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Partida contra o Atlético-PR explicita o desequilíbrio no elenco do São Paulo

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7/10/14

Por Ricardo Flaitt (Alemão)

Nada mais óbvio e encantador do que falar sobre o quarteto, ora sexteto, Tricolor. De fato Ganso, Kaká, Kardec e Pato, com o auxílio luxuoso de Denílson e Souza, estão jogando muita bola.

No entanto, um time de futebol deve ser compreendido em sua totalidade. Totalidade que não se refere somente aos 11 que entram em campo, mas sobre todo o elenco.

A partida entre São Paulo e Atlético-PR (08/10, quarta, às 19h30, Morumbi) torna explícito um problema antigo, que vem sendo superado na base do improviso, considerando a falta de um elenco mais encorpado para a disputa de um campeonato tão duro e longo como o Brasileirão e a Sul-americana.

Em realidade, o São Paulo possui problemas em relação à quantidade e sobre a qualidade de atletas em alguns setores. Vejamos.

O ataque está povoado por craques, com direito a Luís Fabiano e Osvaldo na reserva.  Em contrapartida, o sistema defensivo do São Paulo sofre por carências pontuais, como na da dupla de zaga.

Na ala-direta, o questionado Douglas foi vendido para o Barcelona. Em seu lugar entrou o zagueiro Paulo Miranda, que deu estabilidade a um setor vulnerável na equipe. Mas Paulo se contundiu. Por sorte entrou o garoto Auro, que é bom de bola, mas ainda precisa evoluir quanto à marcação e à cobertura, fazendo da direita o calcanhar  tricolor para todos os adversários.

Até o volante Hudson, que é bom jogador, teve que jogar de lateral frente as ausências de Auro e Paulo Miranda, que disputou na zaga (e muito bem) a partida contra o Grêmio. Aliás, Paulo Miranda, que um dia tanto eu critiquei e faço questão de registrar aqui, atualmente é peça importante no elenco Tricolor.

Na zaga, Toloi vem jogando muito, mas se contundiu de forma besta na partida contra o Corinthians, num pique desnecessário da defesa ao ataque. Com isso, Muricy vem montando o sistema defensivo na base do “vamos com o que temos”. Assim o Tricolor conta com Edson Silva, Antônio Carlos (contundido), Paulo Miranda e Lucão (contundido).

Na partida contra o Atlético-PR, como se não bastassem as baixas por contusões, Edson Silva está suspenso por ter levado o terceiro amarelo contra o Grêmio. Então, sobra quem? Outro que, mesmo com algumas dificuldades, vem jogando bem.

Muito mais do que a discussão da formação do sistema defensivo para a partida contra o Atlético-PR, é preciso analisar de forma ampla, compreendendo a formação do elenco do São Paulo no ano de 2014.

A diretoria do São Paulo formou uma bela equipe do meio para a frente, com grandes e pontuais contratações, mas o time formado é capenga, uma vez que os sistema defensivo – principalmente a dupla de zaga – não condiz com os restante da equipe.  Repito: não só em quantidade, mas em qualidade.

No meio Hudson substituí Souza, na Seleção. Até aí, tudo bem, pois o meio que veio do Botafogo é um bom jogador, mostrando em campo quando o São Paulo bateu o Internacional dentro do estádio Beira Rio e com Hudson comendo a bola ao lado de Denílson.

Michel Bastos entrará no lugar de Álvaro Pereira, que está servindo à Seleção Uruguaia. Outro caso em que o elenco se segura. Bastos jogou de lateral e com boas atuações (não se pode aqui considerar a expulsão contra o Fluminense para avaliar se vem jogando bem ou não).

Milton Cruz e Muricy vêm remendando o pneu do carro Tricolor do jeito que dá. Com improvisações inimagináveis, mas vai levando a equipe até a reta final do campeonato, com vitórias surpreendentes como a frente ao Grêmio no sul.

No entanto, analisando a longo prazo, pensando na temporada 2015, que já terá uma base montada, mas também várias baixas como Kaká e Ceni, a diretoria do São Paulo deve começar a listar possíveis reforços para a formação de um sistema defensivo à altura do quarteto/sexteto.

P.S. E que os deuses do futebol nos ouçam – assim como a diretoria do São Paulo – e mantenham Muricy Ramalho no Morumbi.  Que sejam inteligentes como fora a diretoria do Corinthians em relação ao Tite, quando mesmo frente à derrota para o Tolima (acabando naquele momento com o sonho da Libertadores) ao invés de mandarem o técnico embora, deram-lhe apoio, confiança, reforçaram o elenco e colheram, depois, a América e o Mundo.

RICARDO FLAITT (Alemão) é estudante incompleto de Filosofia (Unesp), cursa o último ano de História, autor do livro “O Domesticador de Silêncios”; mas, sobretudo, é um cronista-torcedor apaixonado pelo São Paulo | E-mail: flaitt.ricardo@gmail.com | Facebook/rflaitt | twitter.com/flaittt

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