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Muitos problemas, poucas alternativas e nenhuma esperança

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1/08/13

Sofrer o gol de empate nos últimos instantes de uma partida, por si só, já é desolador. O torcedor sai do estádio, desliga a TV ou abaixa o volume do rádio coberto de revolta e desilusão. É ter a vitória suada nas mãos e senti-la fugir por entre os dedos sem nada poder fazer. O 1 a 1 sofrido pela Portuguesa diante do Criciúma na noite da última quarta-feira (31) torturou o torcedor luso com requintes de crueldade. Os sentimentos de revolta e desilusão do lusitano se potencializaram ao passo que ele percebeu, acompanhando o jogo, que os problemas da Rubro-Verde são muitos.

Ficou claro que Guto Ferreira, o qual desembarcou no Canindé dois dias antes da partida e que não pode ser responsabilizado pelo empate com sabor de derrota, tem inúmeros problemas para solucionar. E, para piorar ainda mais, a Lusa precisa de alguns ingredientes que o próprio treinador não pode dar. São competência da diretoria. Ou seja, fica o sentimento de que talvez não haja tempo ou meios para se fazer o que uma permanência na elite do Brasileirão exige.

Guto acertou sua vinda para a Lusa na noite de domingo, foi apresentado à imprensa na segunda-feira a tarde e já teve de assumir o banco de reservas na quarta a noite. Não teve tempo para conhecer de perto o elenco que tem em mãos, as condições técnicas da equipe titular e muito menos as escassas opções de banco. A principal novidade talvez tenha sido a volta de Luis Ricardo ao onze que começou o jogo e a presença de Moisés – cria de Luis Iaúca e, por isso, deixado de lado por Edson Pimenta – como opção entre os suplentes. A escalação titular pouco variou daquela que já vinha atuando e o que se viu foi um reforço do que já se via.

Em campo, duas equipes frágeis tecnicamente e que lutam contra o rebaixamento. Um jogo de seis pontos onde a qualidade era nivelada por baixo. De um lado um Criciúma com a cara de Vadão, seu técnico. Fechada, compacta, bem postada defensivamente e que explora os contragolpes pelos lados do campo. De outro uma Portuguesa que tentou impor seu ritmo de jogo no início tanto do primeiro como do segundo tempo, mas que esbarrou na falta de um pensador no meio, de um apoiador na esquerda, de qualidade no passe e de vontade de vencer.

Comecemos pelo meio. Não há como atuar contra um time fechado tentando chegar ao gol adversário pelo meio do campo. Ainda mais quando não se tem um setor de armação. Ali havia Ferdinando, Bruno e Corrêa como volantes, marcadores, e apenas Cañete na articulação. Um Cañete, diga-se, muito abaixo da média. Jogou muito, mas muito mal. Nada produziu. Já as alas, caminho certo contra retranca, contavam com um problema de cada lado. Na direita um Luis Ricardo marcado por três, já que não há mais bobo no futebol e qualquer um sabe que hoje ele é o mais qualificado do elenco luso. Na esquerda, Rogério. E creio que quanto a essa posição não precisamos dizer mais nada.

Taticamente, como já era de se prever, viu-se poucas mudanças frente à Lusa de Edson Pimenta. Natural para uma primeira partida. Nas substituições, pouco avanço. Jean Mota, que Guto certamente passou a conhecer melhor, foi deprimente. Moisés, tirando sua mobilidade enferrujada e sua certa dificuldade no domínio de bola, deu uma pequena encorpada no meio luso. Mas, tornemos a lembrar: ele é volante improvisado como meia. A outra substituição, a entrada de Neílson, unido ao péssimo rendimento de Jean Mota, podem ter contribuído para a Lusa sofrer o empate.

Assim como a “calaçada” de Lauro. Porém, a culpa pelo empate não é só dele. Não é só de Jean Mota. Não é apenas de um ou de outro. É de um conjunto de fatores. A Portuguesa ainda mostra a mesma imaturidade dos tempos de Pimenta. Não sabe jogar com vantagem no placar. Não sabe amarrar o jogo. Não sabe tocar a bola. É intranquila, nervosa, afobada. Segue errando muitos passes e dando a bola de bandeja para os adversários. Quantas foram as bolas que cruzaram a boca do gol luso na segunda metade da etapa final? Várias. O gol só não saiu antes por incompetência dos homens de frente do Criciúma.

Repito: é uma soma de deficiências. Falta um zagueiro de qualidade, um lateral-esquerdo de ofício e alguém que pense o jogo pela meia. Falta muita organização tática na defesa. Falta qualidade na troca de passes. Falta treinamento na bola parada. Falta maturidade na vantagem e no final de jogo. Falta a tranquilidade que a boa fase traz. E falta o mais complicado: vontade de vencer. E como conseguir isso? Em primeiro lugar, pagando os salários em dia. Sem isso, nada se pode exigir. Nada.

Guto Ferreira pode dar jeito em grande parte dessas deficiências. Porém, precisará de tempo – sendo que agora tem uma maratona de jogos no meio e no fim de semana -, trabalho, paciência e, principalmente, apoio da diretoria. Isso é o pior. Precisa-se de reforços e salários em dia. Para ontem. E, como se não pudesse piorar, já temos 10 rodadas passadas e muitos pontos jogados fora. Por isso, mais do que pela ducha de água fria de um gol no último minuto, é que o torcedor luso acordou nesta quinta-feira com a sensação de que a esperança de permanecer na elite do Brasileirão está morta.

E você, torcedor lusitano? O que acha disso tudo? Dê sua opinião! Comente abaixo!

Por Luiz Nascimento

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5 comentários

  1. Artur Vieira disse:

    já estamos na série B.

    [Reply]

  2. Glaucia Rodrigo Guilho disse:

    Perfeito Luiz Nascimento. Assino embaixo!

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  3. Sergio Lidio disse:

    estou desolado..

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  4. Herminio Fernandes disse:

    Perfeito…sera quase impossivel tirar o prejuizo de nao ter um treinador desde janeiro…reforcos nao virao….tera que se virar com o que temos…mas uma coisa e certa se manter este time que começou ontem cairemos com certeza…

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  5. Joao Alexandre Alves de Freitas disse:

    só mais 2 coisas, o Lauro, um lance antes do gol de empate, podia ter segurado a bola, rolado no chão, até ter tomado um cartão amarelo por cera, mas não, deu um chutão para a frente , e na seguência ainda toma o gol em chuveirinho na pequena área, e o atacante do Sta Cruz , teve 2 bolas, mano a mano com o beque , uma em cada tempo, e ficou pensando o que fazer com a bola, perdeu a bola, é claro.
    sem salários em dia não tem empenho e somando a baixa qualidade dá nisso, que vimos ontem.

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