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Eduardo Baptista e a bipolaridade da torcida palestrina

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17/02/17

O começo do treinador Eduardo Baptista dividiu a torcida em dois extremos. Um lado já quer sua cabeça, e a outra não aceita críticas. Qual lado está certo?

Três jogos, com duas vitórias pouco convincentes e uma derrota razoavelmente comum pra início de temporada. O Palmeiras começa 2017 com a ambição de conquistar a América pesando nos ombros e fazendo a torcida chegar em um nível de exigência poucas vezes vistas no futebol brasileiro. E dessa corneta, percebo um racha na torcida. Um lado já conseguiu se cansar do treinador. O acham fraco, inexperiente e com poucas chances de domar os jogadores, usam a expressão “O Palmeiras é um Boeing com piloto de teco-teco” para exemplificar a atual situação, e muitos evocam nomes de Luxemburgo, Abel Braga, Levir Culpi e, acima de todos, Cuca. Do outro lado temos a galera que não aceita nem mesmo críticas ao início do trabalho, dizendo que é um absurdo o torcedor falar em erros no primeiro mês de bola rolando, e que vêem no Eduardo Baptista o melhor nome pra dirigir o clube esse ano.

Ontem na vitória sobre o São Bernardo bem organizado do Sérgio Vieira, os dois lados da torcida puderam argumentar. Os que o criticam,  usaram todo o primeiro tempo como exemplo. O t ime jogou mal, deixou buracos no meio campo e pouco produziu no ataque. Já os defensores do Baptista citam as alterações na segunda etapa como trunfo do treinador. Michel Bastos e Raphael Veiga entraram bem e em seis minutos o gol saiu. Durante esses atos, a torcida xingou (e apoiou) o treinador. Em entrevista, Eduardo diz entender:  “Vieram quase 25 mil pessoas em uma quinta-feira à noite. Se eles não veem um bom futebol, devem protestar mesmo e jogar o time para cima” . Vai se acostumando, meu caro. Vai se acostumando…

 

Embora eu odeie parecer “insentão”, devo dizer que o meio termo é o caminho dessa vez. É um absurdo pedir a saída de do técnico tão cedo, em início de temporada. Acabaria com a credibilidade do clube, inclusive evidenciando que os dirigentes não sabem trabalhar, e poderia afastar bons substitutos por receio de cair em pouco tempo, por causa dessa instabilidade no comando. Eduardo precisa de tempo pra trabalhar, conhecer bem o elenco e testar todos os jogadores, e o paulistão é perfeito pra isso. Fora o fato de não existirem bons nomes no mercado. Luxemburgo, Abel Braga e Levir não fizeram nada no passado recente que os credencie para assumir o Palmeiras hoje, e nosso querido Cuca já disse que não irá trabalhar esse ano. Se demitissem Baptista, teriam que trazer outra aposta, e com poucas opções decentes, a chance de errar seria grande.

Mas ao mesmo tempo, cabem críticas sim. O Cuca deixou de legado um time com padrão bem definido de jogo e extremamente regular, que não está sendo aproveitado pelo Eduardo, que inclusive já começa a mostrar uma certa teimosia ao continuar escalando William em uma posição que claramente não é a favorita dele, em vez de aproveitar o período “pré-Borja” para buscar o reserva imediato do colombiano. No seu 4-1-4-1, usar Barrios ou Alecssandro centralizado faz mais sentido do que continuar com William, que não tem presença de área suficiente pra ameaçar a defesa adversária. E não vou me apoiar na desculpa de “Quando Mina, Tchê-Tchê e Borja entrarem, o time ficará bom”, pois não contratamos tantos jogadores pra depender de três titulares. A ideia não era ter 2 bons times? Então esqueçam essa de time desfalcado, temos um grupo de jogadores qualificados justamente para não sentir as ausências. Material humano é o que não falta na Barra Funda.

No fim de semana teremos um jogo relativamente fácil, e em seguida o primeiro clássico do Palmeiras no ano, com a pressão de uma torcida que não aceitará perder em seu salão de festas para um time que tem Jô, Romero e Kazim no ataque. Caso tropece em Itaquera, a torcida provavelmente se unirá, mas não a favor do treinador, que pode ser malhado como Judas muito antes da páscoa chegar.

Enquanto isso, seguiremos aplaudindo e cornetando, porque aqui é Palestra!

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