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Quatro anos de Paulo Nobre – Mais erros ou acertos?

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8/02/17

Gestão Paulo Nobre. Muitos acertos, muitos erros. E um endeusamento exagerado.

Saudações palestrinos e palestrinas! Eis que acabou o recesso que parecia infinito, e a bola voltou a rolar nos gramados brasileiros. Aleluia, não aguentava mais domingo sem futebol. Mas antes de postar sobre o “novo” Palmeiras, e suas excelentes contratações, queria encerrar um assunto: Paulo Nobre.

Tenho visto em muitos círculos de palmeirenses um certo exagero nos elogios ao nosso ex-presidente. Palmeirenses que o colocam como o grande e único responsável pelo atual momento do time, um herói a ser admirado e até idolatrado. Não consigo concordar com isso. Não nego que o ex-presidente realmente fez parte desse crescimento. Fez bem ao Palmeiras ao emprestar centenas de milhões de reais e quitar dívidas, sendo pago à juros baixos. Foi muito bem ao contratar Alexandre Mattos para gerir o futebol, e conseguiu uma paz inédita nos bastidores, durante boa parte do seu segundo mandato. Ajudou o Palmeiras a se tornar novamente o gigante que sempre foi.

O problema é que muitos torcedores parecem se esquecer dos (vários) erros cometidos pelo piloto ao longo dos seus quatro anos de mandato. Muito disso culpa da memória seletiva que sempre ataca os torcedores, eu sei. Por isso, sugiro que coloquem no google “Paulo Nobre 2014” e vejam as análises de seu primeiro mandato.

Está com preguiça? Ok, eu te entendo. Vou lembrar algumas atitudes tomadas por ele que prejudicaram o clube, inclusive no ano do centenário:

-Caso Barcos: Um dos primeiros erros do dirigente. Palmeiras devia dinheiro ao argentino, e achou que o melhor seria vender um dos poucos jogadores que a torcida respeitava. Em troca vieram Vilson, Léo Gago, Rondinelly e Leandro, o primeiro em definitivo e os demais por empréstimo, e a promessa de um quinto jogador que nunca se concretizou, já que fomos esnobados por Marcelo Moreno. Dos quatro jogadores, apenas Leandro se firmou em 2013, e o Palmeiras pagou a bagatela de R$14 milhões pelo atacante, que após a compra jamais jogou um bom futebol. Dinheiro desperdiçado, que poderia ser usado para a permanência do atacante argentino. Isso sem contar a imagem de time pequeno que o Palmeiras passou.

-Alan Kardec e a compra casada de Sleep Menezes: Para conseguir o empréstimo do atacante, o Palmeiras comprou Felipe Menezes junto ao Benfica, num contrato de três anos. O jogador, embora titular em boa parte de 2014 graças às “lesões” de Valdívia, jamais empolgou a torcida.

-Venda do Capitão Henrique no ano do centenário: O clube devia R$1mi de reais ao zagueiro, capitão do time e um dos heróis da Copa do Brasil de 2012. Dívida essa herança de Tirone. Ao invés de se acertar com o zagueiro, que deixou claro sua vontade de permanecer, o clube aceitou uma proposta de quatro milhões de euros, dois a menos que a multa, e o vendeu para o Napoli-ITA. Pouco dinheiro para o que era, no momento, o jogador mais regular do elenco. E lá se vai a auto-estima do torcedor, que ainda ficou pior após o próximo erro:

-Perda de Kardec: Outra vergonha para a coleção. Palmeiras negociava com o Benfica a compra do atacante. O time português já tinha aceitado a proposta, então Paulinho foi negociar com o atleta. A pedida foi de R$230mil mais produtividade, o Palmeiras ofereceu R$220mil, e o atacante aceitou. Até que Paulinho resolveu diminuir para R$200mil, mesmo após o acordo, sendo que Wesley ganhava R$350mil, Valdívia, que nem jogava, R$500mil. Nesse momento, chegou o São Paulo oferecendo R$300mil, e o atacante, muito contrariado, aceitou. Para completar a vergonha, no primeiro choque-rei após o ocorrido, Kardec fez um gol no fim do jogo, machucando ainda mais a torcida palestrina.

-Gastos em 2014 superiores ao campeão Cruzeiro: Todos se lembram do time fraco que o Palmeiras possuía em 2014. Por um gol do Santos, não fomos rebaixados, no que seria um último soco no estômago em um centenário pra se esquecer. O que poucos lembram é que o Palmeiras de Nobre gastou mais em jogadores do que o time campeão brasileiro daquele ano. Em 2014 o time gastou R$180mi, contra menos de R$100mi gastos pela Raposa.

-Gareca: A passagem catastrófica do técnico argentino quase nos custou um rebaixamento. Foram 13 jogos, com 33% de aproveitamento, 4 contratações de argentinos que jamais se firmaram, e um lugar na zona de rebaixamento.

-Muitos jogadores, pouca qualidade: Quando puxamos a lista de contratações, chega a dar calafrios: Rodolfo (Rio Claro), França (Hannover), Diogo (Portuguesa), Mazinho (Vissel Kobe-JAP), Luiz Gustavo (Vitória), Victorino (Cruzeiro), William Matheus (Goiás), Lucio (SPFC), Marquinhos Gabriel (Internacional), Bruno César (Al-Ahli), Paulo Henrique (Santos), Josimar (internacional), Bruninho (Portuguesa), Henrique (Portuguesa), Bernardo (Vasco), Leandro Amaro (Chapecoense), Tóbio (Velez-ARG), Mouche (Kayserispor-TUR), Weldinho (Sporting-POR), Allione (Velez-ARG), Cristaldo (Metalist), Jailson (Ceará), Washington (Joinville), Fernandinho (Juventus).

É, eu sei. Metade você não lembra, outra metade você quer esquecer. Com exceção de Jailson e Cristaldo, o restante não deixou saudade nenhuma. Todos chegaram com aval do presidente.

Teve outros atos, como a briga exagerada com as organizadas, o alto preço dos ingressos, e o excesso de confiança em profissionais ultrapassados como Brunoro. E além desses erros, devemos lembrar que muito dos acertos ou do legado que dizem fazer parte da gestão Paulo Nobre, não são exatamente dele. Allianz Parque é um exemplo, mesmo sendo inaugurado pelo Paulinho, foi idealizado e construído pelo Belluzo. E o patrocínio mais alto do Brasil, foi a Crefisa que procurou o Palmeiras, e não uma verdadeira conquista do presidente.

Fora tudo isso, tem a questão da vaidade do presidente. Desde a aproximação da Crefisa, Paulo Nobre demonstrou certo incômodo, que se tornou após alguns meses uma verdadeira briga de ego. A impressão que passa é que o ex-presidente não quer outro ricaço ajudando o time. E olha que diferente dele, o casal Crefisa não está emprestando dinheiro, está doando. Tentar impugnar a candidatura de Leila Pereira, dona da patrocinadora para a vaga de conselheira foi uma atitude pequena do dirigente, que lhe custou uma briga com o novo presidente e seu antigo pupilo, Galiotte. Hoje Nobre está afastado do alto-escalão do clube, graças a desentendimentos com o presidente atual, e a vontade de continuar gerindo a equipe mesmo após o fim do mandato. E antes que venham me xingar, dizendo que Galiotte e Leila estão aliados ao Mustafá e sua corja de conselheiros, vamos lembrar que Paulo Nobre foi o candidato do mesmo Mustafá Contursi, ao ser candidato para o mandato 13/14. Então não sejamos hipócritas, ok?

Resumindo, devemos agradecer ao ex-presidente pelo seu trabalho, e só. Não o endeusar jamais, pois lembramos do sofrimento que foram os primeiros anos de seu mandato, antes da chegada de um patrocínio forte como a Crefisa, e de Alexandre Matos no comando do futebol. Não esqueceremos do time com Felipe Menezes, Valdívia jogando uma vez por mês, Gareca perdido à beira do gramado, e de jogadores como França, Bruno Cesar, Bernardo e Weldinho. Não esqueceremos de ter que ficar feliz com gol de rival para evitar uma queda vexatória. Não esqueceremos do primeiro mandato graças aos títulos do segundo. Se Paulo Nobre foi responsável pela nova fase do Palmeiras, não o fez sozinho, e jamais merecerá essa fama.

Então, sem exageros, só digo: obrigado, Paulo Nobre, bem vindo Galiotte, e avanti Palestra!!!

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