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Apanhou no gramado, bateu no placar e quebrou o tabu

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22/09/13

Sai, zica! Xô, urucubaca! Adeus, má fase! A vitória da Portuguesa sobre o Inter em Novo Hamburgo foi de lavar a alma. A Rubro-Verde não sabia o que era vencer fora de casa desde o ano passado, quando bateu o mesmo Colorado por 2 a 0 – naquele que foi o jogo da salvação do rebaixamento. Este 1 a 0 com gol de Wanderson – e participação magistral de Diogo – quebra mais um estigma na era Guto Ferreira: a vitória fora de casa. E o tão cobiçado triunfo veio em um jogo duro, pegado, onde os jogadores lusos apanharam dentro das quatro linhas, mas bateram no único lugar que importa: o placar.

Essa partida contra o Inter seria apenas o primeiro desafio de uma dura sequência de três jogos fora de casa. Vencer a equipe gaúcha representaria tanto uma motivação a mais para encarar o Corinthians e sua torcida em Campo Grande – graças a imbecilidade e pequenez dos interesseiros e amadores homens que dirigem o clube – quanto um gás para a ida a Belo Horizonte pegar o líder Cruzeiro na sequência. Os três pontos seriam importantes para distanciar o time da degola, criar uma certa gordura e dar mais tranquilidade para as decisões que estão por vir. A vitória veio. Agora resta que tudo isso saia do campo teórico e aconteça na prática.

Assim como foi vencer o Inter. Não se pode dizer que foi uma partida extremamente complicada, porém, também não foi uma vitória tranquila. “Já que só perdemos fora de casa, que dessa vez a gente perca atacando, buscando jogo, jogando como a gente joga no Canindé” era o que bradava Souza na saída do intervalo. O primeiro tempo pode ser resumido assim, como uma tentativa da Lusa de se impor. Porém, talvez pelo costume, as linhas de ataque e de meio-campo ainda jogavam muito recuadas e chamavam o Inter para o ataque. Raras eram as descidas da Portuguesa com boa articulação.

Fato é que para isso acontecer a Lusa teve de suar. Ou melhor, apanhar. O Inter de Dunga tem uma dificuldade enorme para criar – só não pior por causa de D’Alessandro. Porém, a fragilidade que chama a atenção mesmo é na marcação. É um time que não deixa o adversário jogar. Até porque vai parando o rival na base das faltas. E não são as famosas “faltas técnicas”. São faltas duras. E as coisas parecem ter mudado tanto pelos lados do Canindé que até a malícia já joga a favor da Rubro-Verde. Henrique, atacante luso que ainda não mostrou muita bola, foi o alvo e o motivador das sarrafadas que fizeram Índio ser expulso de campo no começo da etapa final.

E, mesmo assim, a Lusa ainda sofreu um pouco. Por incrível que pareça o Inter teve seus melhores momentos na partida logo após ficar com um jogador a menos. Isso em uma sequência de escanteios e faltas em torno da área lusitana. A Portuguesa foi conseguir impor seu ritmo ao jogo quando Guto Ferreira decidiu mudar. Henrique, o homem que esteve em campo para cavar a expulsão, deu lugar a movimentação de Bérgson. Moisés, que até então estava apagado, saiu para a entrada do preterido Cañete. E Souza, já cansado e sem perna, foi substituído pelo homem-gol do dia: Wanderson. Só aí a Rubro-Verde passou a ter mais toque e domínio de bola.

E as coisas realmente mostraram ter mudado quando, em vez de tomar, a Lusa fez seu gol nos últimos minutos. Diogo foi ao fundo pela direita – o corredor das melhores jogadas da Portuguesa – e deu um cruzamento açucarado, perfeito e milimétrico, colocando a bola na cabeça de Wanderson, que meteu no fundo das redes sem dó e sem dar chances ao goleiro Muriel. E se não se imaginava mais mudanças, uma importantíssima: maturidade. Passou dos 40 do segundo tempo ganhando, o jogo acabou. O time aprendeu a cozinhar. Leva para o ataque, troca passes, cava falta, chuta pro mato, faz hora, evita jogo. Foi isso, segurou-se sem sustos.

A primeira vitória da Lusa fora de casa, a sétima neste Campeonato Brasileiro, representa a mudança que Guto Ferreira implementa no clube. O principal abacaxi que ele ainda não havia conseguido descascar era justamente esse – vencer fora. Com lusitanos torcendo o nariz, Glédson foi titular e fez talvez sua melhor partida com a camisa lusa. Rogério foi novamente improvisado na esquerda, mesmo após uma excelente estreia de Bryan na partida anterior, e não comprometeu. Wanderson entrou, perdeu um gol feito, tinha tudo pra ser xingado durante a semana, mas fez queixos caírem com seu gol. Até Henrique, que já é visto como alguém que precisa mostrar muito com a bola nos pés e que não jogou bem, foi crucial.

Ou seja, na vitória de lavar a alma, os mais contestados foram protagonistas. Menção honrosa a Diogo, que vem jogando muito e sendo o motor do time. E os puxões de orelha vez ficam por conta da criancice de dois jogadores: Moisés Moura e Luis Ricardo. Amarelados infantilmente. O segundo talvez até mais grave, já que fica de fora do clássico do próximo final de semana. A Lusa não venceu por um nó tático ou por dar uma aula de bola, mas venceu porque jogou aquilo que precisava jogar, principalmente por não ter tido medo e nem desespero – os erros de passe, por exemplo, diminuíram bastante.

Como disse Guto Ferreira na entrevista coletiva, a festa tem que ficar no Sul. Chegando a São Paulo é cabeça no lugar, foco no Corinthians e trabalho duro. A distância para a zona de rebaixamento pode diminuir o desespero, porém, jamais tranquilizar. Que esta partida contra o Internacional, onde quem mais apanhou acabou batendo, seja reflexo daquela do ano passado. Que seja a fagulha de que a Lusa necessita para mostrar o seu real futebol tanto dentro quanto fora do Canindé. Sem medo, porém, sem empolgação. Sem desespero, porém, sem relaxamento. Parafraseando o treinador, “as mentiras estão se tornando verdade”. E que venha o Corinthians!

E você, torcedor lusitano? O que achou da primeira vitória fora de casa? Dê sua opinião! Comente abaixo!

Por Luiz Nascimento

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14 comentários

  1. Francisco Alexandre Dos Santos Sobral disse:

    mas os jornalistas do sportv disseram que a LUSA não tinha nimguem pendurado…

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  2. Alberto Dos Santos Lazaro Jr. disse:

    Bom esta não seria a primeira se houvesse 100% de honestidade no apito e infelizmente a CBF vinha nós prejudicando em alguns jogos e não só fora, mais enfim merecida e com o time mostrando aquilo que o torcedor mais gosta em campo, VONTADE E RAÇA, e acreditando no potencial que tem, nosso time hoje tem grandes jogadores com qualidade para joar em qualquer time grande do Brasil e somos grandes e sempre temos que pensar grande, só lastimo é nosso presidente vender mandos, era jogo para a torcida lotar o Canindé após esta vitória mais o Lupa, grande Lupa faz estas coisas como se isto fosse nós salvar dos problemas financeiros que ele mesmo tem grande culpa, enfim acredito no time e no elenco atual, parabéns ao time todo e aos que entraram hoje e deram conta do recado mostrando isto, e em especial ao Gledson que mostrou que bem fisicamente é sim um grande goleiro, valeu Lus!

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  3. Ricardo António Torres disse:

    Grande Luiz Nascimento, ESPETACULAR a sua resenha. ÓTIMA e FIEL, só lhe pederia para alterar um "a" … "o" (time) RUBRO VERDE, e não "a" RUBRO VERDE. rsrsrs … qto ao próximo adversário, para mim não mete medo algum, pois está jogando uma bolinha bem pequena, quem é grande é sua torcida, o time tá pequenininho, é só SOMAR +3 pontos na tabela da LUSA!!! Um forte abraço, e continue esse ÓTIMO trabalho. Ricardo Torres.

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  4. Adalberto Ribeiro disse:

    Grande vitória! Agora é se preparar para o "jogo da vida" contra a gambazada lá no Mato Grosso. Se emplacar mais uma vitória é bem capaz de terminar a rodada entre os 10 primeiro colocados. Pena que a diretoria tenha vendido o mando, mas espero que pelo menos ela use uma parte dessa receita para dar uma "turbinada" no bicho dos jogadores. Esse jogo é crucial e se a Lusa ganhar me arrisco a dizer que afasta de vez o risco de rebaixamento e se credencia a pensar em objetivos mais nobres dentro do campeonato.

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  5. Bina Cunha Roxo disse:

    foi belissimo

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  6. Ricardo Burgos disse:

    PERFEITA a análise Luiz!!!!!

    E como é bom ganhar como PORTUGUESA, se impondo, sendo competitiva!

    Sou totalmente contra venda de mandos mas já que é essa situação, temos de ganhar em qq. lugar!!! A PORTUGUESA precisa de todos nós!!!

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  7. Joao Alexandre Alves de Freitas disse:

    estaríamos bem melhor se alguns dirigentes idiotas não tivessem jogado 9 rodadas no lixo, que venham os matadores de boliianos, ops, gambás.

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  8. Luiz Nascimento disse:

    Então, Francisco, baseei-me no que disse o Antônio Quintal, na Equipe Líder, durante a transmissão… Foi, inclusive, um dos argumentos dele para justificar a infantilidade do Luis Ricardo no lance… Saudações Lusitanas! Abraço!

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  9. Luiz Nascimento disse:

    Muito obrigado, Ricardo! Também acredito em um bom resultado contra o Corinthians. É preciso jogar como jogou contra o Inter. Buscando se impor, sem medo, jogando pra frente. Vamos conseguir! Abraço e muito obrigado por prestigiar o blog!

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  10. Luiz Nascimento disse:

    Com certeza, João. O aproveitamento do Guto a frente do time nos colocaria, com tranquilidade, na primeira metade da tabela de classificação. Mas, fazer o quê? Vamos escapar! Abraço e obrigado por prestigiar o blog!

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  11. Luiz Nascimento disse:

    Quanto a venda do mando de campo, assino embaixo! Seria ótimo enfrentar o Corinthians no Canindé, ainda mais com o momento que a Lusa vive. Porém, como sempre, nosso maior rival está dentro do próprio clube. Quanto ao time, tem que jogar sempre assim, onde for. Tentando impor seu jogo, indo para cima, sem medo. É assim que começaremos a vencer fora e é assim que escaparemos da degola. Abraço e obrigado por acompanhar o blog!

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  12. Luiz Nascimento disse:

    É, Adalberto, o pior é pensar que o destino desse dinheiro – cujo montante é tratado sem qualquer transparência pela diretoria – sabe-se lá qual será. A mentalidade da direção do clube é das mais atrasadas no futebol brasileiro. Porém, ainda assim, na base da competência de nosso treinador e da entrega de nosso elenco, estamos escapando! Obrigado por prestigiar o blog! Abraço!

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  13. chris antonio porto de siqueira vieira disse:

    será q ganhou pq nao jogou de branco?? e contra o Corinthians tbm nao vai jogar de branco… e pode ser q tbm não jogue contra o Cruzeiro …. abração

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  14. Eduardo disse:

    Belíssima crônica do que foi a partida. Nossa sequência de jogos -e continua sendo- duríssima, por isso os 3 pontos no Sul foram ainda mais importantes para gerar essa “gordura” na classificação e dar confiança ao time. Dada a dificuldade dos próximos 3 jogos, se somarmos 4 pontos em 9, já acho satisfatório. Tá com pinta que vamos escapar!

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