A Portuguesa foi a Criciúma na noite da última terça-feira (01) em busca de uma vitória sobre o time da casa, três pontos que garantiriam o título matemático da Série B. Porém, como já era de se esperar, a Rubro-Verde sofreu muito com a ausência de três dos seus zagueiros que mais atuaram nesta Série B. A Lusa tinha uma dupla de zagueiros que nunca atuou junta e uma dupla de volantes titular que era formada apenas pela segunda vez na competição. O time da casa foi um dos únicos deste campeonato a partir para cima da Lusa do início ao fim do jogo e ter claras chances de se sair vitorioso. Sofrendo um gol aos 47 segundos de partida e completamente perdida no primeiro tempo, a Lusa se reorganizou na segunda etapa e conseguiu arrancar um bom empate por 1 a 1 em Criciúma. A festa do título matemático ficou para o Canindé, na próxima terça-feira, contra o Sport.
Antes da partida, como sempre gosto de fazer, procurei na internet alguma rádio de Criciúma para sentir o clima do jogo, como a imprensa de lá encarava a partida, a Portuguesa, como se portava a torcida e etc. Era nítido o clima de decisão. Na Rádio Eldorado AM 560, o locutor dizia que era esperado um dos maiores públicos do ano no Heriberto Hulse. Falava-se em mobilização da cidade, em enormes filas para comprar ingresso e entrar no estádio. Os próprios torcedores que eram entrevistados nas arquibancadas, diziam que este seria o jogo mais importante da temporada, frente à melhor equipe do campeonato e que selaria o destino do Tigre na competição. Os integrantes da rádio deixavam transparecer um certo incômodo com o apelido de BarceLusa, dado pela imprensa paulista à Rubro-Verde. Diziam que o Criciúma partiria pra cima da Portuguesa, se imporia no jogo, seria uma partida digna de decisão de título, ou acesso.
Em São Paulo, na rotineira escuta da Rádio Tupi AM 1150, ouvia atentamente os comentários de Antônio Quintal. Concordava plenamente com tudo. Ele atentava para as dificuldades que a Lusa teria no setor defensivo. Mateus e Rogério, a dupla titular, estão no Departamento Médico. Lenadro Silva, o reserva imediato, cumpriria suspensão automática. A bucha ficou nas mãos de Renato, que em comparação aos companheiros, atuou pouco nesta Série B, cada vez ao lado de um jogador diferente, e Jaime, o jovem defensor da base. Outra preocupação era a dupla de volantes. Rai entrava como titular apenas pela segunda vez. Na primeira, em Americana, mostrou muita vontade, mas pouco entrosamento. Outra preocupação de Quintal, da qual eu compartilhava, era um natural relaxamento do time após tantas partidas decisivas e de praticamente uma final vencida sobre a Ponte Preta, marcada por uma enorme festa ao final.
Tudo isso era verdade. Todos sabiam, ou deveriam saber, que o Criciúma partiria com tudo para cima da Lusa desde o minuto inicial. Todos já deveriam ter ciência, também, que a Portuguesa sofreria demais com o desentrosamento de seu setor defensivo. Foi isso que aconteceu. De fora dos planos, apenas o gol com 47 segundos de jogo. De uma cobrança de escanteio. Os jogadores lusos se concentraram na pequena área, os tricolores livres na marca do pênalti. Bola alçada, Anderson Conceição teve espaço para tomar impulso, Wéverton saiu muito mal, a bola ainda esbarrou no travessão, mas morreu dentro do gol. Falha da defesa, falha do goleiro, pane geral na Lusa. Se já era difícil manter uma estabilidade emocional e tática frente a uma equipe que partiria para cima ao lado de uma grande torcida inflamada, imagine sofrendo um gol antes mesmo do primeiro minuto de jogo.
O panorama do primeiro tempo era bastante complicado para a Lusa. Renato e Jaime, pela natural falta de entrosamento, batiam cabeça, iam juntos na marcação de um mesmo jogador, pulavam juntos na dividida de uma bola aérea, sempre deixavam um jogador do Criciúma livre, leve e solto. Erravam até na hora de dar chutão, de rechaçar a bola. Era a falta de entrosamento unida ao nervosismo. Para piorar, o combate no meio-de-campo estava comprometido. Primeiro que Rai e Guilherme, principalmente o primeiro, estavam muito recuados. Rai, repito e friso, pela natural falta de entrosamento e até de ritmo de jogo, esteve em todas as posições imagináveis no primeiro tempo, menos na que deveria estar. Estava perdido como os demais. A Lusa precisava adiantar suas linhas de meio-campo, ela chamava o Criciúma para seu campo de defesa. E mais, todos os homens de frente eram muito bem marcados. Mérito do time da casa. Uma marcação cerrada, “homem-a-homem”, só Ananías conseguia criar algo pela esquerda. Nada mais.
Pela transmissão da televisão, percebia-se que Jorginho não estava nada contente. Não tinha como ser de outra maneira. O repórter dizia que ele chamava jogador por jogador à beira do campo e dava as instruções individualmente. Pedia a Marco Antônio uma voz de orientação e organização dentro das quatro linhas. Até o momento em que o repórter disse ouvir da boca de Jorginho que não adiantava mais tentar mudar nada na primeira etapa, o time estava perdido e não conseguia se encaixar. Segundo o treinador, tudo teria que ser arrumado no intervalo. Para o segundo tempo, Rai já não voltava a campo. Cleiton foi colocado em seu lugar. Jorginho puxava Marco Antônio um pouco mais para a marcação, Henrique para o meio e colocava Cleiton na frente, para puxar mais as linhas de frente da Lusa. Ao entrar em campo, em rápidas palavras à televisão sobre a conversa no intervalo, Cleiton disse que “a coisa foi feia”.
A verdade é que a Portuguesa voltou diferente, era outra na segunda etapa. Jorginho acertou o posicionamento de seus zagueiros, assim como o dos laterais, dando maior estabilidade à defesa rubro-verde. Marco Antônio e Guilherme encorparam o meio-de-campo e a Lusa tentava sua sorte com Cleiton pela direita e Ananías pela esquerda. A Lusa adiantou suas linhas, tirou o Criciúma de seu campo de defesa. Não totalmente, os donos da casa seguiram ofensivos e pressionando, mas a Rubro-Verde equilibrou as ações. Tanto é que, aos 20 minutos, a Portuguesa chegava ao empate. Ananías, em mais uma boa descida pela esquerda, cruzou na medida para Cleiton, no miolo da área, apenas escorar para o fundo do gol. O time da casa sentiu o gol por poucos minutos. Minutos esses em que a Lusa criou mais uma ou duas chances. Depois, como esperado, o Criciúma teve de se lançar ao ataque, a vitória era a única opção.
A Lusa recuou um pouco, passou a se aproveitar dos erros do adversário. Chamava o Criciúma ao campo de ataque para tentar os contra-golpes. No entanto, a Portuguesa não encaixava esse contra-ataque. Foi aí que Jorginho sacou Ananías e colocou Raí. A partir daí, com o final do jogo se aproximando, a estrela de Wéverton brilhou. Milagres atrás de milagres. Belíssimas defesas. Salvou a pátria rubro-verde mais uma vez. O Criciúma vinha com tudo. Até o goleirão, que bem conhecemos, foi para a área e não voltou mais. A torcida se inflamou, foi com time pra frente. Pediram pênalti em pelo menos duas faltas na entrada da área. Pela televisão, nenhuma dúvida. Ambas as faltas aconteceram fora da área. Pediram “mão na bola” de Cleiton após uma cabeçada do arqueiro Andrey, seria pênalti. Porém, é só ver as imagens. Ao pular, Cleiton ergueu os braços para tomar impulso. A bola passou entre seus braços e, sem encostar em nenhum deles, acertou seu queixo, quase no peito. Discordo de Luiz Ademar, comentarista do SporTV e concordo com Antônio Quintal, da Rádio Tupi. Para mim, nada a se marcar.
Foi assim, neste clima de pressão e polêmica, que a partida terminou empatada. Um ótimo resultado para a Lusa dadas as circunstâncias da partida. Não poderia ser ruim, até pela nossa situação no campeonato. Deixo aqui meus parabéns ao bravos lusitanos que foram a Criciúma em plena noite de terça-feira. Se houvesse ônibus da torcida, com certeza teríamos muito mais lusos por lá. Porém, como sempre, tivemos o suficiente para honrar nossas cores. Representaram à altura. Se fizeram ouvir, ao final do jogo, tanto pela TV quanto pelas rádios. Torcida maravilhosa, briosa, guerreira e lutadora, como sempre. Agora, a decisão matemática do título fica para a próxima terça-feira (08) contra o Sport. O Canindé, novamente, tem que ser pequeno para nossa torcida. Vamos lotar o Canindé de novo, para fazermos mais uma belíssima festa, daquelas que só nós sabemos fazer. Bora levantar o caneco, que já é nosso, ó pá!
E você, torcedor lusitano? O que achou da partida? Dê sua opinião! Comente abaixo!
Por Luiz Nascimento





November 2nd, 2011 at 1:56 pm
A imprensa criciumense foi unanime ao considerar este como a melhor partida da Série B. A portuguesa valorizou muito o jogo, principalmente a estrela do Wéverton.
Considero o lance do toque de mão como pênalti. Mas existem várias interpretações, que não vão mudar o resultado do jogo agora.
Esperamos encontrar a lusa tão forte quanto esse ano num futuro breve. Os dois times na série A.
Um abraço.
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Luiz Nascimento Reply:
November 2nd, 2011 at 2:18 pm
@Venson, Olá Venson,
eu estava lendo seu post nesse exato momento e ia até comentar por lá.
Concordo com você e com a imprensa de Criciúma, foi com certeza uma das melhores partidas desta Série B. Acho que foi o jogo mais disputado da Lusa nesse campeonato.
O Criciúma foi um dos times que mais nos deu trabalho. Como eu escrevi no post, um dos poucos que bateu de frente com a Lusa, entrou pra atacar, pressionar, massacrar. A diferença é que a maioria se deu mal, o Criciúma não. Não fosse o Wéverton, a vitória era de vocês, e com muito merecimento.
Se eu pudesse escolher um time para esta quarta vaga, seguindo a linha do merecimento, eu escolheria o Criciúma. Por este jogo de ontem e pela mudança radical de postura depois da chegada do Márcio Goiano. Tenho acompanhado os jogos de vocês pela TV.
Entre Sport, Vitória, Bragantino e Americana, que lutam pela última vaga com vocês, eu jamais escolheria os dois primeiros por fatores de princípios de torcedor. O Braga até que tem história, mas não tem torcida e uma estrutura precária demais. Americana nem digo, time de empresário, de prefeitura, itinerante. Por torcida, camisa e futebol no momento, eu ficaria com o Criciúma.
Que nossos times se encontrem em mais um jogão desses num futuro próximo!! E que seja na Série A!!
Abração!!
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November 2nd, 2011 at 4:51 pm
Durante o jogo, tbm tive a impressão de penalti, mas depois no replay,realmente não pegou na mão do Clayton, foi no pescoço. E ainda tem a vantagem que o juiz não deu,com o tal goleiro na nossa área, que tinha boas chances de terminar em gol.
Mas, enfim, o caneco já é nosso e vai ser oficializado na terça.
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November 2nd, 2011 at 6:27 pm
Dia 08/11/11,toda torcida Raça Lusa – Itararé – SP,irá estar junto com toda a galera Rubro Verde de Sampa para comemorar este titulo.Vai Lusa voce é o time da moda.
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November 2nd, 2011 at 10:19 pm
Quanto ao jogo nada a declarar, pois tudo foi muito bem abordado!
Apenas reitero a grandeza da PORTUGUESA em liberar a atuação do Thiago Silvy….time GRANDE não pode temer adversários, torcida, campo e etc….
VAMOS PARA O TÍTULO na próxima terça-feira.
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November 2nd, 2011 at 10:30 pm
Time campeão é assim, mesmo quando não joga bem, empata ou vence.
Não tenha dúvida que o juiz tinha muita vontade de marcar penalti, é que realmente não foi.
Dá-lhe LUSA!!!!!!!!!!!!!!!!!
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November 3rd, 2011 at 10:57 am
Apenas pra lembrar que numa das subidas do Andrey Fivelinha ao ataque, a lusa conseguiu armar um contra ataque que foi parado com falta, mas que se o grande juiz tivesse dado vantagem, entraríamos com bola e tudo.
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November 3rd, 2011 at 2:44 pm
Concordo com todos os comentários: o empate ficou de bom tamanho para a LUSA. Tudo bem, estamos na série A, o título já está praticamente nas nossas mãos… mas o time as vezes deixa a desejar. Sei que tínhamos desfalques, jogadores improvisados, etc. etc., mas mesmo assim diante de nossa campanha, em diversos jogos nos deixamos encurralar de maneira absurda. Vide Americana, Vitória, Criciuma e mais alguns outros. Já disse isso algumas vezes, nós temos um problema crônico de marcação. Deixamos os adversários a vontade para criar e chutar a gol. Precisamos corrigir isso. Na série A os times não costumar perder tantas oportunidades como perdeu o Criciuma.
Avante LUSA!!!!
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