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[Cap. 19/80] Palmeiras 1×0 Ponte – Deixa o Cuca ir!

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23/04/17

Estrategista, treinador e gestor de pessoas. Essas são as 3 principais funções de um técnico de futebol. Funções completamente distintas, que dificilmente se encontra bem apuradas em uma mesma pessoa. Tite, talvez seja o único brasileiro, atualmente. Cuca, o segundo melhor técnico do Brasil, é estrategista, bom treinador, mas deixa muito a desejar como gestor de pessoas. Não foram poucas as histórias de intrigas durante sua passagem pelo Palmeiras. De qualquer forma, excelente nos 2 primeiros pontos, deixou (e muita!) saudade.

Tanta que a qualquer balanço de seu sucessor, logo se volta à pergunta: Cadê o Cuca? Reconhecimento justo com o grande técnico que é. Em pouco tempo, marcou história pelo Palmeiras. Mas é justo com o atual dono do cargo? Bato nesta tecla desde as primeiras críticas que foram surgindo com as tentativas do Eduardo Baptista em implementar um sistema tático diferente daquele que foi campeão brasileiro. Era o momento pra isso. Início de trabalho, início de temporada. Nenhum time de ponta joga tudo que sabe nos primeiros jogos da temporada, ainda mais recheado de reforços no time titular. Precisávamos esperar.

Tudo que era passível de uma análise mais fria naquele momento era a postura e a filosofia de Eduardo Baptista. Neste sentido, ele apontava para uma boa direção. Comprometimento ao estudar todos os jogos do Palmeiras da temporada 2016 e intenção de “melhorar” o sistema anterior, criando variações, mas mantendo a espinha dorsal campeã. Na teoria, no discurso.

Na prática, não deu muito certo. Ou deu, contra os pequenos, invertendo uma lógica que já havíamos nos acostumado: sofrer contra pequenos e se agigantar contra grandes. Fizemos a melhor campanha do Estadual, mas bastou um time da Série A, minimamente organizado e com alguns bons jogadores, para fazer nosso esquema cair por terra.

Agora, com 19 jogos oficiais na temporada – exatamente um turno de um Campeonato Brasileiro, já temos totais condições de analisar alguns aspectos táticos. O esquema 4-1-4-1 depende muito de um bom trabalho de cada “linha” de 1: Felipe Melo, à frente da zaga, se desdobra na cobertura e sai jogando com muita categoria. Sente-se em casa naquela parte do campo. Já o 1 do ataque, o colombiano Borja, tem deixado muito a desejar. Parece estar jogando com 32 milhões de moedas em cima dos ombros. Sem falar de Tchê Tchê, que não consegue encontrar seu lugar, que não é bem definido neste esquema, na teoria. Nem volante, nem meia.

Estrategista, treinador e gestor de pessoas. Como estrategista, Eduardo não tem conseguido implementar suas táticas e tem dificuldade para mexer no time ao longo do jogo, apesar de todas as opções que tem em mãos. Como treinador, destaco a ausência de jogadas ensaiadas e a piora nas bolas aéreas defensivas e ofensivas, armas tão afiadas na época do Cuca e que nos trouxeram inúmeras vitórias.

Como gestor de pessoas, me preocupa a declaração dada durante a semana, de que ele não era técnico “de fazer o jogador chorar”. Não se apega tanto às preleções e ao lado motivacional dos jogadores. Prefere passar instruções táticas. Esta também é uma função sua, professor! A ausência de espírito de porco foi o que nos fez deixar a Ponte abrir 2×0 em apenas 20 minutos, em Campinas; o que nos custou a desclassificação. Isso, parece que agora ele percebeu.

“O Palmeiras fez a melhor campanha do Paulista até o momento e foi eliminado por causa de 20 minutos em Campinas. Fica a lição de que não adianta só o nome, não adianta ser o Palmeiras e ter jogadores como o Palmeiras tem. Tem de entrar e lutar, assim como foi hoje (sábado)”, comentou o treinador, após a vitória por 1 a 0 no Allianz Parque, placar insuficiente para o Verdão avançar. “Não fomos eliminados hoje, fomos eliminados em Campinas. Tivemos essa lição, nós conversamos no vestiário. Com essa determinação de hoje (sábado), não teríamos aquele placar de Campinas” completou o comandante Palmeirense. Fonte: Palmeiras Todo Dia

Agora fica também o desafio maior para ele: terá culhões para colocar o irritado e inseguro Borja no banco, dando o lugar merecido a William? Se o colombiano já tem se exaltado toda vez que é substituído, como o professor irá lidar com esta situação?

Apesar das críticas, gostaria também de fazer uma ressalva: ontem, jogamos bem, sim. Não se deixe levar pela irritação da eliminação e pelo placar magro, insuficiente para a classificação. Não conseguimos nos classificar pelo que aconteceu no jogo da ida, pelos pênaltis não marcados e pelas bolas que não quiseram entrar. A Ponte não é um adversário bobo, apesar da abismal diferença de investimentos. Futebol não é papel. Não seria nada fácil fazer mais de 3 gols no time deles. Ou seria por um apagão deles como foi o nosso em Campinas, ou por um ataque imperdoável de nossa parte, como não foi, por diferentes motivos.

Para resumir o que criamos ontem, deixo aqui uma linha do tempo, apenas com os lances de perigo do ataque palmeirense. Veja se é pouco:

1º tempo
1 min: Cruzamento de Jean, para cabeçada de Borja, para fora
3 min: Cabeçada de Guerra, para boa defesa de Aranha
6 min: Cabeçada de Róger Guedes, para fora
22 min: Róger Guédes bate de dentro da área, na rede pelo lado de fora
23 min: Chute de Jean da entrada da área
25 min: Belo lançamento de Dudu, que deixa Jean na cara do gol, mas lateral erra o domínio
30 min: Falta perigosa, da entrada da área, que Jean bate na barreira
31 min: Gol de Dudu, impedido
35 min: Chute de Borja no travessão
37 min: Pênalti não marcado em Jean, ao invadir a área
39 min: Chutaço de Guerra, para excelente defesa de Aranha

2º tempo
7 min: Egídio cobra falta na cabeça de Edu Dracena e bola passa raspando o travessão
26 min: Chute de Michel Bastos, de fora da área
27 min: Grande jogada de Keno, que finalizou para defesa de Aranha
32 min: Chute cruzado de Roger Guedes, para fora
37 min: Gol de Felipe Melo, após cobrança de escanteio
42 min: Cruzamento perigoso de Keno, para cabeçada de Róger Guedes, nas mãos de Aranha
44 min: Lance duvidoso, possível pênalti não marcado em Dudu

O que nos faltou foi poder de finalização. Sabemos o nome e sobrenome disso. Durante o ano todo, não apenas neste jogo.

E aos que insistem no comparativo entre Cuca e Eduardo Baptista, peço somente que não se esqueçam de um pequeno detalhe: o centroavante do Cuca é o atual camisa 9 titular da Seleção Brasileira e que chegou voando no Manchester City. O centroavante do Eduardo Baptista é um cara que bateu e voltou da Europa, até o início do ano passado estava em um time da segunda divisão colombiana e carrega todo o peso de ser a maior contratação da história do Palmeiras, na tentativa de se reerguer como jogador de nível mundial.

Agora, esqueçam o Cuca. Tanto no comparativo de um técnico jovem versus o 2º melhor do Brasil, quanto na esperança de que ele volte, que é algo complicado, pelos problemas particulares que passa.

O que sabemos é que Eduardo Baptista está devendo, sim. Estrategista, treinador e gestor de pessoas. Nada disso, ele tem sido. E a resposta precisa vir logo, pois quarta já temos jogo importante no Uruguai, pela Libertadores. Acorda, EB!

Avanti, Palestra!

 

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