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[Semana do Goleiro] Castilho – De ponta esquerda a Goleiro

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24/04/15

Em tempos de homenagens aos maiores goleiros da história, a torcida do Fluminense estufa o peito e se enche de orgulho ao relembrar grandes nomes que marcaram época defendendo as balizas do gigante tricolor.

Você, torcedor tricolor, conhece o “Leiteria”? Os mais novos talvez não façam ideia de quem estou falando, mas aqueles mais velhos com certeza abriram um sorriso só de lembrar o que esse grande jogador representou e ainda representa na história do Tricolor das Laranjeiras.

 

Os primeiros passos de Castilho!

 

Castilho! Nome completo: Carlos José Castilho. Como carioca e bom boleiro, deu seus primeiros pontapés se arriscando como atacante, no subúrbio do Rio de Janeiro.

Não satisfeito, tentava convencer seus treinadores de que deveria ser testado como goleiro e foi assim que em 1944, no Olaria. Lá recebeu sua primeira oportunidade para treinar como arqueiro do time de juniores, após um período treinando como ponta esquerda.

Senhor Menezes, teve papel principal na formação de Castilho. Pai de Ademir Menezes, jogador profissional da época, Sr. Menezes foi o responsável por levar Castilho para fazer testes no Olaria e depois no Fluminense, onde em 1946, aos 19 anos de idade, assinou seu primeiro contrato profissional.

 

Sua trajetória até se tornar um dos maiores da história!

 

Mal sabia Castilho, que ao assinar aquele contrato estava dando o primeiro passo para entrar na história de um gigante. Em 1947, jogou sua primeira partida como titular e dessa data em diante foram 702 jogos vestindo a mesma camisa, o que fez de Castilho o jogador que mais vezes atuou pelo Fluminense Football Club.

Apesar dos seus 1,81 m, considerado baixo para os atuais padrões de goleiros, Castilho compensava a “pouca altura” com muita habilidade, precisão nas suas defesas e sorte. Diante de tantos lances incríveis, o goleiro recebeu o apelido de “Leiteria”, uma espécie de “homem milagreiro”.

Colecionador de recordes e grandes feitos, Castilho chegou a ficar 255 jogos sem sofrer gol, além de defender a seleção canarinho em 4 mundiais e ser multi campeão por onde passou.

Entre as grandes conquistas, destaca-se o ano de 1952, dois anos após a triste derrota da Seleção brasileira para o Uruguai na final do mundial, no Maracanã, onde Castilho era o arqueiro reserva. Neste ano, atuando pela Seleção brasileira, o goleiro foi campeão do Panamericano de Santiago, contra a Seleção celeste, que na época fez com que muitos comemorassem como uma espécie de revanche do mundial perdido em casa, há dois anos antes.

Como se não bastasse, a base da seleção uruguaia era o time do Peñarol. Time esse que o Fluminense, defendido por Castilho, veio a despachar também em 1952 na campanha da conquista da Taça Rio, Mundial Interclubes da época.

Castilho, Mundial, Fluminense,

Jornais da época noticiam título do Fluminense. Um dos mais importantes da carreira de Castilho.

Um grande goleiro não se destaca apenas por suas atuações dentro das 4 linhas. Castilho, além de ser um excepcional arqueiro ainda deixou legados que goleiros ainda usam nos tempos atuais. Como grande observador, apesar de sofrer de daltonismo, Castilho observou que a cor do uniforme dos goleiros influenciava no desempenho dos atacantes. Com uniformes de cores chamativas, os atacantes acabavam usando como ponto de referência e facilitando a finalização em gol.  Com isso, Castilho foi o primeiro jogador a usar uniforme de cores neutras, que pudessem se confundir com as cores das arquibancadas em volta ou com a cor das redes do gols. Uma espécie de camuflagem.

Além desse fato curioso, Castilho, muito antes dos recursos tecnológicos surgirem para ajudar os jogadores, já buscava estudar seus adversários e buscar uma padronização na forma da cobrança de pênaltis de cada um. Foi o primeiro arqueiro a se posicionar para um pênalti com os braços abertos, pois percebeu que assim aumentava a sua área corporal e pressionava psicologicamente o seu adversário. Esses fatores em conjunto, aliado a sua extrema habilidade, o tornou um exímio pegador de pênaltis durante toda sua carreira.

Talvez a história mais conhecida de Castilho, não a toa, é o ato de coragem, amor a camisa e também de insanidade, ao preferir amputar o dedo mínimo da mão esquerda do que parar de exercer sua função como goleiro. Tudo isso foi devido a sucessivas fraturas do dedo, já que na época os goleiros agarravam sem auxilio de luvas. Era costumeiro ver goleiro quebrando dedos após defesas e até mesmo tendo que encerrar a carreira devido a essas contusões.

Castilho, Bravura, Ídolo,

Em ato de bravura, Castilho optou por amputar o próprio dedo para continuar atuando.

Foi o caso de Castilho, que orientado pelo médico a parar de jogar futebol, não concordou com a opinião do doutor e decidiu por amputar seu próprio dedo para continuar atuando. Familiares, diretoria do clube e os médicos foram contra a decisão, mas Castilho não tinha dúvidas de que era aquilo que deveria ser feito. Então em 1959, Castilho amputou seu dedo e em inacreditáveis duas semanas após a operação, o bravo arqueiro já estava em campo atuando contra o Flamengo, seu maior rival.

 

Em busca de novos ares e novos desafios!

 

Muito cansado e buscando novos ares antes de encerrar sua carreira, Castilho foi emprestado pelo tricolor ao Paysandu em 1965, onde no mesmo ano conquistou o campeonato paraense e retornou ao Fluminense para encerrar sua carreira e iniciar um novo projeto: Ser treinador de futebol.

Qualificado para tal cargo, já que como jogador acumulou títulos como: uma Copa Rio de 1952, dois Torneios Rio-São Paulo de 1957 e 1960, três Campeonatos Cariocas de 1951, 1959 e 1964, duas Copas do Mundo de 1958 e 1962, um Campeonato Panamericano de 1952, uma Copa Roca de 1957, entre outros títulos. Iniciou como treinador do Paysandu em 1967, treinou times como Santos e Inter (de onde indicou para o Fluminense um jovem lateral promissor, Branco) e a seleção da Arábia Saudita.

Como grande tricolor, tinha o sonho de dirigir o time das Laranjeiras e fazer história como técnico, assim como tinha feito como jogador, mas ao retornar da Arábia, em 1987, o técnico do tricolor era um outro grande ídolo e amigo de Castilho, nada mais nada menos que Telê Santana e por motivos éticos e alguns outros, Castilho recusou-se a assumir o cargo.

 

A saída de cena para a entrada de vez na eternidade!

 

Pouco depois, no dia 2 de Fevereiro de 1987, Castilho que sofria de depressão por conta de problemas familiares, acabou se suicidando, se atirando da cobertura de um prédio em Bonsucesso, subúrbio do Rio de Janeiro.

Ali, no subúrbio, onde tudo havia começado, também se encerrava. Castilho deixou cinco netos, dois filhos e milhões de tricolores órfãos.

Grande nome que é na história do clube, Castilho tem um busto na Sede das Laranjeiras e o vestiário do departamento de futebol profissional é batizado com o seu nome.

Castilho, Busto, Laranjeiras,

Busto de Castilho, presente na Sede das Laranjeiras.

 

Fontes:

http://www.memorialtricolor.com.br/idolos/castilho/

http://www.fluminense.com.br/site/futebol/historia/capitulo-iii-idolos/1931-1960/castilho/

 

Saudações Tricolores,

Rafael Cruz

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Dúvidas, Sugestões ou Críticas só entrar em contato no: Sobrenatural_almeida@outlook.com

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3 comentários

  1. José Miguel disse:

    Caramba, Rafael!

    255 jogos sem sofrer gols? É isso mesmo?!

    Baita dum recorde, digasse de passagi..kkk

    Abs!

    [Reply]

  2. Alaguim Ferreira disse:

    Nada foi publicado por mim. Desconheço quem o fez.

    [Reply]

  3. Alaguim Ferreira disse:

    Não o fiz.

    [Reply]

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