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O cabalístico jogo de Lauro

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8/08/13

Depois de a Portuguesa ter mostrado um bom futebol na Boa Terra, apesar do injusto placar, a curiosidade de ver como a Lusa se portaria diante do Flamengo era grande. Quase que não tão grande quanto meu sono após um dia que havia começado cedo demais. As 21 horas pareciam não chegar e, quando o juiz soprou o apito pela primeira vez, acreditei que enfim despertaria. Ledo engano. E, não me perguntem por que, essas novas arenas, por mais que sejam maravilhosas, me dão tédio. O Mané Garrincha – que me perdoe o gênio das pernas tortas, o qual não tem nada a ver com isso – não foi exceção.

Não sei se era o sono, mas a bola não parecia rolar quando estava nos pés dos jogadores lusos. Parecia rastejar. Uma zaga lenta, um meio pregado, vários erros de passe e pouca produtividade. Finalizar, nem pensar. O ex-técnico da Canarinho, como bem disse na entrevista antes da peleja, acompanhou o futebol da Lusa contra o Vitória e tratou de evitar os mesmos erros dos baianos. O Flamengo trocava passes com facilidade e velocidade, criava suas chances e perdia muitos gols. Como a Rubro-Verde no Barradão. Foi assim durante todo o jogo. Poucos foram os momentos de real equilíbrio.

O sono, que diminuiu um pouco pelo nervosismo de ver o time amarrado, quase me convenceu de que no dia seguinte dormir teria sido mais importante que o placar da partida. Ainda mais quando Ferdinando teve uma síndrome de vaca-louca dentro da área. Ledo engano novamente. Mas, cá entre nós, ficar com um a menos, levar um gol e ter de se encontrar em campo com 10 sendo que com 11 já estava difícil, não dava muitas brechas para a esperança de algo que não aquilo que já era rotina: a derrota.

Tal qual o espírito de todo torcedor luso, fui teimoso. Levantei do sofá – seja pelo nervosismo, seja para evitar o sono – e assisti metade da segunda etapa de pé. Pouca coisa mudava. Por mais que Diogo tenha dado um pouco mais de vida ao time, senão na técnica, mas na vontade. Os minutos finais aproximavam-se e com eles a certeza de que a sensação de mudança, de que as coisas enfim iriam mudar, era pura ilusão.

Confesso: quando, no último lance da partida, Lauro foi pra área tentar o cabeceio, xinguei mentalmente. Aqueles momentos bem passionais, de emoção do torcedor, mas que tinha lá sua ponta de razão. Senão por esse jogo, pelos anteriores. Pela “calaçada” contra o Criciúma e por aí vai. Na hora do nervoso pensei: “isso nunca dá certo”, “coisa inútil pra caramba”, “querem mostrar vontade agora e não acordaram o jogo todo” e “defender que é bom, não defende”.

E Lauro calou este ignorante que vos escreve. Como poetizaria Fiori Gigliotti: balão subindo, balão descendo, cabeeeeeeça na bola e… gol! Era gol! Era o empate da Lusa no último lance. Sim, empate da Lusa, não contra a Lusa. A Lusa empatou, não levou o empate. Sim, era difícil de acreditar. Tanto que não gritei gol, acordei meus vizinhos com um berro de “não acredito”. Mas, como durante toda a noite, eu estava errado. Era hora de acreditar, de ter esperança, de crer que as coisas estão diferentes. O bom senso pode pedir que não. Porém, o bom senso que se dane.

O torcedor luso tem sim o direito de acreditar. Acreditar, não se cegar. Tudo dava errado Tudo estava errado. Não é um gol no último minuto que fará tudo dar certo. Porém, para um clube de salários atrasados, elenco fragilizado, péssima fase e onde tudo parecia dar errado, há o direito de acreditar. O time precisa de um empurrão. A torcida precisa de motivação. E aí está! As críticas são as mesmas de sempre, portanto, deixemos de lado.

Afinal, não foi a toa. No intervalo de uma década Lauro marca seu segundo gol na carreira. E o segundo pra cima do Flamengo. Sabe por qual clube ele marcou o primeiro? Ponte Preta! E qual foi o rumo dos campineiros naquela temporada? Safaram-se do rebaixamento por um ponto! Lauro é o quarto goleiro da história da Portuguesa a marcar um gol. E justo no último minuto! Se durante nossa história sempre choramos de tristeza no último lance, desta vez o choro foi de alegria. Como as lágrimas de Valdomiro na comemoração.

No ano passado, nessa mesma rodada, estávamos em situação parecida. Tínhamos 10 pontos, hoje temos 9. E a partida contra o Flamengo também aconteceu na 12ª rodada. E também empatamos. E, para quem tem boa memória, foi a partir daquele resultado que embalamos para uma ótima sequência no primeiro turno. Sequência importantíssima para nossa salvação. Por que não acreditar que neste ano as coisas podem ser parecidas? Por que não acreditar que esse gol pode dar ao time o empurrão de que ele precisa e a motivação de que a torcida carece? Por que não acreditar em uma vitória contra o São Paulo que, definitivamente, pode ser um divisor de águas no campeonato?

Deixemos para criticar a sonolência da nossa zaga para outra oportunidade. Deixemos para falar da besteira de Ferdinando outra hora. Deixemos para criticar a total falta de produtividade do nosso meio-campo em outro momento. Deixemos para criticar os inúmeros erros de passe em um dia mais oportuno. E, principalmente, deixemos para criticar o goleiro Lauro quando ele não tiver sido o responsável pelo renascimento de uma ponta de esperança de que as coisas possam melhorar. Lavar a alma, tirar a zica, dar um chute no azar também é importantíssimo para um clube em nossa situação. Ou não?

Ao fim da partida o sono já tinha ido embora. Com ele foi também a desilusão. Contentamo-nos com pouco? Talvez. Porém, não é de muito que precisamos para permanecer na elite. A importância da permanência é que é muita. Na noite em que estive errado em tudo, Lauro, o mesmo que outro dia fez com que eu acordasse sem encontrar motivos para responder a um “bom dia”, ontem provou que na manhã desta quinta ter visto o jogo até o fim foi muito, mas muito mais importante que ter tido uma hora a mais de sono. Que venha o São Paulo! Que venha uma melhor fase!

E você, torcedor lusitano? O que achou do resultado de ontem? Dê sua opinião! Comente abaixo!

Por Luiz Nascimento

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5 comentários

  1. Rodrigo Guilhoto disse:

    Luiz,

    O sentimento do torcedor luso foi exatamente este.

    Estamos nos lamentando e reclamando o ano todo.

    Acho que chegou o momento de injetar força nesse time, é o que temos, e empurrar.

    O sobrenatural de almeida deu sua colaboração a favor ontem depois de nos prejudicar outras tantas nesta temporada.

    Força para a nossa Lusa e que a arrancada venha assim como aconteceu com a mesma Ponte que o Lauro defendia em 2003 que não foi rebaixada por um ponto… ponto este que foi conquistado da mesma forma que a nossa hoje.

    Belo post !

    Abraços

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  2. RICARDO...(JUNDIAÍ-SP) disse:

    Parabéns Luiz por mais um belo texto sobre nossa LUSA !!!

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  3. Joao Alexandre Alves de Freitas disse:

    tava feio, ficou bonito.mas tem de ficar lindo.

    [Reply]

  4. gold price disse:

    Tudo bem que neste ano de 2012, o Jorginho não foi aquela excelência como treinador (como nos tempos de “Jorgiola” à frente da Barcelusa), mas não acho que ele tenha sido o principal culpado pelos maus resultados da nossa Portuguesa. Nosso time é fraco, os jogadores são igrejeiros e nossa diretoria é de várzea, ou seja, atualmente nossa Lusa não é um ambiente propício a alcançar sucessos. A “burrada” do Jorginho foi ter aceitado trabalhar em um ambiente desfavorável junto de profissionais de qualidade duvidosa.

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  5. chris antonio porto de siqueira vieira disse:

    Ótimo texto!! Vai Lusa

    [Reply]

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