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Santa Cruz 1×1 Sport – O clássico sem coração

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10/04/16

Com 30 minutos de jogo, eu cheguei à desoladora conclusão de que o fluminense arrancou o coração do time do Sport no final da temporada passada. Ao levar Diego Souza pras Laranjeiras, eles levaram também aquilo que bombeia sangue no nosso meio de campo. Felizmente, a crise pelas bandas do Rio transplantou o camisa 87 de volta pra Ilha, mas ele chegou tarde demais pro estadual.

É por isso que vimos um time tão despedaçado hoje no Arruda, um time que tinha a paixão de um casal de meia idade que trabalha demais e tem tempo de menos um pro outro. Essa foi a relação entre Serginho, Ronaldo e Luiz Antonio com Mark González, Everton Felipe e Vinicius Araújo hoje. Eles estavam apartados por uma barreira invisível, típica de quem não dialoga, de quem está junto por uma mera conveniência social.

Acredito que muitos não valorizam mais o Clássico das Multidões. De fato, há muito tempo o santa cruz não é mais o velho santa cruz de antigamente. Mas por que não olhamos mais pra nós mesmos, ao invés de apontar os erros dos vizinhos? O Sport enfrenta um problema sério de motivação no primeiro semestre e isso reflete no futebol exibido em campo, no público presente nas arquibancadas e na forma como os adversários nos enxergam.

Depois de um jogo pífio, cuja emoção se assemelhava a uma partida de bridge entre comadres, encararemos um Salgueiro que vê no Sport o adversário ideal pra semifinal. Isso não significa que temos um time menos qualificado que os outros três semifinalistas, mas que o coração rubro-negro não estará pulsando nos quatro jogos seguintes pelo estadual. O Sport quer ganhar esse estadual tanto quanto eu quero ganhar uma caixa de Skol latão. Ou seja, a vontade é ZERO!

Duvidam de mim? Revejam, então, toda a (falta de) vontade de fazer gols de Vinícius Araújo ou toda a (in)eficiência dos dribles de Everton Felipe. Se alguém jogou bola hoje, foi Mark González que, coincidentemente, foi o primeiro substituído da partida. Seria excesso de paixão? Teria ele esquecido de esquecer o coração no vestiário?

Do outro lado, não foi muito diferente. Mas os tricolores tinham motivo pra passividade. O Mequinha deu uma de timbu e farrapou quando mais se esperava deles. Por isso, o jogo ainda estava na metade do segundo tempo e ninguém parecia querer vencer. O empate de 1×1 deixava ambos satisfeitos, como se um tivesse combinado de não atacar e o outro de não defender. Uma troca de gentilezas assim é um desrespeito com os mais de 16 mil corajosos espectadores que foram ao estádio.

– Não aperta muito, tá fera? – Pode deixar, meu parceiro! (Foto: reprodução twitter @daaniel_gomes)

Vai ser difícil continuar a ver mais jogos desse time amputado do seu órgão mais vital. Não temos coração sem Diego Souza no meio-campo e isso faz com que nosso cérebro e nossas pernas funcionem parcamente. Quem mais sofre no final das contas é a visão dos torcedores.

#PST!
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