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[Cap. 18/80] Ponte 3×0 Palmeiras – A culpa de cada um

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17/04/17

O dia seguinte à surpreendente derrota para a Ponte Preta foi de caça às bruxas para boa parte da torcida palmeirense. Aquela parcela que pede a cabeça do treinador desde metade da primeira fase, então, viveu seu auge. A licença para isso, todo torcedor palmeirense acha que tem. “É do palmeirense”. “Turma do Amendoim”. “Italianada braba”. “Torcedor corneta”. Todas essas são cartas que o adepto às críticas desenfreadas adora usar a seu favor.

Não sou menos palmeirense que ninguém por não concordar com isso. Também não me acho “melhor torcedor” que ninguém. E também não se trata de se iludir com a verdadeira situação do time. É apenas questão de entender a importância que o comportamento da torcida tem no desempenho da sua equipe em campo. O que também não me impede de notar os defeitos do técnico Eduardo Baptista, que teimo em defender perante tantas críticas desproporcionais.

Mas desta vez, ele não me deixou com muitos argumentos. Errou na escalação do time, não passou o foco necessário para a partida, não mudou o espírito da equipe no intervalo e ainda “caprichou” nas substituições. Sua pior atuação pelo Palmeiras, justamente contra o adversário que ele melhor conhece. Injustificável. Temos uma equipe titular com uma média de idade superior a 30 anos, que veio de uma partida de mais de 100 minutos, na quarta-feira, pela Libertadores. Em especial, o lado esquerda da defesa contava com Dracena, de 35 anos, e Zé Roberto, de 42. Se investimos tanto para reforçar um elenco já campeão, não seria para contar com alguns reservas, neste momento? Nos gabamos de ter pelo menos 2 times bastante competitivos, mas quando precisamos deles, não colocamos em campo. Faltou pulso ao treinador, para “arriscar” colocar um time diferente daquele que vinha vencendo suas partidas.

E quando foi mexer no time, para mudar o panorama do jogo? Alecsandro, Edu?! É isso mesmo?! Sinceramente, não dá mais para o ex-goleador. Keno, Erik e até Rafael Marques merecem ser opções à frente dele. Além disso, as demais trocas foram as famosas “seis por meia dúzia”. Precisamos de mais ousadia, professor. O Palmeiras é o atual campeão brasileiro e, consequentemente, time mais visado, mais estudado, por qualquer adversário que queira se preparar bem. Todos sabem o que temos de melhor e de pior. Se não tivermos variações na formação inicial e também com a bola rolando, fica tudo muito previsível.

Se ele entrou no erro do “time que tá ganhando”, que esse resultado adverso sirva para o treinador se mexer. O que conseguimos neste jogo foi dar uma importância desnecessária para a partida de sábado. Teremos que comer grama, não apenas para tentar reverter o resultado, mas também para reconquistar a honra e a confiança do torcedor e dos próprios jogadores.

O torcedor palmeirense terá a semana toda para se apegar ao argumento de que “em casa a gente conversa”. No Allianz, tudo será diferente e o resultado virá. É só aguardar o placar desejado, como foi contra o Peñarol, até os 54 do 2º tempo. Só aguardar?! Comentei com um amigo logo após o alívio e a festa do gol do Fabiano. O estádio veio abaixo, explodiu em uníssono. Pela primeira vez naquele dia. Sim, o torcedor palmeirense deixou muito a desejar contra o Peñarol. Para se ter uma ideia, a primeira vez que o hino do clube foi entoado desde o início da partida, foi somente após o apito final. Cadê a torcida que empurra o time?!

Se em números não temos do que reclamar, quando falamos de comportamento, tudo está muito estranho. O palmeirense aprendeu seu poder em momentos adversos. Foram inúmeros resultados conquistados mais pelo espírito contagiante de fora para dentro de campo do que pelo futebol jogado. A Copa do Brasil de 2015 que o diga. Um time empurrado por um caldeirão incomparável. Algo que não tem se repetido agora que temos time e pretensões maiores. O torcedor inclusive já chegou a gritar o nome de Cuca DURANTE uma partida, neste Estadual. Qual a explicação? O palmeirense não tem sabido lidar com o sucesso? Ficou mal acostumado com os últimos 2 anos?

Estamos esperando a conquista da tal obsessão, em vez de empurrar nosso time até ela. Estamos virando uma nação de torcedor Nutella? Não, claro que não. Ainda não. Faço apenas este alerta, enquanto é tempo. Temos uma Libertadores quase inteira, até Novembro, para “crescermos ao longo da competição”. E agora temos uma partida importante pelo Estadual, que só terá o resultado desejado se o espírito de porco finalmente voltar a falar mais alto.

Que a grande decepção em Campinas sirva para mudanças técnicas e de comportamento. Do time, do treinador e, principalmente, da torcida. Empurremo-nos, palestrino. A hora é agora!

Avanti, Eduardo! Avanti, Palestra!

 

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2 comentários

  1. Bruno Fabris Estefanes disse:

    Excelente texto, José! Parabéns pela análise do trabalho do Eduardo e a participação das torcida. Aliás, todos os capítulos que você escreveu até agora me agradaram.
    Parabéns!

    [Reply]

    José Miguel Reply:

    @Bruno Fabris Estefanes, muito obrigado! Não foi fácil, mas acabou de sair o capítulo seguinte..rs

    Obrigado pelo apoio e que venha a Liberta!

    Abs.

    [Reply]

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