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[Cap. 5/80] SCCP 1×0 Palmeiras – Não nos tornemos aquilo que condenamos. Amém.

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23/02/17

Soberba. Ladroagem. Mau-caratismo. Nada disso condiz com o tão festejado “espírito de porco de Palestra Italia”.  Nossa história é a mais bela do futebol brasileiro. Não só pelas conquistas. Pelo contrário. Os títulos do maior campeão nacional ficam em segundo plano quando se pergunta “por que Palmeiras”?

Histórias de raça, de superação, de defesa da bandeira nacional e até de renascimento por perseguição durante a Segunda Guerra Mundial. Estádio erguido duas vezes, sem dinheiro público. Volta por cima dada dentro de campo. Torcida que comparece e empurra. Time que se engrandece em clássicos, independente da situação.

Engrandece? Infelizmente, não foi o que vimos ontem. Um time espalhado, passivo. Parecia estar mais ciente de que era apenas mais um jogo da primeira fase do Paulista do que saber que era o maior clássico do mundo. Início de temporada, jogadores importantes fora e outros chegando, tudo isso explicaria uma dificuldade técnica. Mas o que não se viu ontem foi muito mais do que isso.

O Corinthians fez, sim, o que se esperava dele. Ciente de suas próprias dificuldades, fechou a casinha, respeitou o melhor time e comeu grama. Reconhecer suas fraquezas não é demérito pra ninguém. É inteligência. Neste caso, crucial para vencer um jogo que eles jamais venceriam “no papel”.

Já o Palmeiras… Ah, o Palmeiras! Quanta diferença daquele time enérgico e sério que nos orgulhamos em ver. Não dá pra dizer que o time não correu. O que faltou não foi isso. O que faltou foi atitude. Foi variar jogadas. Foi usar toda a qualidade técnica a nosso favor. Foi QUERER vencer. Muito da culpa, sim, vem do treinador.  Tanto no aspecto tático, quanto motivacional. Um time jamais pode entrar em um derby achando que vai fazer o gol a qualquer momento.

 

Eduardo Baptista já despertou tanta ira do torcedor em tão pouco tempo, que fica desnecessário comentar sobre ele. Gostaria só de ressaltar também que cada jogador que entrou em campo tem também sua boa parcela de culpa. Motivação não é algo que só vem de fora. Vai de cada um também ter a atitude e vontade de ganhar que tanto se espera em um jogo desse.

Soberba. Ladroagem. Mau-caratismo. Não somos e não queremos ser assim. Entramos acomodados, fomos beneficiados por um erro esdrúxulo da arbitragem e demos cotovelada sem nenhum sentido. Não tivemos culpa do erro do juiz, claro. Mas fomos beneficiados e até “demos uma forcinha”. Convenhamos, tem muito mais gosto nossas típicas vitórias de superação.

Não coloco culpa no Keno pela tentativa de iludir o árbitro no tal lance da expulsão. Isso não é só dele. É tanto da cultura do futebol, quanto da cultura do brasileiro. Seria ANIMAL se ele tivesse chamado o juiz pra dizer que não era para expulsar o traíra. Marcaria a história. Ele se tornaria um exemplo para todos nós. Mas não foi; assim como pouquíssimos seriam, no calor de um derby.

Para se ter uma ideia do que um derby faz com as pessoas, Vitor Hugo, o zagueiro humilde e boa gente, fez aquilo que mais pode envergonhar no futebol.  Tentou se aproveitar de uma disputa de jogo para agredir um companheiro de profissão. Já pediu desculpas pessoalmente, já postou vídeo também reconhecendo o erro, mas o fato é que não irá mudar o que ele fez. Merece ser punido e aprender com o erro.

Assim como todo o time do Palmeiras merece aprender com a decepção que deixou, assim que subiu no salto. O sucesso faz bem, mas também pode fazer muito mal. O que importa neste ano é o que será decidido só daqui a alguns meses. Espero que até lá, meu Palmeiras volte a ser aquele Palmeiras que temos tanto orgulho em defender.

Avanti, Palestra!
@CaneladaSEP
@jmiguelprestes

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1 comentário

  1. Bruno Fabris Estefanes disse:

    Bom texto. Parabéns.

    [Reply]

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