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Em Bragança, a sensação de que a Lusa merecia vencer

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2/02/12

Na tarde da última quarta-feira (01) fugi da forte chuva que banhou a capital paulista e parti rumo ao interior. Fui a Bragança Paulista, para acompanhar o empate da Lusa por 1 a 1 com o time da casa. Apesar de enfrentar trechos de chuva ao longo da rodovia Fernão Dias, a Terra da Lingüiça estava com céu limpo e ensolarado. Uma leve garoa tentou aparecer no início da noite, mas nada que atrapalhasse o bom clima da cidade interiorana. O estádio Marcelo Stéfani, que teimam em tentar fazer a cidade chamar de Nabi Abi Chedid, era bem mais tranquilo que da última vez que por lá estivemos. Pouco mais de duas mil e quinhentas testemunhas viram o injusto empate entre a Rubro-Verde e o Massa Bruta.

A partida começava e o público ainda chegava ao estádio. Tanto nas arquibancadas locais, que mais uma vez contavam com vários corinthianos, palmeirenses e são-paulinos declarados, como nas arquibancadas visitantes, onde a caravana da Leões da Fabulosa chegou com um pequeno atraso. Ao ver a Lusa entrar em campo já se percebia uma sensível mudança na escalação rubro-verde em comparação às partidas passadas. Jorginho não podia contar com o atacante Rodriguinho, que sentiu um desconforto muscular, e Ananias ainda está abaixo do peso, portanto, não tem condições de atuar durante os dois tempos.

O treinador luso escalou a Portuguesa da seguinte forma: Wéverton era o goleiro, com Luis Ricardo na lateral-direita e Marcelo Cordeiro na esquerda; a dupla de zaga era formada por Leandro Silva e Renato, que contavam novamente com uma trinca de volantes a sua frente; Boquita, Léo Silva e Guilherme compunham o meio-campo; Henrique era escalado mais aberto pela direita e Raí surgia como a surpresa na escalação ao ser posicionado mais aberto pela esquerda; no ataque, apenas Vandinho.

Desde o início da partida a Portuguesa mostrava um futebol ofensivo, partindo pra cima do Bragantino, tentando impor seu ritmo de jogo. A Lusa, por ainda não ter um meia-armador de origem, voltou a priorizar as jogas pelos flancos. Já o Bragantino, do início ao fim do jogo foi uma equipe que não deixava jogar. Não tomava a iniciativa, esperava a chance do contra-golpe, não deixava o jogo fluir, sempre que podia parava as jogadas com faltas e buscava sempre uma bola parada próxima à área lusa para apostar no famoso chuveirinho.

Renato perdeu a grande chance da Lusa no primeiro tempo, logo aos 7 minutos, em um lance inacreditável. Vandinho outra oportunidade clara. Marcelo Cordeiro, Boquita e Henrique também levaram perigo à meta de Rafael. A Lusa, a exemplo da rodada anterior, atacava em bloco. Porém, os volantes não apoiavam tanto. Léo Silva ficou mais na marcação, Guilherme e Boquita um pouco mais soltos, mas sem avançar tanto. Luis Ricardo não mostrava a mesma disposição do jogo anterior, mas não jogava mal. Porém, era nítido que além de um armador, a Lusa precisa de um matador. Vandinho decepcionava já no primeiro tempo, lento e sonolento.

O Bragantino também levou perigo à meta lusa e não foram poucos. A equipe da casa apostava nos cruzamentos à área, no chuveirinho. Era o trunfo de Marcelo Veiga. Como Jorginho já atentava na rodada anterior, o time luso tem uma estatura baixa, inclusive na defesa. Isso em comparação com o Braga. Nas cobranças de escanteio do time da casa, ficava nítido. Todos os jogadores adversários eram mais altos que todos os defensores lusos. Foram as jogadas mais agudas do Bragantino no primeiro tempo. Tempo este em que a Lusa poderia ter marcado pelo menos dois gols.

Para o segundo tempo, como já era esperado, Jorginho promoveu a entrada de Ananias. Porém, considero que o treinador luso errou na substituição. Claro que Ananias deveria ir para o jogo, mas jamais no lugar de Léo Silva. O volante se mostrava um dos melhores marcadores do time, dando o famoso primeiro combate, aliviando o trabalho da zaga. Até poderia ser sacado, mas não para Ananias atuar na posição que atuou. Ele não jogou centralizado e nem espetado na frente, porque não é sua característica. Ananias jogava aberto pela direita, não era sua praia. A Lusa ficava com um buraco na faixa central do campo. E pior, sem o combate de Léo Silva.

Foi aí que o Bragantino cresceu no jogo. Wéverton começou a fazer ótimas defesas, salvando a pátria lusa. Porém, aos 18 minutos, Paulo Roberto cruzou da direita e Giancarlo cabeceou para o fundo do gol. Sim, aquele Giancarlo de 2006. Pouco depois, Léo Jaime invade a área e, segundo o árbitro, é empurrado por Luis Ricardo. Pênalti – contestado por muitos – e expulsão. Wéverton mostrou que estava em uma noite inspirada, defendeu a cobrança de Romarinho, que no rebote ainda cabeceou pra fora. Maylson entrou no jogo, no lugar do apagado Vandinho. E Raí deixou o campo para a entrada do zagueiro Rogério.

Aí sim Ananias foi deslocado para sua posição. Passou a jogar aberto pela esquerda, com Maylson aberto pela direita, Henrique mais centralizado. O jogo da Lusa passou a fluir e o time se animou com a defesa do pênalti. Aos 36 minutos de jogo, Ananias desceu pela esquerda, deixou dois marcadores para trás, invadiu a área driblando o terceiro e finalizou para o fundo das redes. Uma pintura de gol. O empate rubro-verde. Mesmo com um a menos a Lusa seguia pressionando. Aos 44 minutos, Henrique cruza na boca no gol, Ananias empurra em direção à meta, a bola atravessa a linha do gol nitidamente, mas o árbitro não valida o tento luso.

Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, o dono do apito, já não vinha fazendo uma boa partida. Invertia faltas, deixava de dar cartão para a equipe da casa, que abusava da violência. Neste lance, três homens e uma decisão errada. O árbitro, o bandeira e o assistente de linha de fundo. Este ultimo, aliás, está ali apenas para isso. Sua função básica é ver se a bola passa ou não da linha do gol. E a bola passou. Nitidamente. A Portuguesa, que conseguia a virada na base da superação, se viu prejudicada pela arbitragem. Um empate que poderia muito bem ter sido nossa segunda virada neste Paulistão. O vice de futebol da Lusa, Luis Iaúca, disse que vai à Federação Paulista de Futebol reclamar da péssima arbitragem. Espero que a diretoria se faça ouvir e respeitar, pois erros como esse não podem acontecer.

A Portuguesa mostra sim uma evolução em seu futebol a cada jogo que passa. No primeiro tempo a Lusa foi muito superior e poderia ter aberto o placar com tranqüilidade. Renato e Vandinho não estiveram bem e os inacreditáveis gols perdidos foram apenas sintoma. No segundo tempo, considero que Jorginho errou na substituição. Entendi que Raí não estava jogando mal e talvez não merecia sair. Porém, sacar Léo Silva foi um erro. Ainda mais para Ananias jogar pela direita, que não é a sua praia. Wéverton fez verdadeiros milagres no segundo tempo, jogou muito. E Ananias novamente desequilibrou, decidiu o jogo. Poderia até ter sido o responsável pela virada lusa, não fosse o árbitro.

A Rubro-Verde precisa urgentemente de um meia-armador, por mais que este esquema atual possa funcionar. Marquinhos, do Grêmio, era o nome da pauta lusa. Porém, ele quer receber mais do que já recebe no Sul, algo fora dos padrões da Lusa. Ricardo Jesus, um dos artilheiros da última Série B vestindo a camisa da Ponte Preta, é o mais novo atacante luso. Estou confiante demais com a chegada dele. Tem as características que a Lusa precisa. É matador, tem faro de gol. No papel, cairia como uma luva neste time. Agora, a Lusa volta ao Canindé, onde às 19h30 do próximo sábado recebe o Ituano.

E você, torcedor lusitano? O que achou do empate em Bragança? Dê sua opinião! Comente abaixo!

Por Luiz Nascimento

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9 comentários

  1. Martins disse:

    Luiz bela análise parabens.
    Principalmente no primeiro tempo jogamos muito bem, poderiamos ter feito dois gols, logo nos primeiros minutos, aí a história seria outra.
    Sobre o apito, na duvida é sempre contra nós, até quando essa cambada de pilantras vão passar a não na nossa Lusa. Vamos diretoria, vamos ¨quebrar¨ essa (federação quatro queridos f. c.)
    Abs.

    [Reply]

    Luiz Nascimento Reply:

    @Martins, Obrigado, Martins.

    Concordo contigo. Não podemos mais reclamar de braços cruzados. O Iaúca disse que iria na FPF e espero que realmente tenha ido e procurado defender os direitos da Portuguesa. É inconcebível que 3 árbitros em cima do mesmo lance (central, de lateral e de linha de fundo) não validem um gol legítimo. Sendo que a função de um deles é apenas essa, ver se a bola entrou.

    Grande abraço!

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  2. j alex atibaia disse:

    Luiz, quando o jogo teve inicio, ,éramos 55, no tobogã do lixão (40 paus) depois a rapaziada foi chegando e nossos tambores foram ouvidos até na igreja matriz.
    -o Leandro chegou atrazado de novo,e o Rogério no banco.
    -o Rai deve jogar meio tempo e deve ser o 2o.
    -o Léo Silva só deve sair se estiver com problemas
    - assim que o Ricardo Coração de Jesus estiver OK, podem ser dispensados os Vandinhos e Rodriguinhos, que juntos não dão meio atacante.
    não quero dizer que o Jorginho tá errado, eu tenho certeza que ele sabe o que faz.

    [Reply]

    Luiz Nascimento Reply:

    @j alex atibaia, Boas observações!

    Acho que Renato ou Leandro Silva precisam dar lugar ao Rogério no time titular. No caso, acho que Renato. Já que é destro, não vem jogando bem e Rogério é canhoto. Sem contar que foi nosso melhor zagueiro na campanha do titulo.

    Nesse ultimo jogo em especial, Raí realmente deveria ter jogado apenas o primeiro tempo, dando lugar a Ananias no segundo. Na minha opinião, claro. Léo Silva vem mostrando uma qualidade e uma estabilidade das quais a Portuguesa vem dependendo.

    Abraço!

    [Reply]

  3. joão lopes disse:

    É preocupante o fato que tomamos 3 gols de forma idêntica.
    Contra o Paulista, contra o Palmeiras e agora contra o Bragantino.
    Cruzamento pela direita, no primeiro pau, Leandro Silva tentando cortar mas perdendo para o adversário.
    Na minha opinião o Rogério deveria entrar no time.
    Espero que o Jorginho repense o caso.
    Sinto também que o time vem evoluindo jogo a jogo.
    Isso é bom, pois o time poderá estar tinindo na fase quente do campeonato.
    Só não podemos perder pontos bobos agora, pois poderão fazer falta mais tarde.

    [Reply]

    Luiz Nascimento Reply:

    @joão lopes, Concordo com você, João.

    Mesmo mostrando uma evolução nos ultimos jogos, penso que nossa zaga precisa de mudanças. Acho que o banco não é o lugar do Rogério, nosso melhor zagueiro no ano passado. Ou até mesmo Gustavo poderia ganhar uma chance no time titular.

    Grande abraço!

    [Reply]

  4. Ricardo Burgos disse:

    No primeiro tempo poderíamos ter feito uns 3 x 0 fácil!
    Mas vamos manter a pegada e iniciar a reação amanhã e reafirmá-la na quarta contra o Guarani em Campinas.

    [Reply]

  5. Rodrigo Guilhoto disse:

    Luiz,

    Perfeita sua análise !

    Todos os gols tomados por nossa Lusa até agora foram do mesmo jeito…em jogadas pelo lado esquerdo da nossa defesa onde o atacante chega primeiro que o nosso zagueiro…e o Rogério no banco !!!

    Gustavo ainda não deve estar no melhor da forma física e com ctz Jorginho deve colocá-lo aos poucos no time.

    Abraços e amanhã 3 pontos no Campnindé !

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  6. ANTONIO LUIS CHAVES disse:

    Boa tarde amigos:

    Realmente penso que, em determinados momentos do jogo, a Lusa apresenta um futebol envolvente, muito objetivo. Mas não está mantendo ao longo dos 90 minutos. A primeira meia hora contra o Bragantino foi muito boa. Já no fim do primeiro tempo deu uma caída, e acho que só voltou a jogar quando perdia, e com menos 1 jogador. Aí foi mais na vontade do que no futebol consciente. Concordo que Rogério não pode ficar na reserva desse time. Vamos aguardar mas acho que a dupla que terminará o Paulista será Gustavo e Rogério. Luiz: como está indo o Michael nos treinamentos, nomeadamente no jogo treino? Você tem conhecimento de alguma negociação com outro jogador? Hoje li sobre o desentendimento entre o o Murici e o Elano e cheguei a sonhar… O Ricardo Jesus estreia amanhã?
    Um abraço

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