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Valeu a pena acreditar

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12/08/13

Um time motivado. Uma torcida confiante. E um técnico que deu corpo a equipe. Era o clássico para fazer o mito se tornar realidade. O presságio de que a sorte havia virado em – concretamente – uma nova fase. E isso aconteceu. Na partida onde uma vitória significaria a ressurreição da moral e o nascimento da esperança por dias melhores, a Portuguesa venceu. Parafraseando Guto Ferreira ao término dos 2 a 1 sobre o São Paulo, a Lusa fez a mentira se tornar verdade, tomou para si a ideia abstrata de que o empate de Lauro era um sinal dos tempos e construiu aquilo que pode ser o primeiro passo para uma nova realidade.

Lauro voltou a brilhar. Diogo voltou a jogar. O time mostrou uma organização tática que não era vista desde a temporada passada. Guto Ferreira começa a dar cara a um elenco limitado e motivação a um time combalido. As carências são muitas, os problemas são inúmeros e a perfeição é inalcançável. Nada disso mudou. As fragilidades seguem sendo muitas e o tempo segue sendo curto. Porém, no futebol, há um elemento que, se mudado, pode surtir grandes efeitos: acreditar. E a Lusa acreditou.

No empate contra o Flamengo minha ficha caiu: nossas falhas são as mesmas desde o início do ano e já estamos na rabeira do campeonato, portanto, de que adianta batermos na mesma tecla da desilusão sendo que temos a chance de, a partir de um milagre raro na história lusitana, ganhar moral e motivação? Não se trata de cegar-se ou iludir-se, mas sim de perceber que, em um clube onde tudo conspira para a derrota, crer na vitória é tão raro que pode se tornar o fator milagroso.

Para os mais céticos, como normalmente eu sou, não deixarei de frisar pontos importantes. Sim, não temos peças de reposição. Sim, a saída de Souza para a entrada de Jean Mota provou isso. Sim, o time está mal fisicamente. Sim, as etapas finais provam isso e contra o São Paulo não foi diferente. Sim, a zaga precisa de pelo menos um homem de técnica. Sim, Lauro não é o melhor goleiro do Brasil e até ontem atirávamos pedras nele. Sim, não esqueci e não me iludi com isso. Sim, tudo isso é verdade. Porém, chegamos a um ponto em que espernear pelas falhas, por mais que seja pertinente, não ajuda em nada concretamente.

E o mais importante: Guto Ferreira mostrou em sua entrevista coletiva que conhece todas essas falhas. Ele tem noção das limitações do elenco e dos vários problemas que ainda precisam ser resolvidos. E sabe que o tempo para resolvê-los praticamente inexiste. Portanto, também como o técnico frisou após o clássico, é hora de trabalhar com a moral do elenco. Como ele fez na preleção. E é hora de a torcida aproveitar que a sorte de fato virou para abraçar, senão o time, a Portuguesa. E acreditar que dá sim para nos safarmos da Série B.

Ao apito final do árbitro, pela primeira vez no ano, pensei: temos chances de não cair. Baseei essa opinião em fatos estritamente técnicos, táticos e de uma estupenda exibição em campo? Sabemos que não. Mas, baseio isso naquilo que certamente passou pela cabeça de cada torcedor luso. Quando que a Lusa tem a sorte de um gol de goleiro no último minuto? Quando que a Lusa leva o empate, faz pênalti, deixa Rogério Ceni desolado e ainda ganha? Quando a Rubro-Verde toma um gol nos últimos instantes e é anulado por ter sido marcado com a mão? Quando?

A justificativa da vitória não está na célebre frase do pseudo-presidente: “nosso pão caiu com a manteiga virada para cima”. Nossa vitória também não se deve apenas, como grande parte da mídia esportiva tacha, ao fato de o São Paulo estar em uma péssima fase. Nada é por acaso. Até mesmo o acaso não vem a toa. Ter sorte é, em primeiro lugar, ter merecimento. E a Lusa vai começando a conquistá-lo a partir de um trabalho sério de um homem que, pelo menos, é mesmo um técnico no banco de reservas.

Achar que solucionamos nossos problemas é um erro. Achar que agora vamos deslanchar lindamente também é. Achar que um cara é o melhor do Brasil e o outro o melhor de todos os tempos segue sendo errado. Porém, acreditar que essa vitória sobre o São Paulo pode nos impulsionar a uma regularidade e a uma evolução gradual e constante dentro da competição é sim correto. Fácil nunca foi e nunca será. A vontade e a superação são cruciais a qualquer equipe que escapa da degola. E o caminho para a permanência fica muito menos tortuoso quando time e torcida acreditam que dá, se abraçam e fazem acontecer. No time onde tudo é chorado e conquistado na raça, um novo tempo pode estar surgindo por um motivo: acreditamos.

E você, torcedor lusitano? O que achou da vitória no clássico? Dê sua opinião! Comente abaixo!

Por Luiz Nascimento

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11 comentários

  1. rodrigo disse:

    Luiz, espero que o Guto, sincero como tem sido, tenha noção de que Jean Mota não dá. Ele aliás é um jogador que não pode reclamar de falta de oportunidades. Não aproveitou nenhuma.
    E que nossa diretoria arrume logo um zagueiro pro lugar do Moisés Moura. Isso é o mínimo que podemos esperar para tentar escapar da degola, pra não entrar no mérito da necessidade de mais um lateral esquerdo, um meia e um atacante.
    Falta também o Gilberto começar a jogar bola, pois até agora só fez um gol de penalti.
    Pra finalizar, uma trite constatação; Nesse momento, nosso maior sonho é se classificar para a Sul Americana 2014. Só que estamos classificados para essa competição em 2013, onde jogamos semana que vem. Mas por causa do despreparo da diretoria, praticamente temos de abandonar a competição por falta de preparo físico ideal e jogadores para disputar as duas competições ao mesmo tempo.

    [Reply]

    Luiz Nascimento Reply:

    @rodrigo, Concordo com tudo, Rodrigo. Mesmo com o time melhorando, a cada jogo que passa, apesar de uma melhor organização tática, fica mais claro que a Lusa precisa de um zagueiro com uma mínima técnica. Valdomiro e Moisés Moura, por mais que possam se esforçar, não dá.

    Quanto a Sul-Americana, quando começam a discutir prioridades e etc, lembro da Série A2. Não que deveria ter servido para que nos preparassemos para a competição continental, até porque nem sabíamos que teríamos vaga, mas eram os meses cruciais para se evitar os problemas de hoje: falta de preparo físico, elenco escasso, Guto tendo que dar cara pro time agora e etc. Uma pena pensarmos em desperdiçar uma competição dessas de uma forma tão besta…

    Forte abraço!

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  2. Bruna Mariana Coutinho Massardo disse:

    Outro ótimo texto Luiz, parabéns! 🙂

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  3. Alberto Dos Santos Lazaro Jr. disse:

    Como falei após o gol de cabeça do Lauro nos descontos toda sica foi embora, e a prova foi no jogo contra o tricolor e esta vitória linda, que tenho certeza o time vai entrar no rumo, vai Lusa.

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  4. Priscila Ferreira Dos Santos disse:

    Foi presente do dia dos pais

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  5. Alberto Dos Santos Lazaro Jr. disse:

    Belo presente, e quero aqui dizer aos que acham que o Tricolor é tão superior a Lusa, no Brasileiro até hoje estamos assim com 13 V 13 D e 7 E, literalmente iguais, apesar de não termos a mesma força atualmente com tantas administrações mal intencionadas e desastrosas que nos deixam para traz, o time ainda mantem esta igualdade, e clássico é clássico e sempre sera.

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  6. RICARDO...(JUNDIAÍ-SP) disse:

    Parabéns por mais um belo texto.
    E amanhã nosso time estará completando infinitos 93 aninhos de idade.
    Quem sabe uma vitória em Curitiba para comemorarmos a data ??!!!!

    Abraços.

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  7. Ricardo Burgos disse:

    Fantástico texto Luiz!!!
    Como deve saber, morando a mais de 2 anos fora e não tendo o prazer de estar no Canindé e qcompanhando a Portuguesa em todos os jogos, ter presenciado nossa vitória e ainda, no dia dos Pais foi muito especial!
    Vamos PORTUGUESA!! Vamos reagir e ganhar em nosso aniversário também!!
    Abrqços.

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    Luiz Nascimento Reply:

    @Ricardo Burgos, Claro, Ricardo! E imagino como deve ter sido a sensação! Ainda mais no dia dos pais! Muito bom! Obrigado por acompanhar o blog, seja no Brasil ou no exterior. E parabéns por representar a Lusa em todo canto! Bora acreditar que daqui pra frente as coisas podem ser bem melhores!

    Forte abraço!

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  8. Joao Alexandre Alves de Freitas disse:

    Perfeito, parabens…. tbm sobre o jogo de ontem, tivemos $ 274,8 de renda com 8.593 pagantes, o que dá $32 de média, aparentemente tínhamos 5/6 mil bambis e 2,5/3 mil Lusos, o nosso (?) presidente precisa entender que a conta NUNCA pode ser essa, digamos que o ingresso para um jogo com esse volume de torcedores, fosse de $100 e com nossa camisa $ 10, provavelmente o número de bambis fosse metade e a nossa torcida dobrasse, a NOSSA pressão seria muito maior, os patrocinadores ficariam mais contentes e nossos jogadores se aplicariam mais, alem de que o resultado the bilheteria seria de aproximadamente $ 350. alguem pergunta….e o sócio -torcedor ficaria igual ao torcedor comum? a resposta é bem simples, alem dos grandes paulistas, acho que só os urubús poriam esse volume no Canindé , os outros jogos $ 40 e $20 estaria bom.. acredito tbm que o número de torcedores rivais no Canindé tbm deveria ser limitada a 3 mil, seja quem fosse.

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    Luiz Nascimento Reply:

    @Joao Alexandre Alves de Freitas, A necessidade de uma política para atrair lusitanos ao Canindé é tão clara quanto a de se mudar a postura do clube com relação a torcida adversária em clássicos. Muito disso é falta de pulso firme para peitar o lobby que os rivais, chamados de “co-irmãos” fazem.

    Obrigado por acompanhar o blog, João!
    Forte abraço!

    [Reply]

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