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Os reflexos do amadorismo

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23/08/13

Na manhã do dia em que a Lusa perdeu para o Bahia por 2 a 1 em pleno Canindé, pelo jogo de ida da fase nacional – e eliminatória – da Copa Sul-Americana, vi no portal Gazeta Esportiva uma matéria dizendo que o torneio continental veio “na hora errada” para ambas as equipes, mas principalmente para a Rubro-Verde. Discordo um pouco. Não é a Copa Sul-Americana que caiu no colo da Portuguesa na hora errada, mas a própria diretoria do clube que teve a capacidade de jogar no lixo até mesmo uma competição internacional – que não se disputava pelos lados do Canindé há 16 anos – que veio com a mesma sorte com que um pão cai com a manteiga virada para cima.

A Lusa faz uma péssima temporada. E não venham os hipócritas que têm algum poder no clube – ou tinham poder sobre alguma coisa naquela zona – dizer que é por falta de dinheiro, por falta de opções de mercado, por má sorte e etc. Para não dizer toda, quase toda responsabilidade pela atual situação do clube passa pelo amadorismo demonstrado por presidente, departamento de futebol e comissões técnicas passadas. Hoje a torcida lusa sente a falta que fez não ter levado a sério, como preparação e estruturação, aquele campeonato varzeano no qual levantamos um caneco sem qualquer expressão sob o comando de dois caras sem qualquer condição de estar à frente do elenco luso.

Guto Ferreira faz o mesmo que Geninho no ano passado: tenta trocar os pneus com o carro andando. Expressão que traduziu e traduz bem a situação. Em pouco tempo deu organização tática a equipe, motivou os jogadores e passou a fazer malabarismo com um elenco enxuto e limitado tecnicamente. Faz o que pode com o que tem, infelizmente é isso. As duas principais carências da Portuguesa, que atualmente a tornam uma das mais fortes candidatas ao rebaixamento no Brasileirão, são: (1) ter um elenco numeroso, porém, com pouca qualidade técnica, condição de jogo ou sequer para suprir as mínimas posições de que um time de futebol dispõe; (2) estar em uma condição física muito aquém dos adversários, nitidamente morrendo nas etapas finais, não a toa perdendo pontos por essa queda de rendimento na reta final dos jogos.

O objetivo da Lusa nesta temporada é claro: ficar na Série A. Isso garante visibilidade, patrocínio e o mais importante: dinheiro. Elite traz consigo a grana dos direitos de transmissão, a mesma grana que faz com que a Rubro-Verde, mesmo sem pagar em dia, arque a conta-gotas com os salários dos atuais jogadores. Sorte a nossa não termos corpo mole no elenco. E não é preciso ser nenhum lusitano visionário para constatar que um novo rebaixamento sacramenta o fim do clube. Pelo menos o que conhecemos. Não há mais força. Seja financeira, seja política, seja de torcida. A situação é crítica.

Portanto, é razoável que se priorize o Campeonato Brasileiro e se abra mão da Copa Sul-Americana. Olha a que ponto a atual diretoria fez a Portuguesa chegar. Que incapacidade, que inferioridade, que pensamento pequeno, que vergonha. Porém, é nossa realidade. Não seremos campeões e, cá entre nós, mesmo que fôssemos, uma queda no Brasileirão refletiria muito mais em nossa realidade que um título. Não sobrevivemos a mais uma Série B, mas sobrevivemos sem um título que não viria. Não passar vergonha, tomando goleada, acaba sendo nosso alento. Pelo menos não seremos eliminados por um novo Naviraiense.

É sim revoltante e vergonhoso ver a Portuguesa perder em casa para um Bahia frágil, que veio a São Paulo para empatar, viu que dava para ganhar, fez o mínimo esforço para levar a vitória. É sim frustrante ver que podíamos, com o time titular, senão com facilidade, vencer o Bahia sem grandes sustos e já garantir aqui a classificação para a próxima fase. É sim de querer matar quem permite que Corrêa faça o que está fazendo em campo. Ou o que não está fazendo. É sim desalentador ver que nosso goleiro reserva não passa de um Calaça versão 2013. Glédson é de doer.

Quanto ao jogo, será que vale a pena falar? Diego Augusto, Renan, Jean Mota e Aurélio são jovens sem experiência e sabe-se lá se com qualidade técnica para vingar. Magal, Carlos Alberto e Bérgson fizeram sua estreia, sem grande ritmo e entrosamento. Glédson, Lima, Corrêa, Bruno Moraes e Neílson já são bolas cantadas, sabemos que não têm condições de vestir a camisa da Portuguesa. Willian Arão e Cañete eram os poucos nomes que davam esperança. Ponto positivo? Ficou claro que Glédson, Corrêa e Jean Mota não servem sequer para serem reservas. Não dá. Simplesmente não dá. Corrêa e Jean Mota, principalmente, tchau e bênção. Já deu. Estão comprometendo o time há tempos.

Carlos Alberto esteve bem no segundo tempo e Cañete, apesar de perder um gol feito na primeira etapa, também foi bem. Magal ainda está sem ritmo, mas pode ajudar principalmente no apoio, visto que nunca foi muito bom na marcação. Já Bérgson. Bom, quanto a Bérgson esperemos. Vimos um time sem entrosamento, o que é natural, errando muitos passes, o que também é natural, sentindo o baque de um gol, o que virou rotina, mas cometendo erros totalmente infantis e evitáveis caso tivéssemos um melhor nível técnico em campo. Ou tranquilidade e concentração.

Sinceramente? Dane-se a Copa Sul-Americana. Guto Ferreira pegou o time justamente quando a tabela do Brasileirão se encavala em jogos de meio e fim de semana. E, quando há folga, é para disputar o torneio continental. É preciso tempo. Seja para treinar, organizar ou melhorar a parte física do time, seja para correr atrás de reforços: goleiro, zagueiro, mais um lateral-esquerdo e um centroavante. E também mandar embora uma sacolada de boleiros. Nossa situação já está grave demais no Brasileirão. Temos uma bateria de jogos complicados e um onze que, para se fazer competitivo, tem que jogar no seu máximo sempre. A racionalidade pede isso, por pior que seja.

Concordaria com quem diz que em nossa situação os jogadores deveriam jogar de quarta e domingo, quinta e sábado, sem reclamar, caso tivéssemos um elenco fazendo corpo mole. Mas, apesar de os salários não caírem em dia, não temos um time assim. Vide os jogos contra São Paulo, Coritiba e Botafogo. Se estamos abrindo mão da Copa Sul-Americana e sendo eliminados por um time que não exigiria grandes esforços na base da nossa infantilidade em campo, não é culpa de Guto Ferreira ou do elenco em si. Desta vez treinador e jogadores não têm culpa. A culpa é da diretoria, que fez o time chegar em agosto com as deficiências que uma equipe não pode ter nem em janeiro. É revoltante, mas é a nossa realidade. E ela é lamentável e vergonhosa há tempos.

E você, torcedor lusitano? O que acha de como a Lusa está encarando a Sul-Americana? Dê sua opinião! Comente abaixo!

Por Luiz Nascimento

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9 comentários

  1. Anderson disse:

    Concordo totalmente, o Guto deu uma cara para a Lusa, e precisa treinar o time…
    Temos que pensar em deixar o time na serie A, para que a proxima diretoria (em nome do Pai, Filho, Espirito Santo) possa trabalhar para nos classificar no campo para um torneiro e que possamos disputar com um minimo de diginidade.
    Avante LUSA!!

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  2. Gilmar Mendes Ferreira disse:

    Parabens pela postagem…

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  3. Bruna Mariana Coutinho Massardo disse:

    Luiz, parabéns! Outro ÓTIMO post! Acompanho sempre sua coluna…

    Abs the amiga vascaína aqui!

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  4. RICARDO...(JUNDIAÍ-SP) disse:

    FORA DA LUPA !!!

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  5. João Madeira disse:

    Perfeita colocação (mais uma bez)

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  6. João disse:

    Parabéns pela matéria. Excelente colocação mais uma vez! Acho que esse é o pensamento de todos os torcedores que realmente gostam da Lusa e só dirigentes amadores que só tem o ego maior que a incompetência não vêm (ou fingem que nao vêm)

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  7. Alberto Dos Santos Lazaro Jr. disse:

    Seu comentário esta perfeito e correto, é muita incompetência junta a anos, e ontem poderia ao menos mesclar a equipe já que contra o Botafogo não jogaram vários titulares, que poderiam entrar nem que fosse só no segundo tempo, sei lá, eles não tem visão nenhuma, são fracos demais e erram the mesma forma desde que assumiram o clube, é lamentável e se não aparecer alguém que ame este clube de verdade e tenha força e arranje uma forma para sairmos desta situação com certeza estamos muito próximos do fim, lamentávelmente é assim que vejo, valeu!

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  8. Nando disse:

    Ótimo post, Luis.Mas pergunta que nunca cala e a seguinte: o que e como fazer pra salvar o clube do iminente fechamento? Mudar o nome? Partir pra porrada? Orar pra N. Senhora?

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  9. Joao Alexandre Alves de Freitas disse:

    será que os conselheiros que DERAM mais um mandato para esse sr. dormem tranquilos?

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