo blog e pela iniciativa de entrevistar o André, pré-candidato ao próximo pleito tricolor.

    Como membro do Esperança Tricolor, ratifico as palavras do Horta e reitero que não viemos por oportunismo ou vaidade e sim pelo forte sentimento de amor e respeito ao Fluminense que une todos nós.

    [Reply]

    Rafael Cruz Reply:

    @Danilo Jeolás, obrigado pela confiança e pelos elogios. ST

    [Reply]

  3. Leandro Drumond disse:

    Parabéns, ótima entrevista…

    [Reply]

    Rafael Cruz Reply:

    @Leandro Drumond, Obrigado. ST

    [Reply]

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