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Cruzeiro já seria o campeão caso o futebol fosse definido pela matemática

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15/09/14

Por Ricardo Flaitt (Alemão)

O ser humano, por mais que tente se amparar em novas tecnologias, sempre estará à mercê do imprevisível. O futebol, reflexo da vida, é regido pelos mesmos deuses improváveis do destino.

Assim sendo, se construirmos nossos argumentos pelas razões matemáticas, com o Cruzeiro a 7 pontos à frente do São Paulo, a partida de hoje, às 16 horas, no Morumbi, em que coloca líder e vice-líder do Brasileirão frente à frente, até poderia não ser considerada uma final, pois mesmo que o São Paulo vença, ainda ficaria com 4 pontos em desvantagem.

Conforme os comentaristas tecnicistas ou precipitados, no sentido matemático e estatístico, a partida de fato não é uma final, já que não alteraria as posições, mesmo com uma vitória Tricolor.

No entanto, apesar de que os números estejam presentes do dia a dia dos jogadores, nas tabelas do campeonato, nas estatísticas, na camisa dos jogadores, nos placares dos estádios, no cronômetro do árbitro, no número de pagantes de um jogo e mais um N número de situações, o futebol, depois de soado o apito, não é regido por equações. O futebol é a arte imprevisível, do imponderável e é capaz de quebrar todas as regras matemáticas e estatísticas. Capaz de entortar comentários e previsões.

Só para citar um caso de alteração da ordem, dentre tantas situações onde se quebraram réguas, compassos, teoremas e hipotenusas, no Campeonato Brasileiro de 2008 o São Paulo estava 11 pontos atrás do líder Grêmio (quatro além da vantagem atual do líder Cruzeiro).

Porém, quando os estatísticos afirmavam que o São Paulo possuía 1% de chance de ser campeão, no início do segundo turno, eis que entra em campo o deus do futebol, quase como um deus enganador criado por Descartes em seu “Discurso do Método”, que nos faz acreditar que 1 + 1 nem sempre seja 2, e deu novo rumo à história dos campeonatos brasileiros.

Em 2008, o São Paulo tirou a vantagem de 11 pontos do então líder Grêmio e sagrou-se hexacampeão brasileiro com 75 pontos, contra 72 do time do sul, quando ninguém, nem os mais otimistas, acreditavam em tamanha façanha e com muitos comentaristas já cravando há décadas o Grêmio como campeão.

Em contrapartida, seria pertinente admitir, caso o Cruzeiro tivesse uma vantagem de 7 a 10 pontos sobre o segundo colocado, restando menos que 10 rodadas para o fim do Brasileirão, aí sim, dificilmente o vice-líder conseguiria reverter a situação.  Seria QUASE impossível para as outras equipes do G-4.

O que se vê na maioria dos programas esportivos é uma precipitação sem limites. Muitas rodadas antes do término do primeiro turno diversos comentaristas, de várias mídias, arriscavam-se em cravar, com a boca cheia de verdades, que o Cruzeiro já era o campeão.

O desespero por tentar falar algo revelador acaba transformando alguns setores da crônica esportiva num grande balcão de especulação e de pouca informação e análise. A necessidade por acertar, ainda que no chute, afasta a análise rodada a rodada e mais aprofundada sobre os times. Acaba virando conversa de barbearia.

No futebol, assim como na vida, é preciso apurar as coisas com o tempo. Quem imaginaria, a exemplo, que o São Paulo transformar-se-ia nesta grande equipe depois da Copa? E se o Tricolor vencer hoje o Cruzeiro?

Há que se considerar que independente do resultado restarão ainda 17 rodadas, com 51 pontos a serem disputados. Não é nenhuma insanidade em dizer que não está nada garantido para o Cruzeiro, mesmo se vencer o São Paulo e abrir 10 pontos de vantagem. Evidente que ficará mais difícil, mas não impossível.

Mesmo que o São Paulo vencer não ultrapassará o número de pontos do Cruzeiro. Porém, que essa partida representa uma final para o São Paulo, isso é inegável. O contexto responde por si.

Evidente que Muricy, experiente, tenta tirar o peso desse clima de final sobre os ombros dos jogadores. Mas, com certeza, longe das coletivas, o técnico sabe que essa partida é de fato uma final para as pretensões tricolores no ano.

Não só por encurtar a diferença para palpáveis 4 pontos, mas sobre o impacto positivo que causará no elenco.

Maquiavel dizia em “O Príncipe”, que os homens eram capazes em 50% para criar e determinar as condições para o que se deseja na vida. Já os outros 50% dependem do destino. A soma da suas preparações com o fator sorte, digamos assim, de forma simplificada.

Depois de muito trabalho, reformulação e outras turbulências, o São Paulo agora tem um time. Demonstra raça, competitividade e bom futebol. Quanto à outra parte, os outros 50%, que os deuses do imponderável joguem por nós.

RICARDO FLAITT (Alemão) é jornalista, futuro historiador e cronista-torcedor apaixonado pelo São Paulo. Autor de “O Domesticador de Silêncios“.

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2 comentários

  1. Rodrigo Vieira disse:

    Uma pena ver que Kaká não ficará no time e que Ganso, Pato e Kardec podem “barbarizar” ao renovarem seus contratos.

    Mas é o que o Muricy costuma dizer: “Aqui é trabalho!”

    Abs

    [Reply]

  2. Fabio Fernandes disse:

    Olá!
    Dificilmente o Tricolor irá nadar de braçadas como em outros anos.Campeonato nenhum resiste a um belo planejamento e a uma ótima organização. Outros Clubes entenderam que, para ser grandes por completo, precisariam ir muito além do nome e da paixão. Ou seja, descobriram o segredo do São Paulo que o levou a outros patamares: organização e planejamento. Que o diga o Galo e o Timão.http://www.euvistoacamisadogalo.com.br/

    [Reply]

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