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A eterna gratidão a um pequeno gigante

por
9/11/11

Um pequeno grande homem. À primeira vista de olhares leigos e desconhecidos, um baixinho carrancudo, que contraria seus colegas de labuta no jeito de se vestir e no modo de se portar. Às vistas de quem o conhece, simplesmente um gigante. Um coração enorme, forte, calejado. Uma sede de vitória que poucos possuem. Um homem que, acima de tudo, sabe ser um pequeno gigante. Do pequeno traz a humildade e do grande traz a audácia. O bom filho que à casa tornou, que voltou para vencer. O guerreiro capaz de fazer ressurgir do nada a tradição e o amor. O herói que voltou a unir a esperança do verde com a paixão do vermelho. O maestro que novamente nos uniu, que nos mostrou que temos força, que resgatou o orgulho pela vitória, orgulho que só emanava do recôndito do coração rubro-verde pelo amor. Trouxe do âmago lusitano a força que parecia não mais existir, a força para gritar ‘É Campeão’.

Este homem era carregado nos braços de seus comandados. Não em uma relação de superioridade e inferioridade. Muito pelo contrário. Uma relação de respeito, de gratidão, de reconhecimento. Enquanto este pequeno gigante alcançava o ápice de sua glória com a cruz de avis no peito, os milhares que ele resgatou da desilusão e trouxe para a felicidade comemoravam como jamais sonharam comemorar. Ao lado dos patrícios nossos de cada rodada, da família cujo coração pulsa em verde-rubro e dos lusos que voltaram ao covívio da vitória, estava eu a refletir. Mais um de tantos momentos de reflexão que me acometeram neste ano. Isso nunca havia me acontecido nos anteriores anos de arquibancadas. Aquele momento em que, depois de tanto pular, gritar e comemorar, a abstração toma conta de nossa mente. Desta vez, justo quando o pequeno gigante era exaltado em seu palco.

No curto momento em que temos apenas nós mesmos como confidentes de nossos sentimentos, minha memória me levou àquele mesmo lugar, quando tudo aquilo começou. Lembrei-me da batalha da virada, do princípio da volta por cima. De quando naquele mesmo cimento sentávamos, pulávamos e gritávamos. De quando enfrentamos os homens do ABC paulista ainda no âmbito estadual, precisando da ajuda dos homens da cidade de Lins. De quando do rádio recebi uma das maiores alegrias, palavras que esperava ouvir em carnavais passados, mas que só neste se concretizaram. De quando um baianinho porreta balançou as redes e nos levou novamente ao convívio dos grandes. Da improvável classificação no mais paulista dos torneios. À minha mente veio uma cena que jamais esquecerei.

Um garoto. Pequeno, ainda muito novo. Uma criança. Não sei precisar a idade. Não sou bom para essas coisas. Quando o juiz decretou o final daquele confronto, que nos levava a um lugar onde não íamos há mais de uma década, este garoto me abraçou. Chorando, em prantos, veio em minha direção. Senti ali a recompensa por tudo que passei atrás da Rubro-Verde. Aquelas lágrimas genuínas de alegria, de uma única criança, valeram mais do que todas aquelas de tristeza que eu vi verter no Canindé. Lembrei disso pois ontem novamente vi. Não apenas um garoto, mas vários. Crianças chorando, com a mais pura alegria que se pode ter na vida. Pequeninos batendo no peito, gritando que são campeões. Um privilégio. Uma dádiva. Uma bênção. Eles sentiram a alegria que muitos dos que por nosso convívio passaram, com o mesmo coração verde-encarnado, não puderam sentir. Lusos cuja vida inteira não bastou para soltar o mesmo grito.

A segunda lembrança que tive foi de Barueri. A primeira foi a virada de página na história dos guerreiros que nos representam. A segunda, da nossa história nas arquibancadas. Vestimos orgulhosamente nossas camisas e fomos à luta, enfrentar aqueles que se denominam gigantes. Mostramos, se não no sagrado palco verde, nas também gloriosas arquibancadas, quem somos. Muitos devem ter essa recordação, assim como eu. Perdemos em campo, vencemos fora dele. Uma vitória que só hoje compreendo o real valor. Ali tivemos noção que somos a resistência. Somos o amor, a paixão, a entrega, a devoção e o romantismo do futebol. Somos tudo aquilo que se perdeu no mundo da bola. Somos a tradição, a força, a gradeza pelo suor. Mesmo em minoria, calamos a Arena. Todos aqueles que batem no peito dizendo que conquistaram o mundo, voltaram seus olhos para nós, admirados. Com a força vinda do fundo da alma, usávamos a nossa voz para mostrar nosso amor pela Rubro-Verde. E ali ficamos até que nos tirassem.

Esses dois acontecimentos, que me marcaram demais, só vieram a me fazer sentido quando vi o pequeno gigante ser jogado pelos ares no ponto mais alto da comemoração. Foi ali, lá atrás, que a revolução começou. Naqueles dois embates, tudo mudou. Nosso destino virou. O triunfo, a sorte e as lágrimas de alegria voltaram ao nosso convívio. A entrega, a devoção inabalável e o apoio incondicional voltaram a nos traduzir. Ali o pequeno gigante deu o pontapé inicial de sua missão de resgate. Como lusos, dançamos o vira como ninguém. O vira nos representa muito bem. Um povo que luta contra tudo, contra todos. Que contraria prognósticos, que não teme desafios. Que vai a luta, que tem orgulho do que é. Que dança o vira para a vida. Que vira a página de sua existência. Que é dono de seu destino. Que jamais desiste e que é especialista em dar a volta por cima.

Nas lotadas arquibancadas, que por tantas vezes vi vazias, a festa não parava. A emoção e a alegria indescritíveis, que jamais sentimos na vida, tomaram conta de nós. Não há muito o que se dizer da festa, do espetáculo feito pela torcida rubro-verde. É impossível descrever esses momentos. Só conseguimos dar dimensão ao que vivemos e neste caso o viver é o sentir, portanto, jamais ao que o outro sente. Cada um teve uma percepção. De igual, apenas a alegria. A felicidade que nunca encontramos com a Portuguesa. Alegria essa que temos de aproveitar ao máximo. Um momento iluminado em nossa história como torcedores. Uma temporada única, ímpar, sem igual. Uma campanha irretocável. Uma Lusa de verdade. A volta da nossa Portugesa. Essa é a Lusa que aprendemos a torcer. Essa é a Portuguesa que queremos ver. Essa é a Lusa da tradição, da camisa gloriosa, da grandiosidade honrada.

Neste momento, sinto que tudo valeu a pena. Absolutamente tudo. Valeu a pena o dia insano em que resolvi ir a Volta Redonda ver a Lusa jogar contra o Duque de Caxias. Valeu a pena escaldar em Araraquara para ver a Portuguesa vencer o Guarani. Valeu a pena se espremer em Bragança Paulista e trazer um ponto precioso ao Canindé. Valeu a pena fazer de São Caetano uma casa portuguesa, com certeza. Valeu a pena chorar nosso acesso em Americana. Tudo isso valeu.  E devemos tudo isso ao nosso pequeno gigante. Devemos a ele, o único que pode merecer este título mais do que nossa torcida. Ele nos resgatou, ele nos uniu, ele nos deu forças. Mais de duas décadas depois, soltou o grito como comandante que ele gostaria de ter soltado como jogador. Ele fez renascer a verdadeira Portuguesa. A que nós, uma grande família, muito temos a nos orgulhar.

Obrigado, Jorginho.

Por Luiz Nascimento

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9 comentários

  1. Ricardo Burgos disse:

    Sem palavras para comentar…….GRANDE PORTUGUESA!
    Valeu Luiz!

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  2. feu_lusa disse:

    Sem voz e sem palavras….
    ansioso para saber até sexta feira se o Jorginho ficará.
    Acredito que sim, mas vamos fazer uma novena!

    [Reply]

  3. Rodrigo Guilhoto disse:

    Luiz

    to arrepiado de ler o seu texto…e sem voz tbem !

    ávido pela resposta logo do Jorginho…tomara que fique !!

    Parabéns BARCELUSA

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  4. Amauri Leite disse:

    Parabéns LUSA E LUIZ…

    Esse texto é maravilhoso!!!

    Estou emocionado!!!!

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  5. j alex atibaia disse:

    NUNCA perdoarei o Lupa, se o JORGINHO não renovar para 2012.

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  6. Augusto disse:

    Luíz absolutamente brilhante.
    Confesso que escorreram lágrimas aqui, lembrei das noites frias, cimento gelado e casa quase vazia, momentos difíceis, mas como vc mesmo diz….. valeu a pena!!!!
    Parabéns Luiz e obrigado pequeno grande Jorginho.
    Vamos lançar a campanha “Fica Jorginho”

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  7. Fabiano VIdal Ramos disse:

    Nada mais a acrescentar. A sua redação foi perfeita e exprime tudo o que o torcedor da Portuguesa pensa. Jorginho resgatou o orgulho de ser LUSA!!!! Somos muito grandes!!! E o mestre vai ficar, tenho certeza absoluta. O projeto de resgate está só começando e ele sabe disso. FORÇA LUSA!!!! ETERNA PAIXÃO RUBRO-VERDE!!!!!!!!!!!!!!!

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  8. Fernando disse:

    Simplesmente maravilhoso! Sem palavras, mas sim com muitas lágrimas.

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  9. Carlos Alberto (Santo André) disse:

    Luiz, vou demorar um pouco para comentar o que você escreveu, pois tenho que enxugar as lágrimas que esse texto fez rolar em meu rosto. Pois bem, agora já posso comentar: Você quando escreveu este “maravilhoso texto” estava iluminado por uma força que vem de algum lugar muito especial. Você conseguiu colocar no papel o sentimento que todos nós torcedores da Portuguesa temos dentro do peito. Sentimento que pudemos extravasar na 3a feira com o grito de “É CAMPEÔ. Tenho certeza também da permanência do “pequeno gigante” e de mais conquistas pela frente. AVANTE LUSA!!!!

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