Antes de tudo, já peço desculpas aos torcedores lusos que entram no blog após as partidas da Portuguesa para ler minhas análises. Hoje farei diferente. Não conseguirei me ater apenas a isso, ou melhor, não consigo nem pensar direito na partida em si. Bastam poucos cliques nos principais portais esportivos da internet para perceber que algo de muito importante aconteceu no Canindé. A noite deste 18 de outubro com certeza ficará guardada na retina de muitos dos lusitanos que estiveram presentes no Dr. Oswaldo Teixeira Duarte. Como estampam estes sites, esta foi a noite em que as faixas foram viradas. Notícias frias e calculistas, que apenas dão atenção às faixas pois nossa torcida surpreendeu e arrepiou a muitos dos jornalistas que no Canindé estiveram no momento da virada das mesmas. Porém, só nós sabemos o real significado disso.
Não poderia ser diferente. Não tinha como ser de outra maneira. Quiseram os céus, ou quaisquer outras forças que se façam crer, que o dia de nossa ascensão fosse tão carregado de significados. Por mais que o grande responsável por tudo isso, Jorginho, ainda não admita, a Portuguesa está de volta à Série A. A Lusa finalmente atingiu os tão aguardados 64 pontos, uma marca que nenhuma outra equipe conseguirá alcançar neste campeonato, por mais que tente. Este triunfo sobre o Vitória também carrega consigo uma simbologia incrível. Uma virada sensacional. A Rubro-Verde tinha que subir dançando o vira, algo que só ela sabe fazer com mestria. Os 3 a 2 sobre a equipe baiana marcam nosso retorno ao lugar ao qual pertencemos, o lugar compatível a nossas tradições, a nossas glórias e a nossa torcida, a Série A.
Poderia ter sido contra o Boa Esporte na semana passada, mas quiseram as forças ocultas que não fosse. Se a vitória tivesse vindo naquele dia, talvez a festa não fosse tão perfeita e tão completa. A partida do acesso não simbolizaria – e não simboliza – apenas a coroação de uma excelente campanha, a premiação por um planejamento, uma dedicação e um trabalho ímpares. Este acesso mexeria – e mexe – muito mais profundamente com as estruturas da trajetória da Portuguesa no futebol. Desta vez, tudo está diferente. A Lusa retorna à Série A de corpo e alma renovados. Jorginho instaurou uma nova mentalidade na Portuguesa. Jorginho conseguiu afastar do elenco luso tudo que havia de podre no Canindé. Jorginho restaurou a relação entre torcida e time. A Lusa está diferente, não é mais a mesma. Basta ir ao Canindé para sentir isso. Vivemos uma nova fase e espero que seja apenas o começo dela.
O adversário não poderia ser mais perfeito. Não por ser o Vitória, mas pelo time baiano contar com Benazzi no banco de reservas e Preto na equipe titular. Não quero entrar no mérito da questão, mas eles são duas personagens que começaram a tentar mudar a maneira de pensar da Lusa, foram os primeiros a dar início à Revolução que só Jorginho conseguiu colocar em prática. Não falo apenas dos acessos em 2007. Benazzi e Preto foram peças transcedentais para que a Portuguesa se livrasse da Série C em 2006, o que representava praticamente nossa extinção. Mostraram ao torcedor luso que a Portuguesa era muito maior do que estava sendo tratada. Mostraram que a Lusa era grande, maior que qualquer interesse e que tinha muito potencial. Eles deram o pontapé inicial neste trabalho. Sou grato a eles por isso, não levo em conta o que veio depois, fato é que foram importantes por isso e ponto final.
Porém, foi Jorginho que, com uma mentalidade parecida, só que ainda mais vencedora, conseguiu tocar profundamente as frágeis estruturas que mantinham a Lusa de pé, fortalecendo-as e fazendo-as vingar. Jorginho curou o leão adormecido e mostrou o quão grande e forte ele é. Quisera o destino, ou coisa que o valha, que fosse assim. Não era pra ser em um sábado ensolarado, mas sim em uma gelada noite de terça. Não era pra termos o Canindé lotado, mas sim contarmos com aqueles que estiveram ao lado da Lusa durante toda a penúria da Série B. Era o jogo para mostrarmos quem realmente somos e por que merecemos aquilo que alcançamos. Provar que não precisamos de muitos para ser grandes. Mostrar que nas arquibancadas o que vale é o amor, a paixão e a entrega por seu clube. Que não é preciso de muito para se fazer a diferença. Que na Lusa não há 12º jogador. Que clube e torcida são um só. Que o torcedor lusitano vive a Portuguesa. Que a Portuguesa somos nós.
A virada sobre o Vitória simboliza muito mais que apenas uma vitória de acesso, assim como a virada das faixas. É uma página que se vira na história da Portuguesa. Fica para trás tudo aquilo que fez o torcedor lusitano sofrer por pelo menos uam década. A década negra da história lusitana, se Deus quiser, chegou ao fim. Entramos na nova década, agora em 2011, para retomarmos nossa tradição, nossas glórias, nossa grandeza. Hoje percebo que a decisão mais acertada dos Leões da Fabulosa foi a de deixar as faixas de ponta cabeça. Para mostrar que aquela não era a Portuguesa. Aqueles times que por aí passaram não são compatíveis com a brilhante história da Lusa. Que as equipes da última década, salvo raríssimas exceções, eram qualquer coisa que não a real representação de nossa camisa tão gloriosa. Essa sim é a Portuguesa. Esse sim é o time que aprendemos a torcer e que queremos ver. Essa é a Lusa que honra sua tradição.
Ouvi e li vários torcedores, até os que não estiveram no Canindé, dizendo que se emocionaram no momento em que a torcida virou as faixas. Também ouvi e li de jornalistas que lá estavam, que foi de arrepiar o momento em que viramos a faixa e nossa torcida começou a cantar. Finalmente, e quero crer piamente nisso, foi a página negra que representava a última década lusa, que se virou. O sofrimento foi deixado para trás. Ontem vi muitos torcedores chorando pelas arquibancadas do Canindé. Lágrimas dignas, de lavar a alma. Lágrimas de merecimento. Lágrimas de alegria. A mais pura representação do amor. Há coisas que carregamos conosco e que, talvez, nem nós conseguimos explicar. Sou, assumidamente, um fanático torcedor da Portuguesa. Porém, poucas vezes na vida a Lusa me fez chorar. E uma coisa levo comigo em minha trajetória de torcedor. Jamais derramei uma lágrima de tristeza pela Lusa. Por incrível que pareça, só de alegrias.
Na noite desta terça, quando vi as faixas sendo viradas, não consegui me conter. Pela minha cabeça passaram vários momentos de minha vida enquanto torcedor. As tristezas, os sofrimentos, as dificuldades, os desesperos, as alegrias, a felicidade, a euforia, os sorrisos, o amor por este clube. Lembrei de noites frias de um Canindé vazio. De tardes quentes de muita festa pelo interior de São Paulo. Tudo o que se possa imaginar. Tanto é que fiquei parado por um bom tempo, sem cantar junto com a torcida. Aquele momento que vivemos só para nós, que só nós entendemos. Quando dei por mim, a faixa já estava virada. O jogo já não me importava mais. Instintivamente, tentamos segurar as lágrimas. Tentamos ocultá-las. Pura besteira. Não que alguém tenha visto, mas se visse, apenas um lusitano entenderia. Um leigo interpretaria apenas como lágrimas de uma alegria fortuita. Mas não. Eram muito mais do que isso. Eram lágrimas de dignidade, de merecimento, de alegria, de amor àquela que me mantém vivo e de pé. Não só as minhas, mas as de todos os que não se contiveram no Canindé.
Encerro por aqui o texto. Quando escrevemos com o coração, agimos apenas com a emoção. E sentimentos não se traduzem em palavras. Cada um sente de uma maneira, mas ninguém consegue descrevê-los em sua totalidade. Estamos felizes, coroados por tudo aquilo que vivemos juntos. Fazemos parte de uma grande família, da qual muito temos que nos orgulhar. Por mais que os sentimentos sejam diversos, creio que um deles é comum a todos os lusos: merecemos mais que qualquer um esse acesso, assim como merecemos o título. Vamos buscar o caneco, ó pá!
Abaixo, algo que escrevi logo que cheguei do Canindé. As únicas palavras que consegui escrever após o jogo:
“Torcemos, cantamos, vibramos, sofremos, viajamos, comemoramos, sorrimos, choramos e nos emocionamos por 31 rodadas. Tudo isso pra jogar junto. Tudo isso pra honrar nossa segunda pele. Tudo isso para devolver nossa Lusa ao seu devido lugar. Pra recolocar a Portuguesa na Série A. Agora são mais sete decisões, só mais sete. Pra seguirmos fazendo tudo isso. Daqui em diante, pra conseguirmos o tão merecido título. E é assim, vivendo e respirando Lusa, que levantaremos o caneco junto com o time. Por quê? Pois temos orgulho de ser diferente. Orgulho de ser de verdade. Orgulho de ser LUSA. A Portuguesa somos nós!!”
Por Luiz Nascimento





October 19th, 2011 at 11:16 am
Obrigado Benazzi e Preto! apesar do lançamento que ele fez pro Gilberto no primeiro gol.
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October 19th, 2011 at 12:20 pm
Luiz,
Não tem como não se emocionar…e com emoção o seu texto relata o que foi a noite de ontem
o jogo fica pra segundo plano, o mais importante foi o objetivo, a meta, a festa, a emoção pra sempre e a lembrança que jamais saira da minha cabeça !!!
Abraços rubro-verdes
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October 19th, 2011 at 4:02 pm
VOCÊ DISSE TUDO. A PORTUGUESA É AMOR, É PAIXÃO. A PORTUGUESA NOS UNIU E NADA VAI NOS SEPARAR!!!!! PARA SEMPRE LUSA NO CORAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!
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October 19th, 2011 at 5:24 pm
A
AA
AAA
AAAA
AAAAA
AAAAAAA
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October 19th, 2011 at 6:11 pm
Como não chorar? Não bastasse a emoção vivida no Canindé, seu texto e algumas opiniões no Blog da LUSA levam às lágrimas até o mais insensível. Mas o torcedor luso há tanto tempo vem represando estas lágrimas que mais cedo ou mais tarde elas não seriam mais contidas. E que momento maravilhoso para elas brotarem!!!
Pode chorar, torcedor LUSO. Pode colocar prá fora esse choro de alegria e de emoção. ESTAMOS NA SÉRIE A, de onde nunca deveríamos ter saído.
Parabéns elenco. Parabéns Jorginho. Parabéns Torcida.
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October 19th, 2011 at 6:45 pm
Luiz ontem a emoção foi demais, chorei, gritei, fiquei rouco, e agora lendo seu comentario, as lagrimas invadiram meus olhos novamente.
Foi muita emoção, para nós sofridos torcedores da nossa querida Lusa.
Ainda bem, que o meu velho coração de quase sessenta e oito anos aguentou.
Parabens aos jogadores, e comição tecnica,
Abs.
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October 19th, 2011 at 7:09 pm
Lindo maravilhoso parabens pelo texto
Quem perdeu a oportunidade de estar ontem no canindé perdeu a maior chance de presenciar a maior emoção vivida pela torcida Lusa
O choro coletivo demonstrou o Amor do que é ser Lusa
Parabens a todos me ORGULHO DE SER LUSA
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October 20th, 2011 at 12:36 pm
NOSSA LUSA ESTA NA, A , E EU CHOREI CHOREI DE ALEGRI AGORA VAMOS BUSCAR O CANECO LUSA SEMPRE
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October 21st, 2011 at 3:49 pm
Luiz,
PARABÉNS pela descrição!
Realmente emociona demais! Tenho o seu email e irei lhe enviar uma foto de como fiquei ao ler esse relato, aqui dos US….rsrs…..rio de lÁgrimAs!!
Conforta-me saber que na próxima sexta ou sábado (Ponte) estaremos juntos nas arquibancadas, mesmo que possivelmente, não nos reconhecendo!
Um grande abraço a toda a nossa torcida e que possam invadir Americana!!
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