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Lance! marca um golaço a favor da democracia

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6/10/14

Por Ricardo Flaitt (Alemão)

Não dá para analisar a história recente do Brasil sem passar também pela relação do nosso povo com o futebol. Nessa “pátria de chuteiras”, como assim bem descreveu Nelson Rodrigues, o futebol tem papel decisivo no imaginário coletivo e na identidade da nação.

Infelizmente, o povo brasileiro lê pouco. Não porque não gosta, mas pela falta de políticas públicas, que para ser explicada há de se remontar e analisar uma questão estrutural: o sistema educacional. Mas isso é tema para outra matéria, mais ampla, para livros e mais livros, por mais paradoxal que pareça.

Pela falência do sistema educacional, a baixa renda econômica e outros fatores, o brasileiro lê pouco. Quando tem acesso a jornais, sites e revistas a imensa maioria se resume às mídias e aos cadernos específicos sobre os seus times do coração.

Para este texto, é fato que deveria aqui usar o termo esportes, de forma geral, no entanto, o futebol parece ser quase que o único esporte em nossas mentes. É a síntese de nossa concepção.

Por isso é digno de aplausos a linha editorial do Lance! ao publicar as entrevistas com os principais candidatos à presidência em suas páginas.

Específico na cobertura de esportes, com custo relativamente acessível para a maioria dos bolsos dos brasileiros e com grande penetração nas massas, ao publicar os posicionamentos dos candidatos à presidência do Brasil quanto às políticas públicas para os esportes, Lance! faz um golaço a favor da democracia.

A equipe do Lance! compreendeu, em suas páginas, sua força em relação às massas e não se omitiu, como muitos, que tratam o mundo dos esportes – leia-se futebol – como algo a parte da realidade, como simples método escapista do duro cotidiano.

Quando se fala em políticas públicas para os esportes no Brasil, há diversas conexões que vão além dos campos de futebol. A saúde de um povo passa pela necessidade das atividades esportivas, que também estão ligadas à educação, dentre outras conexões, solo para a formação de um povo, de uma nação.

Afinal, de nada adianta sermos o país sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas, eventos mais voltados para os mais abastados e para estrangeiros, sem que se discutam os legados. Digo legado para o povo, para a massa, não só o legado patrimonial, tão discutível (assunto também para outro capítulo neste grande livro chamado Brasil).

Gol do Lance! Gol da Democracia!

RICARDO FLAITT (Alemão) é estudante incompleto de Filosofia (Unesp), cursa o último ano de História, autor do livro “O Domesticador de Silêncios”; mas, sobretudo, é um cronista-torcedor apaixonado pelo São Paulo | E-mail: flaitt.ricardo@gmail.com | Facebook/rflaitt | twitter.com/flaittt

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1 comentário

  1. Fabio Fernandes disse:

    Olá, Ricardo! Candidatos políticos têm se apoderado da “pobre educação, saúde e segurança” para se promoverem como se fosse uma esquina qualquer onde seus cavaletes protagonizam. É impossível apartar a política de qualquer que seja a área. Lembrando que o futebol TAMBÉM É VÍTIMA do sistema falido. http://www.euvistoacamisadogalo.com.br/

    [Reply]

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