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Lusa 90 anos: Craques Rubro-Verdes – Parte 2

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8/08/10

Continuamos com o “especial” sobre os principais craques que vestiram o manto rubro-verde durante os 90 anos da Portuguesa. Essa 2ª parte conta com Conrado Ross, Cabeção, Muca, Ditão, Miguel, Luis Pereira, Esquerdinha e Rodrigo Fabri.

  • Anos 20, 30 e 40:

Conrado Ross

Conrado Ross nasceu no dia 8 de agosto de 1908, em Montevidéu. O uruguaio Conrado Ross foi o primeiro jogador estrangeiro a vestir a camisa da Portuguesa. Na época em que o Uruguai era uma das maiores potências do futebol, a Portuguesa vinha despontando como uma força do futebol brasileiro. Conrado Ross estreou na Rubro-Verde em 1923, lembrando que a Portuguesa foi fundada em 1920. Ross foi contemporâneo de craques lusos como o atacante Filó e o arqueiro Mesquita.

O plantel lusitano do ano de 1923 era formado por:

Mesquita, Fonseca, Avancini, Alberto, Conrado Ross, Arô, Filó, Perez, Bassani, Canhoto e Hugo.

Como jogador, Conrado ainda jogou pelo Juventude. Como técnico, dirigiu a Portuguesa na década de 40 e foi vice-campeão paulista de 1940, comandando a equipe formada por:

Rodrigues, Pepino, Oswaldo, Alberto, Fausto, Barros, Guanabara, Charuto, Farah, Arthur e Carmo.

O uruguaio também foi técnico do São Paulo, do Palmeiras, do Guarani de Campinas e do América de Rio Preto.

  • Anos 50:

Cabeção

Luís Moraes, o Cabeção, nasceu no dia 23 de agosto de 1930, em São Paulo. Começou sua carreira de jogador no Corinthians, ainda no juvenil, em 1938. Durante toda a sua carreira pertenceu ao Corinthians, mas sempre foi emprestado à vários clubes, inclusive à Portuguesa, de 1955 a 1957.

Cabeção era um excelente goleiro, mas tinha sua qualidade ofuscada no Corinthians por ter como companheiro de posição o goleiro Gylmar dos Santos Neves, com quem travou verdadeiras batalhas pela titularidade. Pelo Corinthians, foi campeão atuando como titular apenas no Campeonato Paulista de 1951. Chegou a ir à Copa do Mundo de 1954, como reserva de Castilho.

Rezava a lenda que Cabeção não tinha o mesmo desempenho em jogos noturnos, mas foi um goleiro que marcou época no futebol brasileiro, só não ficou mais conhecido por ter sido reserva de Gylmar por tanto tempo no Corinthians.

Mas se Cabeção não tinha espaço no alvi-negro, na Lusa se tornaria ídolo. Cabeção integrou a equipe lusa que se sagrou campeã do Rio-São Paulo de 1955. O time era formado por: Cabeção, Nena, Floriano, Djalma Santos, Brandãozinho, Ceci, Julinho, Ipojucã, Aírton, Atis e Ortega.

Cabeção foi o primeiro goleiro que trocou a cor da camisa (preta por cinza), assim como foi o primeiro a goleiro no Brasil que introduziu luvas, em 1957 (Gylmar foi o primeiro a descartar joelheiras, em 1958).

Muca

Levy Baldassari, o Muca, nasceu no dia 6 de fevereiro de 1927, na cidade de Jacarezinho, no Paraná. Jogava pela Esportiva de Jacarezinho, clube que não mais existe e que foi, por duas vezes, vice-campeão paranaense. Logo começou a chamar a atenção dos clubes do interior do Paraná por seus reflexos, sua coragem e sua elasticidade. Durante uma partida contra a Portuguesa, em Jacarezinho, Muca foi o melhor atleta em campo. Os dirigentes lusitanos contrataram Muca e em troca deram à Esportiva o goleiro Bolívar (que pesava mais de 110 quilos).

Muca foi campeão do Torneio Rio-São Paulo pela Portuguesa em 1952. Conquistou ainda a Fita Azul em 1951 e 53 e a Taça San Isidro de 1951.

Muca jogou pela Portuguesa até 1953. Sua última partida foi marcada pela vitória de 4 a 3 sobre o Linense, pelo Campeonato Paulista, em 20 de dezembro. A Portuguesa foi à campo com:

Muca, Nena e Válter; Djalma Santos, Brandãozinho e Ceci; Julinho Botelho, Renato, Amorim, Atis e Ortega.

Infelizmente, Muca teve uma vida curta, abreviada por um incidente em sua terra natal. Tentando apartar uma briga em um casamento, Muca foi atingido por um pequeno canivete na região da virilha e não resistiu ao ferimento. Levy Baldassari tornou-se nome de rua na cidade de Jacarezinho. No estádio municipal da cidade, há uma placa de bronze em homenagem ao goleiro. Placa essa que foi descerrada por Djalma Santos, outro ídolo lusitano, em uma partida entre veteranos da Esportiva e veteranos de Curitiba, que terminou em 2 a 2.

Nessa placa está escrita uma frase do professor Rodrigo Otávio: “Muca, aquele que viveu a vida que eu gostaria de viver”.

  • Anos 60:

Ditão

Geraldo Freitas do Nascimento nasceu no dia 10 de março de 1938, no bairro do Belém, em São Paulo. Herdou o apelido “Ditão” do pai, que havia sido zagueiro do Juventus, time no qual também iniciou sua carreira.

Foi contratado pela Portuguesa, em 1958, por Cr$ 750 mil e com ordenados de 16 mil cruzeiros. Fez sua estreia no dia 12 de abril, no estádio Ilha da Madeira, o atual Canindé. A Portuguesa venceu o amistoso contra o Juventus por 3 a 1, com gols de Orlando (2) e Ocimar. O time luso era formado por:

Félix, Bruno, Ditão, Juths, Mário Ferreira, Odorico, Hélio, Orlando, Servílio (Alfeu), Ocimar e De Carlo.

Foi vice-campeão paulista em 1960 e conquistou o terceiro lugar em 1964. A equipe lusitana era formada por:

Orlando, Jair Marinho, Ditão, Wilson Silva, Edilson, Pampolini, Nair, Almir, Dida, Henrique e Ivair.

Seu ultimo jogo pela Portuguesa deu-se no dia 16 de dezembro de 1965, em um empate por 1 a 1 com a Prudentina. A Portuguesa foi quarta colocada no campeonato daquele ano e o plantel era formado por:

Félix, Ulisses, Ditão e Edílson; Wilson Pereira e Wilson Silva; Almir, Ademar, Ivair, Nair e Neivaldo.

Sua saída do Canindé foi conturbada, tendo sido negociado com o Corinthians por Cr$ 200 milhões, em 6 de fevereiro de 1966. Na época, comentou-se que o presidente Bizarro da Nave, ao ver que perderia a eleição seguinte para o ex-presidente Mario Augusto Isaías, correu para vender Ditão ao Corinthians.

Ditão disputou três partidas pela seleção brasileira e conquistou a Taça Oswaldo Cruz em 1968.

  • Anos 70:

Miguel

O goleiro Miguel iniciou sua carreira de jogador de futebol no ano de 1969. Nesse ano, ele trabalhava em uma indústria de papelão, que produzia embalagens de produtos de barbearia. Seu maior lazer era jogar futebol. Nos finais de semana, atuava como goleiro de uma equipe do bairro da Vila Prudente, em São Paulo, o Búfalo. Um jogador do Juventus, chamado Antoninho Minhoca, viu o goleiro em ação e decidiu apostar em Miguel.

Miguel teve que deixar o emprego de lado para dedicar-se aos treinamentos, porém, em pouco tempo já estava passando dos juniores para os profissionais do clube da Mooca. Com a camisa do Juventus, indiretamente, Miguel fez o apostador Eduardo Varella tornar-se milionário. Tal fato ocorreu quando o Juventus bateu o Cointhians por 1 a 0, no Pacaembu, em 1971, protagonizando uma das maiores e mais conhecidas zebras da loteria espotiva.

Miguel lembra da conquista do título de campeão paulista em 1973. “Eu não sei como o Armando Marques errou a contagem dos pênaltis. Nós estávamos perdendo por 2 a 1. Quando o Santos converteu a terceira cobrança, os jogadores reservas invadiram o campo para comemorar. Os repórteres foram atrás. O técnico Oto Glória levou rapidamente todos os jogadores da Portuguesa para o vestiário e não deixou ninguém se trocar. Saímos logo do Morumbi para o Canindé. Ele sabia que ia dar confusão. No trajeto até o Canindé ficamos acompanhando o desfecho dessa enroscada. O presidente da Federação, João Mendonça Falcão; da Portuguesa, Oswaldo Teixeira Duarte e do Santos, Rubens Quintas se reuniram e decidiram dividir o título porque não havia mais datas para outra partida”, explicou o goleiro em entrevista ao Site Extra-Oficial da Lusa.

O time da Portuguesa, Campeão Paulista de 1973, era composto por:

Miguel(Zecão), Cardoso, Pescuma, Calegari, Isidoro, Badeco, Basílio, Antônio Carlos, Enéas, Cabinho e Wilsinho.

  • Anos 80:

Luís Pereira

Luís Edmundo Pereira nasceu no dia 21 de junho de 1949, na cidade de Juazeiro, Na Bahia. Iniciou sua carreira no São Bento-SP, onde recebeu o seu mais conhecido apelido, Luis Chevrolet. Mais adiante, outro atleta recebeu um apelido parecido, Beto Fuscão, sem esquecermos de Paulinho McLaren.

O Palmeiras o contratou em 1968 e por lá ficou por muitos anos. Luis Pereira é um dos jogadores que mais vezes atuou pela equipe alvi-verde, somando 568 partidas, com apenas 92 derrotas. Foi o zagueiros que mais marcou gols na história do clube, somando 35 tentos. Luis Pereira foi bi-campeão paulista, bi-campeão brasileiro e campeão da Taça Roberto Gomes Pedrosa.

Luis Pereira foi o primeiro jogador brasileiro a ser expulso por cartão vermelho em uma Copa do Mundo, em 1974, após uma entrada dura em Neeskens. Vale lembrar que Luis Pereira nunca recebeu muitos cartões em sua vida futebolística. Entre 1985 e 1986, jogou na Portuguesa, onde participou da excelente equipe vice-campeã paulista de 1985. Além disso, é ídolo no Atlético de Madrid, clube que defendeu por 6 anos.

Luis Pereira encerrou sua carreira apenas em 1997, quando tinha 47 anos.

Esquerdinha

Décio de Abreu, o Esquerdinha, iniciou sua carreira futebolística no dente de leite do Palmeiras, no ano de 1976, como ponta-esquerda. Chegou à equipe profissional em 1980, mas sofreu muita pressão por ser muito jovem e pela responsabilidade de dar fim à um jejum de títulos do Palmeiras. Em 1981, o Palmeiras estava interessado em Mendonça, jogador da Lusa. A diretoria rubro-verde pediu a transferência de Esquerdinha ao Canindé em troca da liberação do jogador.

Esquerdinha jogou na Portuguesa até o ano de 1987, durante esse período sagrou-se vice-campeão paulista no ano de 1985, comandado pelo técnico Jair Picerni. No ano de 87, o ponta-esquerda foi vendido ao Marítimo, de Portugal. Depois disso ainda retornou ao Brasil, mas atuando por equipes de pouca expressão. Esquerdinha já comandou as categorias infantis da Portuguesa, assim como o time sub-20 do Taubaté, em 2006. No ano de 2010, assumiu a posição de técnico no Juventus.

  • Anos 90:

Rodrigo Fabri

Rodrigo Fabri nasceu no dia 15 de janeiro de 1976 e iniciou sua carreira como jogador na catgoria mirim da Portuguesa. O avô do atleta, Carlos Giolo, foi um dos grandes responsáveis pelo futuro futebolístico do jogador. O avô de Rodrigo o levou para jogar em várias equipes de futebol de sua cidade, Santo André, porém, a equipe que o elevaria no mundo do futebol era também o time de coração do avô do atacante, a Portuguesa de Desportos.

Ele começou a jogar na Portuguesa em 1988, porém, em 1992 quase desistiu da carreira, em função da morte do pai, por infarto. Em 1995, apareceu na equipe principal, conduzido pelo técnico Candinho. Contudo, o treinador deixou o cargo e seus substitutos, Levir Culpi e Valdir Espinosa, não apostaram em seu potencial. No ano seguinte, acabou sendo artilheiro do Campeonato Paulista de Aspirantes, marcando 27 gols.

Mesmo perseguido em campo pelos adversários e sofrendo muitas faltas, foi uma das grandes revelações do Campeonato Brasileiro de 1996 e o maior artilheiro da Portuguesa. Apesar de ter conseguido a classificação para a fase decisiva apenas na última rodada, graças a uma combinação de resultados, a Portuguesa eliminou o Cruzeiro e o Atlético-MG, ambos no Mineirão, e chegou à decisão – feito inédito não só na carreira profissional do atacante, mas também de toda a história da Portuguesa.

Rodrigo Fabri ainda defendeu o Flamengo, o Santos, o Real Madrid, o Valliadolid, o Soprting, o Grêmio-RS, o Atlético de Madrid, o Atlético-MG e o São Paulo. Porém, nunca conseguiu repetir o futebol que apresentou na Portuguesa.

Por Luiz Nascimento.


Fonte:

Livro: Lusa, uma história de amor. De Orlando Duarte.

Livro: Guia dos Craques. De Marcelo Duarte.

http://www.sitedalusa.com/

http://www.miltonneves.com.br/

Arquivo Pessoal.

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7 comentários

  1. Rogerio Santos disse:

    Sensacional !! Muito bom o site e o trabalho de vcs na página dedicada a nossa Lusa.

    Esse é o grande time que aprendi a amar. Espero que essa fase de baixa acabe esse ano.

    [Reply]

  2. Canelada | Portuguesa | Lusa 90 anos: Craques Rubro-Verdes – Parte 1 disse:

    [...] PARTE 2 / PARTE 3 [...]

  3. Zé Mauro disse:

    Luiz, você precisa trocar a foto do Esquerdinha. Essa que você usou, do Futebol Cards, é de outro Esquerdinha, que jogou na Lusa no final dos anos 80. O que veio do Palmeiras é outro. Abraço e parabéns pelo trabalho.

    [Reply]

    Luiz Nascimento Reply:

    @Zé Mauro, Obrigado Zé Mauro, já mudei a foto do Esquerdinha!!

    Saudações Lusitanas!
    Abraços!

    [Reply]

  4. Marco Antonio disse:

    A matéria sobre o goleiro Miguel no time de 73 o ponta era XAXÁ o ponta Antonio Carlos era do America- RJ veio depois.

    Portuguesa: Zecão; Cardoso, Pescuma, Calegari e Isidoro. Badeco e Basílio; Xaxá, Eneas (Tatá), Cabinho e Wilsinho.
    Técnico: Oto Glória.
    Data: 26 de agosto de 1973
    Local: Morumbi
    Árbitro: Armando Marques
    Renda: Cr$ 1.502.255
    Público: 116.156 pagantes (recorde paulista da época)

    [Reply]

  5. Canelada | Portuguesa | Lusa 90 anos: Craques Rubro-Verdes – Íntegra disse:

    [...] PARTE 2(clique aqui): Conrado Ross, Cebeção, Muca, Ditão, Miguel, Luís Pereira, Esquerdinha, Rodrigo Fabri. [...]

  6. charles disse:

    boa noite

    achei sensacional o site de vcs sobre a lusa

    estou escrevendo para fazer duas perguntas:

    1 – voces se lembram da coleção futebol cards?

    2- eu tenho a coleção quase completa e mais de 200 cards repetidos, muitos da portuguesa, bem como de outros clubes, e gostaria de estabelecer contato com os interessados para realizar troca de cards

    meu e-mail para contato é charles.chilo@bol.com.br

    feliz 2011 a todos

    abraço

    charles

    [Reply]

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