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O antídoto contra todos os males

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1/09/13

Héber Roberto Lopes subiu ao gramado do Canindé. Conforme alguns foram percebendo a presença do árbitro e outros tomando conhecimento naquele momento de que seria ele o dono do apito, iam surgindo os xingamentos. Se por um lado havia lusos relembrando as garfadas contra – pelo menos – Botafogo e Vasco no ano passado, havia também os já costumeiros pessimistas que diziam: “com esse cara apitando, hoje não vai dar”. Tamanho era o descontentamento que os torcedores davam a tradicional volta no estádio rumo ao gol da Marginal homenageando o juiz com cânticos de “ladrão, ladrão, ladrão” antes mesmo de o jogo começar.

Se a fraca e omissa diretoria não teve força ou capacidade de sequer fazer barulho com a presença do árbitro em um jogo da Lusa, o time tratou de mostrar em campo como se “quebra as pernas” de juízes, de adversários e até do tal psicológico que vem atormentando a equipe: com bola na rede. Foi como se o time houvesse cansado de chegar aos intervalos de partida sem marcar gols, ouvindo de todos que “se fosse para os vestiários com 3 a 0 não seria nada absurdo”. Avassaladora após o primeiro sopro de Héber no apito, a Portuguesa marcou três gols em apenas sete minutos e ali já decretava sua vitória sobre o Bahia, no mais importante dos três jogos contra o Tricolor da Boa Terra nos últimos dez dias.

A Rubro-Verde teve um começo fulminante e, com uma troca de passes estonteante, simplesmente desnorteou a defesa baiana. Moisés Moura abriu o placar de cabeça logo no primeiro minuto, aparecendo livre entre os zagueiros. Três minutos depois, de tão perdida em campo, a zaga tricolor cometeu um pênalti pra lá de infantil, que Gilberto converteu com convicção. Aos sete minutos, o mesmo Gilberto completaria a trinca após um belo passe de Rogério. O cronômetro não marcava nem 10 minutos de bola rolando e a Lusa já tinha a fatura praticamente liquidada com 3 a 0. Cristóvão Borges logo tratou de fazer sua primeira substituição, trocando de atacantes – contundido rapidamente.

O Bahia tentava dominar a bola, mas os jogadores lusos adiantavam as linhas de marcação, davam combate no campo de ataque e roubavam já saindo na cara do gol. Pelo menos duas chances claras de ampliar ainda mais o placar foram desperdiçadas. Na base da marcação cerrada e da rápida troca de passes a Lusa comandava o jogo com tranquilidade. Chegou a recuar na primeira etapa? Chegou. Porém, sem perder o controle. Na base do contragolpe perigoso e que nitidamente desesperava a defesa baiana, seguia por cima. Souza e Diogo mandavam no jogo. O primeiro armando, fazendo a ligação e participando de forma ativa dos três gols. O segundo mostrando uma disposição incrível e fazendo tudo: marcava, armava, apoiava, finalizava e apanhava.

O intervalo veio e, com ele, um sentimento até então não experimentado pela torcida lusa neste campeonato: o placar do primeiro tempo traduzia o futebol jogado. Porém, em um clube onde nunca se pode achar que as coisas estão resolvidas, a própria euforia dá as caras com uma pulga atrás da orelha. E a parte física? E a queda de rendimento no segundo tempo? E o árbitro? E o azar dos placares injustos? E os empates e viradas inacreditáveis? Tudo isso pode até ter tido vontade e chance de aparecer na etapa final, porém, a noite era de aprender a receita do antídoto contra os males que rondam o Canindé nessa temporada, não de decepção.

O time voltou mais contido. A ofensividade, a velocidade e a marcação apareceram em menor dose. Se no primeiro tempo a Lusa dava espaços ao Bahia para ser letal no contra-ataque, no segundo encaixar uma jogada de perigo se tornava mais difícil. O primeiro gol do Bahia veio como um alerta de que não se podia baixar a guarda. Tanto que a Portuguesa acordou logo em seguida marcando o quarto, quando Bérgson entrou e já mandou pro fundo do gol. Faltou perna tanto para Souza quanto para Diogo. E Ferdinando já não acompanhava as investidas do Bahia. Tudo isso pesou para que o segundo tempo fosse mais morno.

No entanto, já estava feito. Como disse Guto Ferreira, a Lusa criou uma boa gordura no primeiro tempo. Gordura capaz de compensar a queda de rendimento físico, a mudança de postura do adversário, a falha da defesa como no segundo gol tricolor, a falta de peças de reposição e até mesmo qualquer tendência do árbitro a prejudicar – e ele bem que tentou. A receita do antídoto contra todos os males que assombram a Rubro-Verde no campeonato foi tão perfeita que – mesmo impondo-se e goleando – saímos do Canindé totalmente cientes de que todas as jogadas adversárias requerem concentração, de que há limitações a serem constantemente superadas, de que em nossa situação toda boa oportunidade precisa ser agarrada com unhas e dentes, de que a euforia é bem vinda, porém, passageira e de que o próximo jogo é sempre o mais importante do ano. Esperançosos, sim. Iludidos, jamais. Que venha a Ponte!

E você, torcedor lusitano? O que achou de goleada lusitana? Dê sua opinião! Comente abaixo!

Por Luiz Nascimento

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6 comentários

  1. Manuel Gonçalves Ribeiro disse:

    Era para ir no jogo mas, é tanto desânimo que acabei não indo, pelo PFC vi o jogo e não estava acreditando no que via, realmente encheu-me de alegria, tanta tristeza que passava nos últimos jogos, era difícil até para dormir, mas aí compensou este jogo, foi uma bela opção do GUTO essa de pensar só no Campeonato Brasileiro, essa sul americana vai levar alguém para a série B, gostei do time mas, ainda temos falhas que , acredito , com o tempo vão ser sanadas, no momento que o time se firmar, nossa torcida, sofrida, mal tratada, naturalmente estará voltando. Não acredito que cairemos, mas temos que manter o foco. GOSTEI MUITO.

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  2. Rodrigo Guilhoto disse:

    Perfeito Luiz !

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  3. Anderson disse:

    Se derem um zagueiro descente pro Guto jogar, garantimos até vaga na Sul americana.
    O Bahia tá em 7º e o time é muito ruim.
    Temos tudo para ficar na séria A, acho que ontem foi o começo do novo campeonato da LUSA!!

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  4. Joao Alexandre Alves de Freitas disse:

    quarta eu vou.

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  5. Chris Antonio Porto de Siqueira Vieira disse:

    Ótimo texto! Vamos ganhar da Ponte!

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  6. Humberto Tambor disse:

    Na quarta tem que manter a pegada, um jogo muito importante para sair do Z4, espero que os torcedores apareçam! Eu vou!

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