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Noite de Doutrinação

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27/06/16

A noite desse domingo é pra ser lembrada por todo mundo que realmente gosta de futebol. Foi uma noite de goleada do Sport, mas sobretudo, foi uma noite de doutrinação.

O futebol moderno está por aí, sem dúvida! No terceiro uniforme de cores esdrúxulas, nas chuteiras fluorescentes, no fair play pra ganhar tempo, nos torcedores brasileiros de clubes europeus, enfim, em todos esses modismos que fazem questão de matar o futebol de verdade, um pouquinho a cada dia. Mas ontem na Ilha, esse futebol clássico conseguiu tirar a cabeça pra fora do mar de lama que se afundou e deu uma boa respirada.

Não estou dizendo que o jogo foi uma perfeição em forma de 90 minutos. Não, o primeiro tempo, aliás, foi bem morgado. Muita disputa pela bola no meio de campo e poucas jogadas proveitosas de ataque. Porém, o único gol daqueles 45 minutos de futebol já dava sinais do que seria a etapa final. Foi um daqueles gols cagados de cruzamento do lateral que saiu errado, mas entrou. E pra confirmar que o futebol ainda estava vivo, Rodney Wallace (nosso costarriquenho dançarino) afirmou veementemente que foi tudo intencional. Beleza!

Depois de ouvir isso no intervalo, o segundo tempo começou com a boa e velha “Lei do Ex”. Ananias empatou o jogo rapidinho só pra dar a deixa pra doutrinação começar. E assim foi! Teve gol de cabeçada após cobrança de escanteio, meio que segurando nas costas do zagueiro e tudo! E sem reclamação porque futebol é jogo de contato. Teve gol de fora da área. Teve um gol contra que contou pra quem chutou. Teve gol de voleio que valeu o ingresso. Teve o treinador vibrando e xingando como se fosse um torcedor na geral. Teve zagueiro tirando gol em cima da linha e goleiro tirando a bola com o olho.

Foi uma noite linda de festa, de goleada e de um futebol que está em vias de extinção por essas bandas. Tomei várias cervejas pra comemorar ontem e agora é hora de pensar direitinho sobre o que foi feito pra mudar o deprimente futebol que esse time jogou nas primeiras rodadas do campeonato.

O iniciador de tudo foi, sem dúvidas, Oswaldo de Oliveira. Ele indicou contratações, arrumou a zaga, teve coragem de improvisar e colocar Renê no banco e – o mais importante – trouxe de volta ao time titular o jogador que deu jeito no meio de campo do Sport: Rodrigo Mancha.

Doutrinação Mancha

Eis uma pequena amostra da “Doutrinação Mancha”. (Foto: Paulo Paiva/DP)

Mancha não é aquele jogador de passes refinados, não faz questão de jogar pra galera, não tira pontuações altas no cartola, mas Mancha doutrina! Ontem, ele deu a liberdade pra Rodney subir, cobrindo a retaguarda do time com uma eficiência que nem 20 Serginhos conseguiriam. Saiu de campo, substituído por Ronaldo, quando o jogo já estava resolvido, como quem diz “vai lá, meu pirraia, mostra teu futebol aí tranquilão”. Não é bem disso que nós estamos falamos quando pedimos pra promover os jogadores da base sem queimá-los?

Pois bem, agora que saímos da tal da zona, precisamos ficar de olho pra que esse mesmo futebol não se perca entre olés e saltos altos. O próximo jogo é fora de casa e a pegada da doutrinação tem de ser ainda mais forte. Assim, na volta pra casa, o torcedor estará lá esperando de braços abertos.

PST!

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