Canelada

Home | « Todos os posts do Sport

O santo e o garçom

por
24/07/16

Foi-se mais um tabu no futebol e o Sport saiu da zona de rebaixamento graças às grandes atuações de Magrão e Diego Souza.

Era uma tarde que começava com expectativa muito baixa entre os rubro-negros. O nosso retrospecto no Mineirão indicava que iríamos lutar pra arrancar um empatezinho mixo. Mas quando a bola rolou dois jogadores decidiram que hoje não seria um dia comum.

De um lado, o boêmio falastrão, o 10 clássico quase em extinção no futebol, o garçom da Ilha do Retiro chegou com uma iskóu bem gelada na bandeja e serviu Rogério como quem enche o copo de seu melhor amigo num churrasco.

De outro, o goleiro reservado, capitão que dá exemplo de conduta, um santo paredão que só não saiu com as redes invictas hoje porque o bandeirinha não quis marcar impedimento aos 47 do segundo tempo.

santo

Milagre de São Magrão!!! (Foto: Reprodução Premiere FC)

Diego Souza e Magrão foram os nomes desse jogo. O garçom e o santo tiveram papéis opostos, mas igualmente importantes pra consolidar a saída do time da condição de virtual rebaixado. Diego jogava (como sempre) de cabeça levantada, com a elegância e a objetividade que lhe são típicas. Seu brilho contagiou o menino Everton Felipe que saiu driblando meio mundo e imitou o mestre, mais uma assistência com o colarinho na medida pra Rogério finalizar.

Com 2 x 0 no placar, a torcida já começava a pensar quando a defesa iria entregar lá atrás. Rithely e o inominável da camisa 8 até se esforçaram, mas a baliza rubro-negra estava protegida pelo santo milagreiro Magrão. Sua bela atuação contagiou até Matheus Ferraz que fez finalmente um jogo sem falhar grotescamente. Ao contrário, ele e Ronaldo Alves parecem ter formado uma zaga mais firme do que na época do xerife Durval.

O ponto negativo dessa partida certamente foi a dupla de volantes. Se o garçom inspirou o menino prodígio e o santo ungiu o zagueiro trapalhão, o ensacadinho do meio-campo embaralhou as pernas de Rithely que cansou de errar passes. A dupla parecia que tinha 4 pés esquerdos e não conseguia nem proteger a zaga e laterais, nem segurar a posse de bola.

Por culpa deles, sofremos um bombardeio que durou 90 minutos. Ainda bem que a fase cruzeirense tá no mesmo nível do tal Leicester brasileiro, com o agravante de que seu treinador parece não conhecer bem como funciona o futebol latino-americano. O portuga Paulo Bento ainda não percebeu que por essas bandas o futebol é místico, uma religião cultuada com pagode e cerveja.

É por isso que a mistura do santo e do garçom deu mais certo do que a frieza europeia. Enquanto São Magrão continua abençoando a zaga infernal do Sport, na outra esquina, naquele boteco pé-sujo o embaixador da Ilha continua servindo certeiro nosso ataque.

E assim seguimos rumo ao G4 ou aos 46 pontos! Isso vai do gosto do freguês.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 

Gostou? Não? Comenta aí: