Na reta final desta maravilhosa campanha da Portuguesa, que coroou seus torcedores com o acesso à elite do futebol brasileiro e o primeiro título a nível nacional, vários cronistas esportivos se sentiram atraídos a escrever sobre a Lusa. A Rubro-Verde foi pauta de várias colunas nos mais diversos jornais de São Paulo nos últimos meses. E é neste momento, em que temos uma cobertura massiva da mídia, que percebemos qual a imagem que a Portuguesa passa. Qual a dimensão da grandeza da Lusa e de nossa torcida. Alberto Helena Júnior, Mauro Betting e Mauro Cezar Pereira foram autores de célebres textos acerca do ressurgimento lusitano, porém, Ugo Giorgetti conseguiu ir mais a fundo. O título deste texto, inclusive, é uma frase de sua coluna “A Bandeira”.
Há anos, em minha casa, recebo diariamente O Estado de S. Paulo. Não sei precisar há quanto tempo Ugo Giorgetti é colunista na página de esportes do jornal, porém, comecei a prestar atenção em seus textos no ano de 2007. Lembro-me que naquela campanha também vitoriosa, que culminou com nosso acesso, Giorgetti escreveu um belo texto sobre o romantismo ainda presente no Canindé. A partir dalí passei a vê-lo com outros olhos. Depois assisti aos filmes Boleiros, tanto o Era Uma Vez O Futebol quando o Vencedores E Vencidos, que ele dirigiu. Nos quais a Lusa, de uma maneira ou de outra, se faz presente. Filmes cruciais para os amantes do futebol romântico, aquele que está se perdendo aos poucos ao longo dos anos.
Não o conheço tão a fundo para dizer, mas por seus textos, Ugo Giorgetti tem uma visão apurada e diferenciada do futebol. Neste domingo (20), o cineasta mais uma vez dedicou sua coluna à Portuguesa. Mesmo sem ser seu clube do coração, ele faz da Lusa a pauta de seus textos mesmo quando nosso futebol não está em alta. Deixarei abaixo a coluna de Giorgetti para que todos leiam, basta clicar sobre a imagem para ampliá-la ou então clique aqui. Sem ser luso, Ugo Giorgetti consegue ter a exata dimensão do que é a Portuguesa, de como se sentem os torcedores da Lusa. Ele possui uma percepção fantástica. Fui às lágrimas quando li o texto, pois me identifiquei inteiramente com a imagem do torcedor lusitano que ele constrói. Ugo Giorgetti não tem dúvidas de que a Portuguesa é um time grande e que sua grandeza não bebe da mesma água dos “outros grandes” do futebol brasileiro.
Não tive como deixar de incluir a coluna de Giorgetti neste meu texto, já planejado após a última partida da Lusa na temporada frente à sua torcida. Citei a coluna, e espero que todos a leiam antes de prosseguirem com meu texto, pois era exatamente sobre isso que eu escreveria. Na última sexta-feira (20), fizemos mais uma de tantas festas pelo acesso e pelo título da Portuguesa. O troféu da Série B finalmente foi entregue e pudemos ver, pela primeira vez, nosso time dar a volta olímpica erguendo uma taça de nível nacional. A partida contra o Duque de Caxias não poderia ter sido mais perfeita.
Antes da partida começar, a presença de ex-atletas que deixaram seus nomes marcados na história rubro-verde. Ivair, tido como o príncipe do futebol pelo próprio Pelé. Jair da Costa, campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1962. Badeco, o eterno capitão do título paulista de 1973. Sem contar com Tico, campeão da Taça São Paulo de 1991, parceiro inesquecível de Dener. Paes, Guaraci e Deodoro, grandes nomes dos anos 60, também lá estavam. O Hino Nacional foi tocado, no piano, por João Carlos Martins. Exemplo máximo de superação, internacionalmente reconhecido como maior intérprete de Bach no mundo e oficial Embaixador da Portuguesa, o mais português dos maestros mais uma vez emocionou a todos e abrilhantou uma festa que só nós sabemos fazer.
Uma festa diferenciada, uma comemoração genuína, um título merecidíssimo. A goleada por 4 a 0 sobre o Duque de Caxias não poderia ser mais carregada de significados. Nossa tradição sendo honrada por meio de nossos ídolos antes da partida começar. Um exemplo vivo de “volta por cima” a tocar o hino nacional. Uma goleada para resumir o que foi nossa campanha. A vitória sobre a pedra em nosso sapato nos anos interiores. Para mostrar que a história mudou. A confirmação da permanência de Jorginho ao final do jogo. Os incansáveis e incessantes gritos de campeão. Os genuínos gritos, do fundo da alma, de quem sabe o valor de sua comemoração. De quem não precisa daquilo para ser o que é, mas que merece aquilo por ser o que é.
Torcedor luso, como bem escreveu Ugo Giorgetti em sua coluna, não vive de títulos. Torcedor da Portuguesa, quando decide seguir seu clube, sabe que sua missão será complicada. Ele é sabedor de que não é como qualquer outro torcedor. O lusitano se apega ao amor que tem pelo clube, um amor verdadeiro. Aquele amor que não espera nada em troca. A chama desse amor jamais se apaga, pelo contrário, se renova. É essa chama, e não títulos e estrelas na camisa, que alimentam o orgulho do torcedor lusitano. A grande maioria de nossa torcida jamais havia soltado um grito de campeão na vida e não é por isso que deixou o clube de lado. O título conquistado este ano, confesso, não fazia parte dos meus planos enquanto torcedor. Jamais exigi títulos de meu clube, apenas que os jogadores que por ele joguem, honrem a camisa que vestem.
O título brasileiro da Série B não poderia estar no melhor lugar. Talvez esta taça nunca tenha sido tão comemorada em toda a história desta competição. Uma comemoração pura, daquele que sabe valorizar as conquistas, já que não as tem com frequência. Como diz Giorgetti, sabemos dar valor ao que ganhamos. Ao contrário de muitos que, de tanto levantarem taças, mal comemoram o que ganham. O torcedor luso sabe que é uma agulha no palheiro, sabe que é um em um milhão, tem noção de que é excessão, é raridade. Lusitano nasce para ser lusitano, não é para qualquer um. Torcer para a Portuguesa é se contentar em ser feliz consigo mesmo, é abraçar o amor verdadeiro, é amar sem esperar nada em troca.
Torcer para a Lusa é muito mais que ligar a TV nos finais de semana, asssitir ao jogo e, independente do resultado, seguir sua vida normalmente. Ser luso é mais que vestir a camisa do time quando se está por cima e ser apenas mais um em meio à multidão. Não se tem um time para torcer, se tem um clube do coração. Não se torce por hobby ou por alegria, se torce por identificação. Vamos ao Canindé e, cada um de nós, fazemos a diferença. Gritamos e temos noção de que nosso grito faz falta ao clube. Sabemos que ele depende de nós. Vestimos o manto rubro-verde e sabemos quem estamos representando. Temos orgulho de nossas origens, nossas cores e nossa tradição. Torcida e clube se confundem, somos um só. Enquanto torcer para os “outros grandes” é ser apenas mais um, nós somos e fazemos a Portuguesa.
Por Luiz Nascimento




November 21st, 2011 at 12:11 pm
arrepiante.
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November 22nd, 2011 at 9:21 pm
EXATAMENTE ISSO LUIZ!!!
SEM NADA A ACRESCENTAR!
FORTE ABRAÇO.
Ricardo Burgos.
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November 23rd, 2011 at 12:15 am
Tá certo que ultimamente o torcedor LUSO tá com a sensibilidade tão a flor da pele que qualquer coisa o faz chorar.
No entanto, o Maestro com seu piano no meio do Canindé e o texto do amigo Ugo Giorgetti, é para arrepiar até os mais duros torcedores.
Parabéns ao Ugo pelo texto e pela coragem de escrever sobre a LUSA.
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