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Dueto Kaká-Ceni conduz São Paulo à vitória contra o Grêmio

por
5/10/14


Rogério Ceni e Kaká mostraram, na prática, que não existe idade
para o bom futebol: jogaram como meninos em começo de carreira
Por Ricardo Flaitt (Alemão)

Contrariando os comentaristas que não assistiram a partida, mas que sempre a resumem de que o Tricolor tem uma bela equipe do meio para o ataque, mas sofre na defesa, digo que o São Paulo entrou em campo para enfrentar o Grêmio, em Porto Alegre, com um time remendado.

Venceu de 1 a 0 no sufoco, mas um time que tem Kaká e Ceni, mesmo remendado, não pode ser chutado.

Denílson, motor do meio, estava suspenso por ter recebido o terceiro amarelo na partida contra o Fluminense; Auro não estava bem fisicamente, assim como Toloi. Diante disso, Milton Cruz colocou Maicon no lugar de Denilson, Hudson no de Auro e Paulo Miranda no de Toloi, para forma dupla de zaga com Edson Silva.

Logo aos 3 minutos de partida, o primeiro aperto no coração. O Grêmio faz jogada em cima de Hudson, que estava completamente perdido na ala-direita, a bola entra fácil no meio da defesa, mas Paulo Miranda salva na linha do gol.

Até os 20 minutos do primeiro tempo, a toada da partida foi de pressão total do Grêmio sobre o São Paulo. Agarrados ao sofá, só se faziam os são-paulinos uma pergunta: – Até quando o Tricolor vai suportar?

O eixo da partida se equilibrou com a primeira jogada de perigo do São Paulo, aos 21/1ºT, quando Pato e Karded tabelam pela esquerda e a jogada termina num belo chute do camisa 11 Tricolor, que Grohe espalma para escanteio. Mesmo escanteio que o craque Kaká cobra e a bola, caprichosamente, bate no travessão, evitando um golaço olímpico e sua consagração extrema no clássico.

Depois disso só deu Kaká, que pareceu se multiplicar em campo: marcando em diversos setores do campo, recompondo, liderando, questionando os adversários, articulando as jogadas, criando e chegando com perigo ao gol gremista. Foi uma atuação digna para enterrar os comentários daqueles que criticaram a sua convocação. (Se a crítica estiver alicerçada quanto à falta de critério de Dunga para uma renovação, até aí é considerável).

Aos 32/1ºT, a bola sobra na meia-lua (usa-se este termo ainda?) da grande área Tricolor, o gremista Felipe Bastos emenda um chute, a bola vai rasteira, no canto esquerdo de Rogério Ceni, que estica as mãos e toca para escanteio. Grande defesa de um goleiro de 41 anos, mas com uma elasticidade sobrenatural pela sua idade.

Na sequência, os 33/1ºT, o também veterano Zé Roberto bate forte, a bola resvala, sobe em direção ao gol, mas Edison Silva – outro que voltou a jogar muito bem – tira na linha do gol.

O gol do Tricolor foi construído logo aos 8 minutos do segundo tempo. A jogada nasceu no meio-campo com Kaká, que toca para Pato, que lança Kardec, que é derrubado por Rhodolfo: pênalti. Rogério Ceni, certeiro, bate e estufa.

Depois disso, toda atuação da equipe do São Paulo no segundo tempo pode ser sintetizada se seguinte maneira: com improvisações em diversos setores, segurou-se do ímpetos na vontade na base da vontade, da raça e da sorte. Toda articulação passou pelos pés de Kaká e, lá atrás, Ceni garantiu a vitória, agarrando tudo e, mito que é, marcando o gol da vitória, em pênalti bem cobrado, que acabou com uma invencibilidade de 798 minutos de Marcelo Grohe.

Vitória que mantém vivo o São Paulo para a Libertadores 2015. Vitória do coletivo, mas, sobretudo, de Kaká e de Rogério Ceni, que mostraram em campo, na prática, que não existe idade para quem conhece os desafios do retângulo com uma bola e duas traves. Jogaram como meninos.

Ponto também para a defesa do São Paulo. Paulo Miranda e Edson Silva (quem diria?) jogaram muito. E quando a defesa se acerta do meio para a frente  o SPFC é uma máquina.

A nota triste fica para o craque Ganso.  Sumido, sumido, sumido… Parece não ter entrado em campo. Mas é, de fato, um craque. O que mais precisa é de apoio  dos companheiros.

RICARDO FLAITT (Alemão) é estudante incompleto de Filosofia (Unesp), cursa o último ano de História, autor do livro “O Domesticador de Silêncios”; mas, sobretudo, é um cronista-torcedor apaixonado pelo São Paulo | E-mail: flaitt.ricardo@gmail.com | Facebook/rflaitt | twitter.com/flaittt

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