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Ascensão e queda da defesa Tricolor: razão da oscilação do SPFC

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3/10/14

Por Ricardo Flaitt (Alemão)

Não vou aqui narrar com palavras o que muitos assistiram no jogo entre São Paulo e Flamengo. Inúmeras mídias já dissecaram, com precisão, o corpo-partida; minuto a minuto, lance a lance, todos munidos com estatísticas e outros nomes estrangeiros e pomposos para explicar o jogo de forma matemática.

Mas, em minhas Crônicas, destacarei alguns pontos negativos que vêm se tornando rotina na equipe do São Paulo. E que tentam dar luz a algumas situações.

O São Paulo cresceu vertiginosamente, tendo seu auge na partida frente ao Cruzeiro. Bela e convincente vitória. Naquele momento, Muricy tinha equalizado um dos maiores problemas do São Paulo: a defesa.

O crescimento do time num todo, tem explicação: a entrada de Denílson no meio-campo, que ocupou mais o setor, fechando a clareira que existia até antes a partida contra o Internacional.

O volante fez crescer o futebol de Souza, que passou a jogar mais soltou, chegando ao ataque, marcando gols e também tirou um peso da defesa, quando os adversários partiam do meio para a meta Tricolor com imensa facilidade.

Outro ponto da evolução do time, além do meio, foi que Muricy conseguiu dar uma equalizada no sistema defensivo, principalmente a zaga, com Toloi e Edson Silva. Isso fez a diferença no time, visto como um todo e não só o tal “quarteto”.

No entanto, a queda de rendimento, demonstrado nas partidas pós-vitória contra o Cruzeiro, também tem explicação: o desequilíbrio da defesa voltou a ocupar espaço na área.

Auro é bom jogador, garoto, sobe bem ao ataque, mas revendo as últimas partidas, nota-se perfeitamente que todos os times são orientados para explorar a ala direita do São Paulo. Auro é esforçado, corre o tempo todo, mas deixa uma enorme avenida para os adversários, assim como foi o primeiro gol do Flamengo, uma síntese do que vem acontecendo naquele setor.

Fato é que, num primeiro momento, a ausência de Paulo Miranda, atuando como um terceiro zagueiro, mas na ala, mais fixo, reforçava e muito a defesa do São Paulo. Foi uma medida encontrada por Muricy para reforçar um setor tão vulnerável no time e que vinha dando muito certo, pois o time não ficava tão exposto como atualmente está.

O segundo ponto de desequilíbrio da defesa (e do time) nas últimas partidas foi a saída de Toloi que é, apesar de jovem e precisar evoluir, o melhor e mais técnico zagueiro do São Paulo. Sua saída por contusão, oriundo de um pique desnecessário da defesa são-paulina à grande área adversária, na partida contra o Corinthians, deixou ainda mais capenga um setor já carente do sistema do time.

O segundo gol do Flamengo, de boa alçada na área, também é um exemplo da falha da zaga Tricolor, que é muito frágil nas bolas aéreas, assim como vem se repetindo em outras partidas. Não é de agora.

É fato que o mercado da bola está fechado, mas o São Paulo parece viver uma crise do óbvio, quando a diretoria contratou extraordinários jogadores do meio para frente e esqueceu-se de recompor o sistema defensivo.

A formação de um sistema defensivo à altura do São Paulo, que já contou com Lugano, Miranda, André Dias, Alex Silva, Breno deve ser umas das prioridades da diretoria para a temporada 2015. Muricy, com o auxílio luxuoso de Milton Cruz, já deve se reunir com Aidar e preparar uma lista de possíveis reforços porque, com essa defesa, o São Paulo continuará oscilando. Mas que não venham com nomes como o de Lúcio, em pleno final de carreira…

O problema está aí, mas, evidente que Muricy, restando 14 rodadas para o término do Campeonato, não vai falar publicamente sobre isso, desmerecendo os atletas que compõem o elenco atual e que mais precisam de confiança do que de críticas.

Sob este contexto, está correto em se manter calado sobre a fragilidade da defesa, mas com certeza, o experiente e vencedor Muricy já deve estar matutando sobre uma nova defesa, que sempre foi o ponto forte de seus times, a exemplo do tricampeonato brasileiro, quando o sistema defensivo do Tricolor foi um dos menos vazados do mundo. ´

QUARTETO, PASSES E POSSE DE BOLA

Em contrapartida à vulnerabilidade da defesa, o quarteto continua envolvente, vide o primeiro gol do São Paulo contra o Flamengo, em que Kardec e Pato tabelam de forma magnífica entre a zaga rubro-negra até serem parados por falta dentro da área. O quarteto está em perfeita ordem. E em breve terá um mais novo integrante, Luís Fabiano, que vem ressurgindo aos poucos.

O meio-campo, com os bons passes e marcações de Denílson em Souza, também. Uma situação resume o que digo. Aos 30 minutos do primeiro tempo na partida contra o Flamengo, o São Paulo possuía 67% de posse de bola e, consequentemente, altos índices de passes. Esses dados positivos vêm se repetindo há cerca de 10 partidas, situação incorporada pelo elenco.

OS MITOS TAMBÉM ERRAM

Rogério é mito, mas também erra. Falhou feio no primeiro gol do Flamengo. Falha que poderia ter sido cometida por Denis. Isso faz parte do futebol, e da vida. Sou totalmente avesso àqueles torcedores que diante de uma falha, logo ressaltam a idade do arqueiro e de que ele precisaria se aposentar. A falha de ontem não tem nada a ver com esses fatores. Este tipo de comentário é bom somente nas conversas nos botecos e nas barbearias. Não para uma análise.

Quanto ao pênalti perdido, apoio-me num chavão futebolístico para expressar minha opinião: os deuses do futebol não permitiram tamanha injustiça diante de um lance tão bisonho, um pênalti que de longe nunca existiu. Nada mais justo.

COMO É BOM TER MURICY NO SPFC: COMO TÉCNICO E SER HUMANO

Muricy é um excelente treinador. Extrai o máximo de um time com sérias limitações no sistema defensivo. Além de bom técnico, é bom caráter. Seu jeito rabugento em alguns momentos, em realidade, só pode ser analisada do ponto de vista  de um cidadão indignado, que busca melhorias para o seu time, mas também para o futebol brasileiro em geral. Assim como o povo que luta por melhores serviços, por mais dignidade.

É muito bom de ver, considerando um país em que diante de um revés (no caso, um empate em casa) Muricy teve a hombridade de reconhecer publicamente que o segundo pênalti foi fora da área e de que foi mais do que justa a expulsão de Michel Bastos.

Muricy é ainda maior quando, ao contrário de muitos, não tentar jogar os seus erros nas costas dos outros. Isso também é digno de aplausos.

A FORMAÇÃO DE UM TIME NÃO É UMA FORNADA DE PADARIA

O Cruzeiro demonstra em campo que a permanência de um técnico é essencial para a realização de um bom trabalho. A diretoria do São Paulo acerta em manter Muricy. O que falta, repito neste texto, são bons jogadores para a defesa, muito aquém do time do meio-campo para a frente no São Paulo.

Nem tudo é tão misterioso no futebol. Revendo as 10 últimas partidas, selecionando lances, dá para dizer que as oscilações do São Paulo estão ocorrendo devido a um sistema defensivo frágil, que se reorganizou na partida contra o Internacional, mas que (devido a contusões também) voltou a cair de rendimento depois da vitória contra o Cruzeiro.

As oscilações, em realidade, possuem explicações. 

RICARDO FLAITT (Alemão) é estudante incompleto de Filosofia (Unesp), cursa o último ano de História e, sobretudo, é um cronista-torcedor apaixonado pelo São Paulo | E-mail: flaitt.ricardo@gmail.com | Facebook/rflaitt | twitter.com/flaittt

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