Canelada

Home | « Todos os posts do Portuguesa

O que acontece com a Lusa? Dá pra explicar?

por
1/09/10

Há uma rodada de se encerrar o primeiro turno do Campeonato Brasileiro da Série B, a Portuguesa vê-se em uma situação não muito confortável. A equipe, que vinha trilhando um caminho, de certo modo, estável com as mini-metas estipuladas pelo técnico Vadão no início do torneio, começou a se complicar na terceira fase traçada pelo treinador.

A Portuguesa vinha bem  nesta Série B tanto antes da paralização para a Copa do Mundo como após. O aproveitamento da equipe de Vadão beirava os 65%, número ideal para se conquistar o acesso. Porém, quando tudo parecia caminhar bem, após o aniversário do clube tudo mudou. A Portuguesa está há cinco rodadas sem saber o que é vitória. A Rubro-Verde soma 3 derrotas e 2 empates nas últimas 5 partidas.

A torcida busca encontrar os problemas que vem causando esta queda de rendimento da equipe. Uns dizem que se trata da má escalação de Vadão, outros afirmam que o time possui muitas limitações técnicas, enquanto outros falam em falta de comprometimento e vontade de subir à primeira divisão.

Vamos por partes. Não serei hipócrita de criticar o trabalho de Vadão, já que fiz vários elogios à ele enquanto a Lusa alcançava as vitórias, e não eram elogios baseados apenas nos resultados. Volto a dar minha opinião de que Vadão deu uma flexibilidade tática a essa equipe que há muito não se via. Penso que foi muito importante a adaptação da equipe ao 4-4-2, que estava em desuso pelos lados do Canindé há alguns anos.

Quando a Portuguesa jogava em casa com 3 zagueiros, mesmo obtendo bons resultados, alguns torcedores criticavam muito o esquema 3-5-2. Porém, Vadão conseguiu mudar essa mentalidade que vinha se instaurando no Canindé. A grande questão é que a Portuguesa talvez não tenha um elenco preparado para atuar neste esquema.

Na zaga, hoje, podemos dizer que apenas Thiago Gomes tem lugar garantido. Enquanto ele vinha fazendo dupla com Preto Costa, no 4-4-2, a Lusa vinha bem. Claro que ambos apresentam limitações, mas desempenhavam seu trabalho. Domingos é um jogador que se encaixa muito melhor em um esquema com 3 zagueiros, já que não precisa tanto sair jogando, com a bola trabalhada e também porque não fica tão sobrecarregado, abrindo espaços para suas costumeiras faltas. Maurício parece ainda não estar preparado para ser titular do time luso.

Acontece que Preto Costa se machucou, Domingos formou dupla de zaga com Thiago Gomes contra a Ponte Preta e contra o Bahia. Contra a equipe campineira, Domingos não conseguiu resguardar o setor direito, por onde a macaca venceu a partida. Sem contar que o zagueiro perdeu a cabeça em ambos os jogos, cometendo pênalti nos dois. No primeiro, não foi expulso pelo árbitro por um “favor”, no segundo foi para a rua.

Quando falo da capacidade lusa em jogar no 4-4-2 não me refiro apenas à defesa. Os alas da Portuguesa têm característica de apoio, “descem” muito ao campo ofensivo, são jogadores de linha de fundo. Tanto Paulo Sérgio como Fabrício atacam muito mais do que marcam. Porém, no 4-4-2 a Portuguesa, teoricamente, ficaria muito mais dependente do meio-campo, já que os alas ficariam encumbidos de resguardar o setor defensivo. Mas vale lembrar que os dois jogadores não apresentam uma estabilidade tecnica nas partidas.

Na meia, Athirson é o único armador de ofício e qualidade do elenco. O jogador está contundido e sem boas previsões de volta. Héverton foi deslocado à meia após a chegada de Dodô, vale lembrar que essa é sua posição de origem, mas percebemos que seu futebol “some” nesta função.  Portanto, o setor intermediário fica preso, sem qualidade e sem criatividade, não há a ligação defesa-ataque.

Vendo esse problema, Vadão chegou a escalar Fabrício na armação. O lateral-esquerdo até que rendeu bem nesta função, é talvez o único com capacidade de substituir Athirson na posição, embora sem a mesma qualidade. Com isso, Romano tem que ser escalado na ala esquerda, lembrando que o mesmo tem características muito mais defensivas. Marco Antônio voltou à meia há pouco tempo, mas ainda não está com ritmo ideal de jogo. Ele já deu mais qualidade à equipe, mas ainda não está em sua melhor forma.

Já no ataque, a Lusa vinha sofrendo demais com Kempes, que não tem qualidade para ser titular. Ao seu lado estava Dodô, que em sua idade precisa de um parceiro que apóie, a equipe não pode depender apenas dele. Com a chegada de Zé Carlos, o ataque luso ganhou um ponto de referência, um jogador de finalização. Sem contarmos com Luis Ricardo, que traz muita velocidade e movimentação ao ataque luso, mesmo com suas limitações tecnicas.

Enfim, o problema da Lusa é complexo. Como sempre tem vários desfalques para escalar a equipe, Vadão vem fazendo o que pode. O melhor jogador da equipe vem sendo o goleiro Wéverton, e isso já não é um bom sinal. A zaga mostra muita instabilidade, já que nunca é a mesma. As alas idem, por vezes Romano atua pela esquerda, em outras oportunidades é Fabrício.

Em alguns jogos os laterais têm que apioar mais, em outros ficam mais defensivos. A meia continua sendo o maior problema, não há um jogador com criatividade, não há um armador. O jogo fica amarrado no meio-campo, com 2 volantes e um meia quase que improvisado. Com isso, o ataque não tem oportunidades de fazer seu trabalho, já que as chances são mínimas. Mas mesmo assim ainda vemos uma Portuguesa que perde muitos gols.

Quanto às escalações e atitudes de Vadão, confesso que não concordo com algumas substituições que ele faz ou com o tempo que ele demora a fazê-las, mas confesso que não podemos esperar muito dele com o elenco que tem em mãos. São muitos desfalques e poucas substituições de qualidade.

Quanto à faltar vontade aos jogadores é um fato que vem preocupando nessas útlimas partidas. Não posso aqui afirmar que eles não jogam com amor à camisa e que não estão preocupados com o acesso pois não sei, não vivo o dia a dia deles. Porém, a imagem que vem sendo passada nesse quesito não é nada boa. Enfim, precisamos reencontrar os caminhos da vitória e nos adaptarmos com as qualidades e as deficiências que temos em mãos da melhor forma possível.

Por Luiz Nascimento.

 

5 comentários

  1. Ricardo Burgos disse:

    Abordou muito bem o inexplicável contexto que vivemos!
    Espero que as respostas começem ou voltem a vir do campo, no próximo sábado!
    Abraços.
    Ricardo Burgos.

    [Reply]

  2. Adir Tavares disse:

    Minha opinião.
    Na segunda Guerre mundial, vários clubes que representavam colônias estrangeiras no Brasil tiveram que mudar de nome por seus países apoiarem o chamado Eixo. Veja o caso do Palmeiras, hoje você olha para a arquibancada e vê todo tipo de raça torcendo para o time “italiano”, quem acreditaria que um negro torceria um dia para Palmeiras, São Paulo, Fluminense, Cruzeiro, Inter RS etc?
    Se a Lusa tivesse ao menos colocado o nome REAL antes de Portuguesa de Desportos, hoje seria um time com muito mais torcida, REAL seria o time dos novos torcedores, nem lembrariam de piada de português. Duvido alguém convencer um garoto torcer para a Portuguesa.
    Abracetas

    [Reply]

    Luiz Nascimento Reply:

    @Adir Tavares, Olá Adir,

    desde que me conheço por gente ouço e presencio essa discussão, entre nossa torcida, sobre a mudança de nome da Portuguesa. Eu, particularmente, sou totalmente contrário a mudar o nome da Associação Portuguesa de Desportos, pois assim penso que acabaríamos com toda a identidade e origem do clube.

    Porém, sempre disse à amigos lusitanos que, não seria contrário à um aditivo no nome, tal qual você sugere. Acho que eu ainda teria alguma resistência à essa mudança, mas considero mais viável. Concordo com você nos termos de torcida e todas as consequências que isso representa. Acho que, se for para mudarmos de nome, que seja um aditivo ao nosso nome original, “Real Portuguesa” como você sugeriu.

    Não perderíamos nossa identidade e originalidade e ainda atrairíamos torcedores. Mas também não podemos deixar de lado outro fator que contribui diretamente com a adesão de novos torcedores…times competitivos e títulos.

    Um grande abraço,
    obrigado por visitar o blog,
    Luiz Nascimento.

    [Reply]

  3. Egas Muniz disse:

    Voce se esqueceu de mencionar que o Fabrício foi contratado como meia, e acertou ao escrever que o problema da Portuguesa é complexo, sim a 90 anos ela tem o complexo da INFERIORIDADE.

    [Reply]

    Luiz Nascimento Reply:

    @Egas Muniz, Olá Ergas,

    sim, lembro-me bem, o Fabrício foi contratado como meia-atacante, tinha se destacado com alguns belos gols na campanha de acesso do Monte Azul à Série A1 do Paulistão.

    Porém, foi como o Edno quando chegou, rodou em várias posições. Não convenceu como meia logo de início, tanto é que ficou no banco por um longo tempo, até que em alguns determinados jogos o Benazzi, se não me falha a memória, colocou ele na ala e deu certo.

    Mas tenho minhas dúvidas e minhas restrições quanto ao futebol dele, tanto na ala quanto na meia, apesar de preferir vê-lo nesta segunda opção. Mas é como escreví no post, o Athirson é bem melhor armador que ele.

    Quanto ao complexo de inferioridade, infelizmente, concordo. Mesmo porque quando chegamos perto de conseguirmos algo, morremos na praia. Como nos dois últimos Campeonatos Paulistas e na última Série B, não sabemos decidir, desacostumamo-nos com as decisões.

    Um grande abraço,
    obrigado por visitar o blog,
    Luiz Nascimento.

    [Reply]

Gostou? Não? Comenta aí: