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Nova Arena

por
6/07/16

Não que seja eu um grande especialista nas áreas da engenharia, arquitetura e urbanismo, longe disso, sou apenas um aprendiz de historiador metido a escritor de blogs.

Porém, já que me foi designado este nobre espaço, tomo a liberdade de falar sobre o que eu quiser, desde que, claro, se trate do nosso amado Glorioso Alvinegro Praiano.

Pois bem, esta semana tem pipocado na internet, mais uma vez, notícias relacionadas ao grande sonho desta diretoria peixeira, que é a construção de um novo estádio para o Santos desfilar o seu futebol diferentão. E é sobre isso que o texto de hoje trata, como vocês, inteligentes que são, já puderam notar no título do mesmo, obviamente.

Tenho notado desde que o Modestaria assumiu, uma movimentação em prol da construção desta nova arena, e penso nela desde então. Será mesmo viável a construção de um novo estádio na baixada para um público, em termos de capacidade, pequeno?

O projeto que já teve parceria com a prefeitura de Santos e a Portuguesa Santista, já não existe mais. O que tem sido noticiado agora, é um novo local, um terreno do clube Portuários, cinco vezes maior do que a área da Vila – que só tem o estádio – e com vagas de estacionamento, áreas de lazer e match day além de alguns outros mimimis. É bacaninha? É! Fico feliz em ter uma nova casa, moderna, mais confortável e acolhedora, com novas propostas? Sim, fico sim. Então porque o texto, afinal? Vocês devem estar se perguntando.

Calma, nobres, eu já explico.

Todos sabemos que em São Paulo se concentra a maior parte da torcida do Maior do Mundo. São Paulo capital, para ser preciso. E lá, nem é necessário erguer uma nova casa. O Pacaembu está lá, só aguardando o Peixe.

Fazendo uma pesquisa rápida, chegamos a alguns números. A população da Baixada Santista é de aproximadamente 1.8 milhões de pessoas, não preciso dizer que só na capital, o número se multiplica. Apenas na cidade de São Paulo, o número ultrapassa o 11 milhões de habitantes, e se jogarmos, assim como fizemos para alavancar o número da população de toda a Baixada, não só de Santos, a região metropolitana, estes 11 milhões saltam para 20! É uma das regiões metropolitanas mais populosas do mundo! Honestamente, não da pra jogar esses números no lixo só por acreditar que “O santos é de Santos”.

Partindo destes números, e aliado a enorme facilidade de acesso que a capital paulistana oferece, é fácil chegar à conclusão de que a Vila Belmiro já não comporta mais o futebol atual. Por favor, não achem que estou, assim como um certo ex-dirigente, dizendo que sinto vergonha do Templo, longe disso. Mesmo com a distância que sempre tive da Vila Famosa, de todas as vezes que fui, tenho uma enorme paixão por este estádio. Ele carrega nossa história e emana uma energia surreal! Porém, hoje, Ele, sua estrutura, seus arredores e a estrutura da cidade em abrigar os santistas que não são de Santos – Somos milhões, amigos, acreditem –  estão defasados.

Façamos um exercício juntos, relembremos os últimos títulos do Peixe, quantos tiveram suas finais disputadas na Vila? Me lembro do Paulista de 2011, quando vencemos os itaqueras, a primeira final da Copa do Brasil em 10… Enfim. Em todos os casos, existiu a discussão de que o jogo deveria ser levado para a capital. Lá tem estádio maior, maior procura de torcedores… Ainda levando em conta os títulos possíveis a serem disputados pelo Santos. O maior campeonato regional que o Peixe pode decidir em casa, a Libertadores, Das oitavas de final em diante, a CONMEBOL diz que a capacidade mínima de lugares é de 20 mil pessoas. Até aí, o projeto da nova arena diz que sua capacidade seria de 25 mil, ok. Porém, a final deve comportar, no mínimo, 40 mil torcedores, ou seja… O Santos em sua nova casa, na hipótese de chegarmos novamente a uma final de Libertadores, deveria procurar outro palco para disputa-la, pois sua nova arena não teria a capacidade exigida pela entidade. Não entendo isso, saca?!

Então vamos às minhas possibilidades. Primeiro, nem reformaria a Vila. Deixaria esse ar de “histórica” que ela carrega, usaria para eventos promocionais e partidas menores, categorias de base, time feminino, time B. Enfim, a Vila seria a sede administrativa do Santos F.C. continuaria sendo utilizada para fins esportivos e carregando todo o amalgama histórico que, em seus recém completos 100 anos, oferecem, porém, deixaria de ser “A Casa” do time principal. Outra coisa, no meu entender, o Santos deixou passar o trem das arenas. Não sei se é viável esse investimento, tendo em vista todas as enrascadas que nossos irmãos estaduais tem passado. Os palestras se gabam da arena mais moderna, só que a administradora prefere fazer festa de aniversário de “sei lá quem” do que priorizar as datas dos jogos verdes. Os itaqueras agradecem aos céus pela impressora que eles conseguiram, mas esbarram sempre nas polêmicas pela forma com que o HPzão chegou até eles. De que forma o Santos conseguiria esta nova arena? Sob quais condições e imposições dos “parceiros”? Porque com dinheiro do Santos, com certeza, não vai ser feita a construção da hipotética arena.

Continuando, eu assumiria o Pacaembu. Ali, talvez, coubesse uma reforma para melhorar as estruturas internas do estádio. Lembrado que apenas a fachada do Paulo Machado de Carvalho é preservada como patrimônio da cidade de São Paulo, por isso, seu interior pode sim ser reformado. Mesmo que isso diminuísse sua capacidade. Para uma hipotética final de Libertadores, sem nenhuma dúvida, eu jogaria no estádio verde ou no estádio do Laudo Natel. Já fizemos finais memoráveis no estádio das três cores e, vejo com muito bons olhos esses jogos serem feitos por lá. Imaginem como seria lindo o Peixe levantando seu quarto caneco da Liberta, ultrapassando os tricoletes em títulos continentais, na própria casa dos caras?! Eu acho sensacional!

Este texto teria muitos outros argumentos para deixar claro a minha rejeição quanto ao fato de erguermos um outro estádio na baixada. Nada contra a torcida de lá, longe disso, é claro, mas o grande público, o que pode render aos cofres do clube, se associarem e terem um retorno também por serem sócios, está na capital. Sou contra a construção de outro estádio em Santos e à reforma da Vila. Sou a favor de assumirmos o Pacaembu e reforma-lo, mesmo que tenhamos que conquistar a “la quarta” em uma casa rival. Aliás, como já disse, eu adoro essa ideia.

O Santos, é do Mundo! E não deve ser nenhum dirigente modesto que irá engessar o clube em apenas uma cidade.

Esta é a opinião deste humilde bloguista. Espero que este texto tenha alguma repercussão positiva, com discussões e tudo o mais. É, talvez, a única forma de a torcida ser escutada, frente as ações ditatoriais que alguns dirigentes tomam, sem antes consultarem quem mais importa neste caso, a torcida! Afinal, é ela quem vai encher ou não o estádio que for. Se associar ou não, ao clube que for. Entendem?

Este assunto rende muito mais, mas muito mais MESMO! Por ora, vou resguardar-me a isso. Vamos acompanhar o andamento desta decisão que, no meu ver, é desastrosa para o clube. Imagino o quanto o presidente queira deixar seu nome e seu legado na história do Santos F.C., assim como seu pai, mas não creio que esta seja a forma mais adequada.

Vamos manter a bola rolando.

Saudações alvinegras.

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2 comentários

  1. Ernande disse:

    Boa tarde , eu sou da capital sou sócio e vou em 90% dos jogos do Santos no estado de são Paulo.
    No entanto , entendo que não importa aonde será a arena e sim a capacidade que a mesma terá ,porque estão falando em 25 mil lugares ,se isso for realmente verdade será de certa forma ridículo,convenhamos 25 mil, com a medida que a polícia usa para medidas de segurança essa capacidade cairia no mínimo para 20 mil .
    Então que diferença de 20 mil para 16 mil..??
    Então arena seja onde for tem que ser no mínimo pra 30 mil lugares disponíveis para vender ingressos

    [Reply]

    Fábio Toledo Reply:

    @Ernande, Concordo com você em alguns aspectos.

    Só acho que em Santos, ou na baixada, não faz muito sentido haver outro estádio. Será que só o fato de uma nova arena vai alavancar o interesse dos torcedores em frequentar os jogos?

    O que eu não acho viável é desprezar o enorme número de torcedores de São Paulo, sendo que já há um estádio em Santos. Sendo assim, não vejo a necessidade de outro, ainda mais nesses moldes.

    É como você disse, com essas reduções, qual a diferença de 16 pra 20 mil?

    Eu diria 40 mil lugares, no mínimo, pra uma nova arena. Mas não em Santos.

    Muito obrigado pelo comentário.

    [Reply]

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